Fomos ensinados, ou aprendemos em nossas conversas e vasta experiência de vida alheia, que nem tudo pode dar certo, que jamais seremos bons em tudo ou satisfeitos plenamente conosco. Fomos preparados para desapontamentos, mas o coração mole nos atrapalha, porque nem nisso conseguimos ser bons. Fomos ensinados a fazer o melhor, quando a recompensa, por vezes, não virá, quem sabe somente a conquista pessoal. Fomos ensinados a rezar todas as noites, pedindo por um mundo melhor, mas as palavras pré-determinadas voam de nossas bocas sem qualquer tipo de atenção e o egoísmo nos domina. Fomos ensinados tantas coisas, nos fizeram acreditar que éramos imponentes. Mas depois mostraram-nos as falhas e fizeram com que essas se sobressaíssem, fizeram-nos incapazes. Fomos ensinados que não existia a perfeição, e então nos falaram de Deus. Por fim, acho que sempre estaremos errados.
Um pensamento, uma lágrima, um sorriso, uma alma, um coração, uma garota perdida em meio à multidão.
sábado, 18 de dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Consequências natas
Tenho frieza e amargura embutida em mim. Não importa o quanto tente me livrar delas, quando passo a acreditar em sua partida, elas voltam. Talvez seja nato, mas posso por um tempo, disfarçá-las, agir como os outros agem, apesar de existir uma tamanha repugnância dentro de mim.
Tendo a não gostar de ser próxima das pessoas, compartilhar as partes íntimas de minha vida, e por isso quero dizer, quem realmente sou, os poucos segredos que guardo, e por vezes, afastar aqueles que gostam de mim.
Não sou extremamente aberta, não falo com estranhos como se fossem amigos e jamais digo eu te amo a alguém se não tiver certeza disso (a não ser algumas vezes por educação, digo, por retribuição). Posso parecer grossa, sincera, estranha, sem personalidade. De fato, talvez seja um pouco.
Tenho um código comigo mesma: não digo oi a desconhecidos ou pessoas a quem não sou próxima, limito-me a um olá. No fim, não significa nada, mas me faz sentir melhor, é como se me guardasse para mim mesma, ou àqueles, que realmente merecem. Além disso, nomes carinhosos ou comentários inconvenientes vindos de desconhecidos são capazes de me fazer odiar alguém ainda que não o conheça, ao invés de elogio, são uma ofensa.
Cultivo as mesmas amigas há anos, quem sabe quando era menor fosse mais amigável, ou talvez ainda seja amiga das mesmas pessoas por comodidade, medo de sair conversando com estranhos, procurando alguém semelhante.
Quando alguém novo se aproxima, afasto-o, ou ao menos, demoro a familiarizar-me. Passei um ano em uma nova escola e posso contar nos dedos os novos amigos que fiz, depois de um longo período de conhecimento, é claro.
Sou um pouco amarga e fria. Afasto as pessoas, não sou simpática ou interessante. Vivo num mundo introspectivo que me diverte, e na maioria das ocasiões, me deprime. De fato, admitir todas essas verdades arrepia-me. Minha tristeza ocasional é baseada nelas e em suas conseqüências.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Para as criadoras de boas memórias
(vulgo, amigas)
Venho a contar-lhes que perdi a esperança. Que meus olhos foram abertos, não por vocês, não pelas situações de outras pessoas, mas pelo meu coração.
Lembro-me dos velhos tempos, da teórica perfeição que ele guardava, da nossa felicidade. Desejei profundamente regressar, lembrar das risadas por motivos bobos, dos choros de pré-adolescentes e loucuras inspiradas por coca-cola. Sei que vocês sabem a que me refiro. As noites, as reuniões, as confissões. Talvez aqueles fossem os melhores tempos de nossas vidas, ao menos de nossa amizade.
Não quero dizer que esse elo acabou, de fato, ainda existe. Mas percebo a cada dia que se ameniza. Poderia atribuir isso às vezes que as desaponto, ou o contrário, quando falamos uma besteira e por mais que perdoemos, a mágoa estará bem no fundo, guardada. Somente não acho certo fazê-lo. Crescemos de maneiras diferentes, amadurecemos todas, mas cada uma a sua maneira. Ainda há bons momentos que compartilhamos, mas são cada vez mais escassos. As melhores conversas são aquelas que falamos sobre lembranças de infância.
Passei anos acreditando que tudo seria para sempre e será. A amizade, qualquer dia desses, quando nossos caminhos deixarem de se cruzar, partirá. Mas ficarão as memórias dos bons tempos, das boas amigas, as terei guardadas sempre em meu coração.
Não prometerei olhar uma foto nossa todas as noites, ou lembrar todos os dias de como fomos. Mas sei que, por mais que não com tanta freqüência, os momentos em que pensar em vocês, seja por contar uma história a meus filhos, ou ver garotas de 12 anos se divertindo no shopping enquanto tomo um café sozinha, serão felizes. Rirei sozinha, recordarei do jeitinho peculiar de cada uma que conquistou minha amizade, desejarei que vocês estivessem ali comigo. Talvez que as garotas que fomos estivessem ali comigo, quem sabe, nossas memórias bastassem.
Entendam que não generalizo essa idéia, há certas pessoas que continuarão em minha vida, me farão felizes e sei que essas saberão quem são. Mas há outras que abandonarei, minto, o tempo abandonará.
A esta(s), saiba foi muito importante para mim. Que as lágrimas compartilhadas não foram em vão, significaram muito e jamais contarei sobre elas. Se quiseres me deixar, faça-o, percebo que no ponto em que chegamos isso se faz inevitável. Somente peço-lhe, que assim como eu, esqueça os últimos tempos, os tristes, lembra das alegrias, deste elo apertado que formávamos, que faz as lágrimas de meus olhos escorrerem e que deixará resquícios. Resquícios que me farão estar de braços abertos para tê-la de volta, para consolar-te, por mais que inicialmente fique brava ao fazê-lo. Resquícios, que chamo agora, lembranças.
sábado, 20 de novembro de 2010
Sozinha.
Esses são os dias em que acredito em mim mesma, em que me sinto independente de todos, digo, de seus pensamentos. Basta olhar dentro de mim, basta perceber que sou dona do que penso e faço, manipular-me a acreditar nas boas coisas, ser Pollyana por alguns instantes.
E por um momento sentir-me bem, esquecer dos arredores, dos loucos que me olham, em minha visão jamais eu serei a louca. Sorrir para o nada, para os pássaros, desconhecidos, quando de fato, sorrio para mim mesma.
Apreciar as pequenas coisas, ainda que ninguém possa compartilhar isso comigo, alegrar-me ao escutar uma música ou quando cometo minhas usuais catástrofes. Encontrar um amigo e contar todas as besteiras de minha cabeça ou a um desconhecido, sem esperar que me compreenda.
Acreditar que sou alguém interessante, ao menos a mim mesma, ser capaz de me surpreender com meus bons atos.
Descobrir que as melhores conversas, as melhores pessoas são aquelas que não esperamos que sejam, que escondem-se sob a timidez ou falam infinitamente sem revelar-se.
Ser uma boa amiga quando pedem para que seja, possuir minhas crenças, acreditar que elas são a verdade, tentar escondê-las sem a necessidade de convencer alguém a escolher os mesmos caminhos que eu.
Aceitar as diferenças, sem precisar mudar, escolher os semelhantes, rir ao lado deles e fazer deles minha companhia.
Trocar informações, conhecer novas culturas e pessoas. Não depender de outros, andar sozinha, então, antes que perceba estarei cercada de boas pessoas.
E no fim, tudo se resume a mim mesma: a meu desejo de sorrir e de ser feliz. A minha luta para fazê-lo acontecer.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Planos para 2090
Quando completei sete anos, chorei desesperadamente porque acreditava envelhecer. De fato o fazia, mas era somente o início do processo. Demorei algum tempo para perceber que, considerando uma longa vida, tenho, com muito otimismo, mais 80 anos para viver.
Uma mínima parte vivi da minha vida, mas parece a mim, tão significante. Conheci tantas pessoas, fiz tantos amigos, vivi períodos de alegria, de solidão, de tristeza, de risos constantes, de saudades.
Tenho consciência do enorme período a viver, alguns poucos planos, metas e sonhos. Confesso que sou nova demais para definir uma vida, mas adquiri certos valores que me instigam a imaginar o futuro.
A começar, por formar-me em direito na USP. Ao sair, não sei ao certo o que quero fazer, concurso talvez seja uma boa opção, mas já foi um grande passo escolher um curso, aguardemos para que venha o seguinte.
Gosto de viajar, conhecer novos lugares e pessoas, falar línguas e comunicar-me. Há algum tempo, considerei ser diplomata, mas existe dentro de mim os sonhos que se sobrepõe a minha vida profissional.
Nasci em uma família maravilhosa, constituída a partir de amor e união. Devo tudo a ela, se sou uma boa pessoa, foi pelos exemplos, tudo que aprendi, de certa forma, ela me ensinou. Fez-me sonhar em algum dia formar a minha própria família, ocupar um lugar diferente, casar, ter filhos, netos e histórias para contar.
Desejo viajar o mundo ou as boas partes dele, conhecer os cinco continentes e o meu país. Ajudar as pessoas, ajudar a mim mesma. Das pequenas coisas, escrever um livro e jamais usar dentadura. Cozinhar para meus netos quando os tiver e deixá-los fazer da minha casa o local de alegria. Mimá-los, assim como meus filhos, ao máximo. Aprender a tricotar, apesar de acreditar que em minha velhice, não o farei, ao invés, lerei infindáveis livros.
Com toda a minha inexperiência e bobeira adolescente, acredito que todos os meus sonhos se realizarão, que raras vezes me desapontarei e o farei com as pessoas, que serei capaz de perdoar e amar, que sempre terei um plano, saberei o que fazer e, acima de tudo, acredito que viverei, ao menos, mais 80 anos.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Ímpeto
Passeiam alegres com seus sentidos aprisionados em uma coleira. Fingem ser boas pessoas, talvez sejam. Mas há esse ímpeto a extravasar, deixar o mundo desabar sobre eles para sentir a dor, desejando somente sentir algo real. Controlados, homens de razão.
Sonham em fazer as loucuras secretas que não permitem que habitem sua mente, limitam-se a aceleração do coração, aos sorrisos, ao suor indesejado. Provavelmente a culpa não é de um homem, é de todos os homens, da sociedade, do mundo que determinou o que seria correto e a podridão, o errado.
Talvez tenha realmente sido o fruto de Eva, talvez seja inato. Talvez seja uma condenação, triste assim, morreremos sem realizar as bobas vontades pela consciência da vida após esta, viveremos escondidos sob o fardo das boas famílias, das boas imagens. Tendendo ao otimismo, talvez seja um desafio, encarar a vida, superar obstáculos, superar nós mesmos.
Somos incapazes de criar uma definição real para o que somos, somos segredos de nós mesmos. É a voz que não possuímos, mas habita nossos pensamentos, contradizendo tudo o que pensamos, impedindo-nos de sermos completamente virtuosos.
Os fortes são capazes de guardar a dúvida, fazer dela a certeza. Os fracos deixam-se dominar pelo ímpeto, pela curiosidade até que a origem, o controle desapareça totalmente, morrem precoce e erroneamente ou salvam-se, voltam ao estado original deteriorado, sem a tentação, pois já a podem julgá-la, é má, creio eu, nunca senti-a.
Pois como ser inexperiente, prefiro manter-me na certeza, controlar-me e ignorar instintos. Agir de acordo com a Lei do mundo, que chamo minha lei. Dessa forma, ao final, poderei dizer que fui forte, virtuosa, vencedora.
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Caro amigo,
Sento-me à mesa de um bar, sozinha como em todas as noites de sexta feira, bebendo minha gim tônica, escrevendo loucamente, inspirando-me no comportamento das pessoas: os risos forçados das moçinhas carentes e as cantadas enferrujadas dos homens de meia-idade que deixaram as esposas em casa. Imagino o que falam, o que pensam. Uma paixão intensa, um amor para vida inteira. Um caso insano, uma noite memorável.
Fico presa as batidas de meu coração. Escuto-as. Tic. Toc. É como um relógio, qualquer dia, a pilha acabará e bem, não poderei trocá-la. As lágrimas da solidão, ou de efeito do álcool em minha corrente sanguínea, começam a escorrer no instante em que você decide mudar minha rotina.
Senta-se na mesa ao lado com a moça dos olhos verde esmeralda. Jura que a ama. Diz que qualquer dia desses a pede em casamento, por que não saem escolher alianças? Seu sorriso aos poucos desaparece. São dolorosas as palavras que saem dos lábios cor de cereja. Ela diz que o ama, mas passou o tempo da paixão. Propõe a amizade. Você permanece tão estático quanto eu, vidrada em sua conversa. Perdoe-me por torturá-lo ao repetir esta triste cena. Ela se levanta e o abandona, prometendo ligar. Assisto formarem-se rugas entre seus olhos, claramente, para segurar o choro, que ao momento em que a garota sai do bar, se faz inevitável. As lágrimas escorrem por suas bochechas avermelhadas, seu lábio treme.
O que a discussão que ouvia tinha feito partir, agora voltava com maior intensidade, eu chorava pelos mesmos motivos bobos de todas as madrugadas e por você. Nossos olhares embaçados se cruzaram. Encarei-lhe sem a usual vergonha. Enxerguei sua alma de menino ingênuo. Senti meus pensamentos serem despidos em sua mente. Sentou-se a minha frente. Talvez você buscasse por consolo de uma desconsolada, talvez uma amiga a quem contar, talvez alguém para substituí-la. Eu nada buscava. Quem sabe um personagem, uma história para contar.
Os poucos minutos que passei a sua frente sem ao menos uma palavra dita foram os mais sinceros de toda minha vida. Todas as lágrimas escorridas significaram nada, minto, significaram a verdade. Não creio que você seja minha cara metade ou que algum dia seremos bons amigos. Você curou minhas lágrimas por misturá-las as suas, ensinou-me que jamais estarei sozinha, nem que minha companhia seja um estranho em um bar. Espero ter feito o mesmo por você. Espero que a garota dos olhos verdes perdoe-lhe ou que você ache alguém melhor que ela. Quanto a mim, também espero por alguém que me ajude a escrever minha própria história, ainda que saiba que ninguém me proporcionará um momento tão profundo quando aquele.
Levantei-me e saí com os olhos secos.
Com carinho e agradecimento,
A estranha amiga, se é que posso assim chamar-me.
PS: Tudo não passa de ficção, voltei ao tempo das histórias.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Por tudo e por todos.
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
(Quase) uma história de amor
Lembro-me de quando te conheci. De meus olhos famintos por aquele sentimento que ali começava, da insegurança que sentia, dos dias que imaginei como a pessoa que ocuparia seu espaço seria. Dos meus risos forçados, dos arrependimentos seguintes pelas palavras esquecidas e pelas ditas, de admirar sua beleza. Da saudade que senti da simplicidade dos tempos passados e do meu rápido esquecimento sobre ela ao ver-te rir. Das palavras meigas e envergonhadas, da aceleração de meu coração, da certeza ao assistir o brilho de seus olhos acender. Seria errado dizer que já te amava, não, somente sabia que um dia o faria. Parece-me estranho: este dia chegou. Percebo que preciso de você ao meu lado para me escutar e fazer sorrir. Tarde demais. Sei que te amo pelas lágrimas que escorrem em meu rosto pálido e aterrisam sobre seu corpo frio e imóvel.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Eleições
Não sou eleitora. Gostaria de ser. Mas concordo que diante de minha tamanha imaturidade e desconhecimento sobre a política brasileira não poderia ser uma eleitora.
Assisti a alguns debates, propagandas políticas e li reportagens. Mas não sei viver o momento atual analisando os benefícios políticos que o governo está me causando, nem posso compará-los com os de tempos atrás. Posso ter uma idéia do que é bom para o país, mas não experiência suficiente para saber se estou correta. Envergonho-me ao entrar em discussões sobre política e usar os argumentos que várias vezes escutei serem falados por pessoas próximas.
Não sei quais as necessidades das escolas públicas, nem do SUS, confesso que nunca os utilizei. Pouco sei sobre o pré-sal e às inúmeros problemas ambientais brasileiros. PAC para mim é o posto de saúde de minha cidade. Estimo o valor do salário mínimo, não sei dizer se é pouco ou o quanto seria adequado. Desconheço quais os impostos cobrados e que percentagem. Quanto às estradas, não sou motorista, sei da decadência, mas o que o governo tem feito para corrigi-las não sei. Sei dos escândalos de corrupção, mas não procurei ir a fundo neles. Conheço as promessas dos presidentes, não sei o que é viável e o que não é. Sei que alguns jamais se elegerão e por justa razão, o socialismo é utópico, assim como o salário mínimo de 2000 mil reais e a isenção de impostos para o pobre e a cobrança absurda para o rico. Os problemas de educação, saúde, da população em geral, acredito que sejam mais importantes do que os do meio ambiente, lamentavelmente não creio que esta candidata será eleita. Sei que o poder de compra aumentou, que tudo está melhor no momento atual, mas somente prometer a continuação sem proposta alguma, não me é suficiente.
Os programas eleitorais tem me divertido, os candidatos estranhos, com voz de radialista, monocelha, propostas ridículas ou com palavras erradas. É isso que a campanha eleitoral foi para mim. Sou completamente ignorante. Contudo, sei que minha ignorância pode durar mais algum tempo. Envergonho-me por não saber sobre a política brasileira atual. Envergonhem-se ainda mais aqueles que votarão sem conhecer. Pois eu sou apenas uma criança, sem direito de votar ou de ser presa, não compete a mim decidir o futuro da nação e consequentemente, o meu.
PS: Este texto foi escrito antes do 1º turno. Já não é a minha ignorância o maior problema, mas sim a dos candidatos, que nada mais fazem além de acusarem um ao outro. Agora, nenhum dos candidatos me agrada, contudo, ainda assim: votaria SERRA 45 ( a Dilma e o jeito frio de falar dela me dão medo).
domingo, 24 de outubro de 2010
Trilha sonora
Quando era pequena, adorava as músicas da Eliana. Também gostava de Xuxa, Angélica e É o Tchan. Mais tarde, passei a escutar Sandy e Junior. Vamos Pular, Lua de Cristal e mais uma centena de músicas. Evolui a fase Felipe Dylon e Forfun. Ouvia todas as músicas que minha irmã adorava, inventava combinações de sílabas para cantar as em inglês, trocava as palavras em português. Escutei somente música sertaneja. Amei ABBA. Cheguei onde estou hoje.
Confesso que inúmeras vezes sentei frente a este computador, tentei arduamente escrever, precisava fazê-lo, mas as palavras me enganavam, saiam enroladas, sem nexo, perdidas, sozinhas. Precisava desabafar, mas fui incapaz de descobrir o que sentia. E então, busco por algo que me esclareça essa bagunça de meu peito, encontro as músicas. Falam aquilo que quero, mas não consigo. Escuto -as por tempos até que supero-as, compreendo-me.
As canções deixam de ser somente demonstrações aleatórias de uma bela voz e ritmo e se transformam em memórias. Fazem-me lembrar das fases de minha vida, das amizades, das pessoas, do que sentia. Há certas músicas que já não me agradam, mas ouvindo-as encontro dentro de mim a menina que as adorava e posso por poucos instantes sê-la novamente, voltar no tempo, chorar, sorrir, recordar.
Há tempos não mudo de gosto musical. Amo Engenheiros, algumas músicas sertanejas, Plain White T’s, Good Charlotte e outras internacionais.
Meu pai canta as músicas de seu tempo para mim. Receba as flores que lhe dou, Dominique, Sexta-Feira 13 e muitas outras. Ainda gosta delas. Não se transformou. Não compreendo porque as pessoas mais velhas se referem às músicas antigas como “do meu tempo”, se ainda estão vivas, se este ainda pode ser seu tempo.
Mamãe diz que não conhece novas músicas porque não tem o tempo necessário. Não creio que essa seja a razão. Quem sabe conforme as pessoas cresçam, amadureçam, já não precisem buscar uma maneira de compreender a si mesmos, sejam capazes de fazer isso sozinhos. Continuam ouvindo, ocasionalmente, as velhas músicas da mocidade, mas não como diversão ou por necessidade, somente como uma forma de lembrar das inúmeras incertezas que tiveram dentro de si.
PS:
Need you now - Lady Antebellum
Para minha irmãzinha: Como sempre, Hey there delilah - Plain White T's
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Feitos pra durar
Há certas coisas que são feitas para durar. Certas pessoas postas em nossas vidas que nos ajudam, nos fazem melhores, que nos conhecem tão bem quanto nós mesmos, nos fazem sorrir, ensinam-nos boas coisas, compartilham aquilo que sentem, possuem o ombro para chorarmos e que amamos. Essas pessoas se tornam uma pequena parte de nós, porque nos parecem imprescindíveis.
Quando disse-lhe que certas coisas são feitas para durar, não disse que elas durarão. A vida é imprevisível, assim como todas as pessoas e como nós mesmos. A vida nos prega peças, talvez não a vida, talvez nós mesmos, talvez outras pessoas, somos ingênuos o suficiente para deixá-las acontecerem. As pessoas e as grandes amizades se vão. Surgem novos amigos, novos momentos, novos sentimentos. Tudo muda em um piscar de olhos, ao menos é o que costumo acreditar. E se dentro de toda essa contradição dissesse que tudo continua ali, mas com muitas outras camadas sobre, escondendo aquele velho sentimento? Se cavarmos um pouco, podemos voltar aquela época, lembrar do que sentíamos, talvez senti-lo novamente, mas com certa dor, arrependimento, saudade.
Aquelas pessoas continuarão dentro de nós, quem sabe não como são hoje, mas como foram, ficarão os bons momentos, as boas lembranças. Talvez se as encontrássemos novamente seriam completos estranhos, mas alguma parte dentro de nós, saberia ver aquela velha pessoa, procuraria sua presença e ficaria feliz de encontrar um pequeno traço dela. Depois de um certo tempo para acostumar-se ao desconhecido, conversaríamos por longas horas, riríamos dos velhos tempos e de tudo o que fizemos, contaríamos o que nos acontece no momento, mas sem confessar-lhe nada, contar detalhes e sentimentos, afinal, perdemos aquele grande elo, ele foi guardado.
Fazer o coração acelerar ao se lembrar do quão bom tudo aquilo foi, derramar lágrimas por não poder tê-lo novamente, agradecer pelas pessoas que agora estão em nossa vida.
No fim do dia, eu não mudaria nada, deixaria todos aqueles que se foram, irem. Lembrar dos velhos tempos é bom, ter novas amizades é bom, até mesmo sentir saudades pode ser bom. Bom desde que saibamos que o outro também a sente. É bom acima de tudo, por sabermos que este sentimento estará guardado em nosso peito para sempre, como uma lembrança. Afinal, de uma maneira ou de outra, aquele laço que um dia tivemos foi feito para durar.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
O chá derramado
Paira a xícara sobre o chá já derramado. Tudo ali junto, as inseguranças, os medos, os tantos defeitos, as qualidades, o pouco que aprendi e conheci. Derramaram-se, eu os derramei. A xícara vazia. Tudo o que devo fazer é limpar aquilo que já não mais pode me satisfazer, o líquido incômodo, e encher a xícara novamente. Escolher o melhor sabor de chá. Colocar dentro dela o que me faz feliz, o que quero, os muitos lugares a conhecer, as pessoas a entender, os sorrisos a serem mostrados, os bons amigos, os sonhos, o ideal de quem ser. Beber o chá calmamente, apreciar o sabor e me tornar tudo o que ali coloquei. Não devo demorar demais ou o chá esfriará, o sabor escolhido não mais me apetecerá, o terei desperdiçado, esquecido de tudo o que quisera quando preparei minha bebida. Mas acima de tudo, devo tomar cuidado para que não derrame o chá, pois se acontecer, demorarei até prepará-lo novamente, e nesse período, haverá a sede, o vazio da xícara e de minha alma.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Falta do olhar
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Objetivo
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Invenção
Durante as nossas vidas conhecemos muitas pessoas, aquelas que passam, mostram-nos algo, mas são esquecíveis. Aquelas que marcam, ensinam-nos, são nossos amigos, com as quais criamos um sentimento e ainda que se vão, serão lembradas eternamente em nossos corações.
Quando penso em todas essas pessoas que conheci, sinto-me feliz. Entretanto, esqueço daqueles mais importantes em minha vida, não sei se de fato conheci-os. No momento em que tomei consciência de mim, eles já estavam ali, faziam parte de quem eu era.
Creio que fui uma boa anjinha. Fiz tudo certo lá no céu. Então, recebi a graça de vir para o melhor lar que poderia imaginar.
Faço parte de algo grande, algo além dos olhos humanos, algo que não sei se outro ser humano já sentiu igual. Não é grande em tamanho, mas é imensurável em união, o que o faz imbatível. É este sentimento maior. Os seres humanos costumam chamá-lo de amor, mas eu já não sei. Chamam de amor aquilo que sentem por um animal, por um amigo, por um desconhecido. Se desta forma é o amor, não posso chamar nosso elo assim. Talvez devessem inventar um novo sentimento. A sensação de infinito, de união, de amor, sim, mas mais do que isso, de felicidade, de silêncio, de doação, de guarda, de carinho, de crença, de indestrutibilidade, de perfeição.
O infinito o faz maior do que qualquer outra coisa, do que qualquer um de nós. A união é que nos faz invencíveis, faz o melhor surgir da junção de um pedacinho de cada um de nós. O amor, para que não deixemos de fora o tão falado sentimento, se dizem ser grande, pequena parte desse novo sentimento será. De felicidade, pois juntos não há tristeza que nos derrube. De silêncio, pois não sabemos como descrevê-lo, sentimo-lo e isso basta. De doação, entregaríamos nossa vida por aquele ao nosso lado. De guarda, unimo-nos, lutamos contra qualquer mal que tente atingir um, pois assim machucará a todos. De carinho, daqueles bons dias em tudo o que precisamos é a presença deles ao nosso lado. De crença, acreditamos um nos outros, não importa o que nos digam ou façam, por mais difícil que seja, tentamos admitir nossos erros e corrigi-los, falar a verdade e acreditar nela como a base. De indestrutibilidade, esse elo que é formado não pode ser quebrado nem pelo maior mal, que é pequeno diante da grandeza desse sentimento. Dentro do conjunto de nossos defeitos, da compreensão deles, da união das qualidades, de tudo aquilo que mencionei, surge a perfeição. Não a perfeição individual, mas do todo, do sentimento.
Somos um pacote fechado. Onde está um, o outro junto estará, ainda que somente dentro de nossos corações. Somos seres independentes dentro da mesma caixa. Nosso invólucro é aquele sentimento indestrutível descrito acima, que deixa, nesse instante, de ser somente o que sentimos e passa a ser aquilo somos: família.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Ambiguidade
Todos estranhos, já não mais os conheço, são somente peças de um passado perdido.
Eis algo esquisito o tempo, não o tempo por si só, mas tudo o que ele é capaz de tirar-nos, de levar junto a si ou tudo o que ele é capaz de trazer.
No fim das contas, ele é o malvado e o benfeitor.
Olhando a várias fotos, sinto saudades daqueles bons tempos, daquelas pessoas que viviam ao meu redor, de quem elas eram. Mas não devo viver de passado.
Carpe diem.
Aproveite o dia. Confesso que foi sempre difícil para mim isso. Não lamentar-me pelo o que passou. Conformar-me e seguir em frente. As coisas mudam, se alguém se vai, outro o substitui, é teoricamente perfeito. Mas sobram alguns espaços em branco, que estarão sempre esperando aquele que se foi. Resta-me pensar sobre o futuro. Nunca penso no presente.
Conheci tantas pessoas novas, mudei, tenho vivido diferentemente, falado sobre diversos assuntos, rido mais, escrito mais, sonhado mais. Estou feliz, confesso.
Há de vir novamente o tempo, dessa vez meu inimigo. Porque fará tudo isso passar? Deixe-me aproveitar mais alguns instantes, descobrir mais algumas coisas, conhecer mais algumas pessoas, ler mais alguns livros bobos, passar mais algumas noites acordada, sorrir pelos motivos errados mais uns instantes.
Talvez o culpado não seja o tempo, seja o que eles nos faz. Crescemos, é inevitável. Amadurecemos. Nos tornamos adultos com preocupações e conversas sobre o mercado de trabalho. Quem sabe quando eu chegar lá, isso me faça feliz.
Tenho essa dualidade dentro de mim. A parte que deseja que o tempo passe, que quer crescer, se formar, constituir uma família, ser mãe, avó, morrer e ter deixado minha marca. E a outra, que vive do passado e do presente, reza para que o futuro demore.
Luto contra o tempo. Luto a favor do tempo. Deixo que o tempo aja em mim. Ele deve saber o que faz, não deve? Pois bem, se não souber, arrisco a sorte. Rezo para que o tempo traga boas coisas. Se trouxer, implorarei para que ele demore a passar. E bom, se não trouxer, me contentarei sabendo que ele passa. No fim, o tempo é incontrolável, passará, levando consigo toda minha vida e substituindo-a por uma ainda desconhecida, queira eu ou não.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Procuro-me.
Nunca serei boa o suficiente. Não para mim mesma. Tenho passado por um período de revolta. Tudo o que faço, falo, penso e sinto me parece errado. Condeno-me por tudo o que faço. Tento punir-me, comprometer-me a não pensar mais dessa maneira. Mas de que adianta? Perdi o controle sobre mim mesma.
Nunca serei boa o suficiente para mim pois não sei o que é ser boa o suficiente, não sei o que se precisa para isso, enfim, não sei quem quero ser. Mais uma vez, martirizo-me por não saber. Quando vivo de um jeito, este parece completamente errado, escrevo textos desejando a mudança. E então, faço-a ocorrer, errei ao mudar. Volto ao que era, errei ao voltar. Nunca estarei certa.
Tenho vivido em meio a uma confusão de pensamentos. São tantos ao mesmo tempo, me perco em meio a eles. Cogitei estar louca, mas, claramente, continuo sã. Quis estar louca a fim de que tudo isso fosse justificável, mas não é.
O fato de não saber quem sou não é novo, sei disso há tempos e essa certeza talvez me deixasse mais segura. Mas o fato de não saber quem quero ser me assusta.
Me sinto bipolar, me sinto influenciável, sinto que quero ser ambas as coisas. Não posso, não quero querer.
Tenho que parar para reler tudo o que escrevo, porque são tantas ideias perdidas, as palavras saem automaticamente, como se tivessem vida própria, como se não as dominasse. Elas me dominam, preciso entendê-las, elas são minha bagunça.
Não me permito sentir-me feliz comigo mesma, nunca me permiti. Sempre tive como príncipio: “Há sempre algo a melhorar.” Sei que há, sempre haverá. Só gostaria que isso não me impedisse. Gostaria de ser uma daquelas pessoas com a permanente auto-estima elevada, que se crê linda e boa o suficiente. Sei que elas podem ser arrogantes, mas creio que saberia me controlar, utilizando a humildade.
Hoje, estava incomodando a mim mesma. Não somente minha voz, como de costume, mas minhas falas, minhas ideias, minhas ações. Desconheço a garota que fez tudo isso. Se incomodo um bom tanto a mim mesma, logo, outras pessoas não me suportarão.
Não quero sentir o que sinto, dizer o que digo, mando embora os tantos pensamentos. Estou perdida. Perdida de mim mesma. Devo ir me procurar, se algum dia me encontrar, volto e conto-lhe quem sou, quem quero ser, no que realmente acredito.
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Quando bate a saudade.
É como um ritual.Todas as vezes que saímos de Londrina, onde mora minha irmã, é triste. Descemos os quatro, eu, ela, meu pai e minha mãe até a garagem, ocasionamente acompanhados de seu namorado. Geralmente, papai carrega as malas no carro antes de descermos, mas sempre esquecemos algo no apartamento e temos que subir buscar, este algo costuma ser uma garrafa de água. Eu subo, contudo, as vezes minha mãe gosta de buscar junto a minha irmã, creio que ela acredite que aquele seja um momento íntimo de despedida. E então, finalmente nos preparamos para viajar. Meu pai dá o primeiro abraço, não muito longo. A mãe recebe o segundo e eu o terceiro. Entro no carro e papai posiciona o carro para partirmos, mamãe sempre precisa de mais um apertado abraço. Minha Irmã chora quando não sabe precisamente quando nos veremos novamente. Os olhos da mãe também se enchem de água, de vez em quando, isso acontece comigo, mas luto para escondê-lo, não sei porque motivo. Partimos em silêncio. São poucos os comentários feitos, apesar das inúmeras tentativas de minha mãe, uma conversa nunca se constitui. Durmo, escuto música. Telefonamos a minha irmã na metade do caminho.
Chegamos em casa de noite, não gosto desta parte. É estranho entrar no lugar que sempre vivi, que tão bem conheço e sentir-se uma estranha em meio ao vasto silêncio. Não poderia, nesse instante, chamar de lar. A casa parece imensa para somente três pessoas, vazia. E é aí, que percebo. É o pior momento de todo o tempo que fico sem ver minha irmã, por mais que faça pouco tempo após nosso último encontro.
É como se ela faltasse no quarto do lado, se eu esperasse a cada palavra dita um de seus comentários, como se o clima escuro da casa pudesse ser quebrado somente com sua presença. É quando bate a saudade. Lágrimas molham meu rosto.
Essa palavra sempre me perturbou, tão certa, tão triste. Saudade. Creio que não exista em tantas outras línguas para mascarar junto a outros o terrível sentimento. Não posso descrevê-lo. Há o nó na garganta, há o desejo da pessoa, há a falta, há a dor.
Mas estranhamente toda essa saudade que sinto as vezes é boa. É uma prova. Saudade é sempre uma prova de amor, porque ela não existiria sem o afeto.
Sempre que me acontece alguma coisa, tenho a necessidade de ligar para minha irmã e contar-lhe. Falo muito tempo com ela pelo telefone. Mas não posso ver seu rosto, identificar suas feições, ver a roupa que está vestindo, perguntar o porquê de ela estar fazendo algo extremamente simples que jamais mencionaríamos em uma conversa telefônica.
Preciso de sua presença, não posso tê-la. Preciso de consolo, mas sei que ela precisa muito mais. Todos precisam. E assim nos consolamos juntos nos maravilhosos e curtos dias, os quais passamos fingindo que a enorme distância não existe e que nunca chegará a hora de partir.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
O homem lá do céu
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Torre da vida
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Ao tempo em que nada nos dividia
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Inevitável
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Você?
quinta-feira, 29 de julho de 2010
No fim, lembranças, motivos para sorrir.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Quem sou eu?
Certo dia, parei para me fazer a mesmíssima questão, aquela que está constantemente em nossa cabeça, para a qual nunca acharemos uma resposta, ou talvez saberemos responder, mas a cada dia a resposta será diferente.
Estamos em constante mudança.
Às vezes, tenho vontade de sorrir, em outras, necessidade de chorar. Às vezes, olho para mim mesma e me contento, com minha aparência, com minha personalidade, outras vezes, sinto-me um lixo. Às vezes, amo imensamente alguém, e no instante seguinte, por mais que brevemente, odeio-a. Às vezes, sinto vontade de comer doce, e então, como se este já não fosse suficiente, preciso voltar ao salgado. Às vezes, sinto vontade de escrever, me sinto bem fazendo-o, em outros momentos, lágrimas escorrem quando escrevo. Às vezes, olho ao meu redor e não vejo nada, o comum dia-a-dia, em outros momentos, enxergo tudo, as pessoas e seus trejeitos, as belezas do mundo que costumam passar despercebidas. Às vezes, penso ser uma pessoa centrada, com objetivos, e que com determinação os alcançará, então, repentinamente, me sinto perdida. Às vezes, creio saber quem sou, então, algo acontece e percebo que não, estava errada sobre mim mesma e sempre estarei, me surpreenderei a cada segundo, se criar uma definição para mim.
Procuro sorrir sempre que penso no que fui, mas por vezes, não sou capaz de fazê-lo. Pergunto-me como gostava de certas coisas, como falava inutilidades, como era capaz de agir de certa maneira, mas sei que, na época passada, tudo aquilo parecia fazer sentido.Assisto a cada dia nascer um novo alguém, um alguém que só vou conhecer daqui muito tempo, quando parar para pensar em quem era.
A cada decisão que tomo, a cada música nova que ouço, a cada pessoa que conheço, a cada palavra que escuto, mudo uma mínima coisa em mim. E de mínimas coisas se faz um ser inteiro.
Certas vezes, pego-me assistindo fitas antigas, olhando fotos e buscando achar aquela doce menina que vejo em mim. Busco a inocência, busco o sorriso, busco a felicidade, busco o olhar, busco a pequenez, mas nunca fui capaz de encontrá-la. É como se assistisse ao vídeo de outro alguém querido que se foi, uma daquelas pessoas que você daria tudo para ter mais um dia junto, não sou eu mesma. Sinto saudades de quem fui, de quem, por vezes, nem lembro de ter sido, e sei que no futuro, sentirei saudades de quem sou, a pessoa que antes que eu seja capaz de perceber terá partido.
Se algum dia, alguém me perguntar quem sou, saberei o que responder. Olharei fundo em seus olhos e direi: “Pergunte-me amanhã.”
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Férias.
Assim como eu esperava, não pude escrever nos dias que se seguiram ao início de minha viagem. Talvez não tenha sido persistente suficientemente. Ainda assim, estranhamente, não senti uma grande vontade de escrever, foram poucos os meus momentos de iluminação.
Voltamos para casa amanhã.
Além dos três estados e várias cidades adicionadas a lista de lugares que conheci, levarei outros pontos destas férias comigo.
É completamente esquisito estar dentro do próprio país observando uma realidade extremamente diferente da que vivo. Vi favelas, pessoas pobres, casas devastadas com as recentes enchentes, crianças trabalhando sob o sol forte.
Poderia me ater a essas partes tristes ou simplesmente falar das muitas belezas, em sua maioria naturais, que vi aqui, mas não vou.
Apesar de toda a pobreza, não há tristeza. O povo nordestino é alegre e claramente orgulhoso de sua terra.
Fomos a Maragogi, nos sentamos num belo restaurante e fizemos o famoso passeio até as piscinas naturais. Quando voltamos, o restaurante estava pronto para fechar, éramos os únicos clientes.
Um garçom começou a conversar e contar-nos de sua terra, mencionou as muitas praias da região, os lugares que conhecia, os caminhos para chegar no litoral. Falou por um bom tempo. Sei que se tivéssemos deixado-o falar, ele poderia ficar ali por horas, com os olhos brilhando.
Morando numa cidade de interior do sul do Brasil, não estou acostumada a ver favelas e as más condições de vida da população, mas vejo todos os dias vários mendigos, pessoas que me assustam somente por seu cheiro e sujeira e que em algumas vezes estão drogados. São pedintes, que não percebem ou não fazem uso de suas condições físicas para trabalhar.
Não vi nenhuma dessas pessoas aqui. Todos estão dispostos a fazer alguma coisa, buscar seu sustento diário. Fazem artesanatos, pintam azulejos, vendem alimentos nas praias, cuidam de carros, são pessoas sofridas, mas vivem. Vê-los me faz reavaliar todas as vezes em que me revolto por minha situação, sem perceber que tenho tudo.
Além dos meninos que constantemente nos abordam nas ruas para “mostrar seu trabalho”, um homem me chamou atenção: caminhava por toda a orla da praia com dois mostruários, um para bijuterias e outro para brinquedos. Aparentemente, um vendedor ambulante comum, mas havia uma diferença: ele não tinha uma perna. Não estou procurando expressar nenhum tipo de preconceito aqui, principalmente porque creio não tê-lo. No sul, ao menos onde moro, não ter uma perna ou ser aleijado é motivo suficiente para sentar-se na calçada, esticar o braço e alegar um enorme sofrimento e incapacidade.
Todas as pessoas deveriam conhecer o povo nordestino. Todas as pessoas deveriam ser tão felizes quanto eles, ostentando ou não melhores condições de vida.
Para terminar, contarei uma outra história, provavelmente a que mais me impressionou. Fomos à Olinda (amei a cidade e todas as maravilhas arquitetônicas antigas) e por um acaso encontramos um guia turístico, uma homem da região, pobre provavelmente. Perguntamos quanto cobraria, sua reposta foi simples: “Desde obrigado a um milhão eu aceito.”
Passei naquele lugar provavelmente a tarde mais interessante da viagem. O homem tinha um enorme conhecimento sobre a história da cidade, do Brasil e dos monumentos. Esta foi a prova final. A condição social de um homem não significa que ele não será uma pessoa culta, uma boa pessoa. As barreiras entre as classes podem ser ultrapassadas, ou talvez, elas nem mesmo existam. Pagamos ao homem por vontade própria, por puro merecimento.