sábado, 18 de dezembro de 2010

Ensinamentos

Fomos ensinados, ou aprendemos em nossas conversas e vasta experiência de vida alheia, que nem tudo pode dar certo, que jamais seremos bons em tudo ou satisfeitos plenamente conosco. Fomos preparados para desapontamentos, mas o coração mole nos atrapalha, porque nem nisso conseguimos ser bons. Fomos ensinados a fazer o melhor, quando a recompensa, por vezes, não virá, quem sabe somente a conquista pessoal. Fomos ensinados a rezar todas as noites, pedindo por um mundo melhor, mas as palavras pré-determinadas voam de nossas bocas sem qualquer tipo de atenção e o egoísmo nos domina. Fomos ensinados tantas coisas, nos fizeram acreditar que éramos imponentes. Mas depois mostraram-nos as falhas e fizeram com que essas se sobressaíssem, fizeram-nos incapazes. Fomos ensinados que não existia a perfeição, e então nos falaram de Deus. Por fim, acho que sempre estaremos errados.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Consequências natas

Tenho frieza e amargura embutida em mim. Não importa o quanto tente me livrar delas, quando passo a acreditar em sua partida, elas voltam. Talvez seja nato, mas posso por um tempo, disfarçá-las, agir como os outros agem, apesar de existir uma tamanha repugnância dentro de mim.

Tendo a não gostar de ser próxima das pessoas, compartilhar as partes íntimas de minha vida, e por isso quero dizer, quem realmente sou, os poucos segredos que guardo, e por vezes, afastar aqueles que gostam de mim.

Não sou extremamente aberta, não falo com estranhos como se fossem amigos e jamais digo eu te amo a alguém se não tiver certeza disso (a não ser algumas vezes por educação, digo, por retribuição). Posso parecer grossa, sincera, estranha, sem personalidade. De fato, talvez seja um pouco.

Tenho um código comigo mesma: não digo oi a desconhecidos ou pessoas a quem não sou próxima, limito-me a um olá. No fim, não significa nada, mas me faz sentir melhor, é como se me guardasse para mim mesma, ou àqueles, que realmente merecem. Além disso, nomes carinhosos ou comentários inconvenientes vindos de desconhecidos são capazes de me fazer odiar alguém ainda que não o conheça, ao invés de elogio, são uma ofensa.

Cultivo as mesmas amigas há anos, quem sabe quando era menor fosse mais amigável, ou talvez ainda seja amiga das mesmas pessoas por comodidade, medo de sair conversando com estranhos, procurando alguém semelhante.

Quando alguém novo se aproxima, afasto-o, ou ao menos, demoro a familiarizar-me. Passei um ano em uma nova escola e posso contar nos dedos os novos amigos que fiz, depois de um longo período de conhecimento, é claro.

Sou um pouco amarga e fria. Afasto as pessoas, não sou simpática ou interessante. Vivo num mundo introspectivo que me diverte, e na maioria das ocasiões, me deprime. De fato, admitir todas essas verdades arrepia-me. Minha tristeza ocasional é baseada nelas e em suas conseqüências.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Para as criadoras de boas memórias

(vulgo, amigas)

Venho a contar-lhes que perdi a esperança. Que meus olhos foram abertos, não por vocês, não pelas situações de outras pessoas, mas pelo meu coração.

Lembro-me dos velhos tempos, da teórica perfeição que ele guardava, da nossa felicidade. Desejei profundamente regressar, lembrar das risadas por motivos bobos, dos choros de pré-adolescentes e loucuras inspiradas por coca-cola. Sei que vocês sabem a que me refiro. As noites, as reuniões, as confissões. Talvez aqueles fossem os melhores tempos de nossas vidas, ao menos de nossa amizade.

Não quero dizer que esse elo acabou, de fato, ainda existe. Mas percebo a cada dia que se ameniza. Poderia atribuir isso às vezes que as desaponto, ou o contrário, quando falamos uma besteira e por mais que perdoemos, a mágoa estará bem no fundo, guardada. Somente não acho certo fazê-lo. Crescemos de maneiras diferentes, amadurecemos todas, mas cada uma a sua maneira. Ainda há bons momentos que compartilhamos, mas são cada vez mais escassos. As melhores conversas são aquelas que falamos sobre lembranças de infância.

Passei anos acreditando que tudo seria para sempre e será. A amizade, qualquer dia desses, quando nossos caminhos deixarem de se cruzar, partirá. Mas ficarão as memórias dos bons tempos, das boas amigas, as terei guardadas sempre em meu coração.

Não prometerei olhar uma foto nossa todas as noites, ou lembrar todos os dias de como fomos. Mas sei que, por mais que não com tanta freqüência, os momentos em que pensar em vocês, seja por contar uma história a meus filhos, ou ver garotas de 12 anos se divertindo no shopping enquanto tomo um café sozinha, serão felizes. Rirei sozinha, recordarei do jeitinho peculiar de cada uma que conquistou minha amizade, desejarei que vocês estivessem ali comigo. Talvez que as garotas que fomos estivessem ali comigo, quem sabe, nossas memórias bastassem.

Entendam que não generalizo essa idéia, há certas pessoas que continuarão em minha vida, me farão felizes e sei que essas saberão quem são. Mas há outras que abandonarei, minto, o tempo abandonará.

A esta(s), saiba foi muito importante para mim. Que as lágrimas compartilhadas não foram em vão, significaram muito e jamais contarei sobre elas. Se quiseres me deixar, faça-o, percebo que no ponto em que chegamos isso se faz inevitável. Somente peço-lhe, que assim como eu, esqueça os últimos tempos, os tristes, lembra das alegrias, deste elo apertado que formávamos, que faz as lágrimas de meus olhos escorrerem e que deixará resquícios. Resquícios que me farão estar de braços abertos para tê-la de volta, para consolar-te, por mais que inicialmente fique brava ao fazê-lo. Resquícios, que chamo agora, lembranças.

PS: Se deixei de falar a todas e passei a falar utilizando tu, foi porque deixei meus pensamentos sós me levarem, falarem para quem quisessem.

sábado, 20 de novembro de 2010

Sozinha.

Esses são os dias em que acredito em mim mesma, em que me sinto independente de todos, digo, de seus pensamentos. Basta olhar dentro de mim, basta perceber que sou dona do que penso e faço, manipular-me a acreditar nas boas coisas, ser Pollyana por alguns instantes.

E por um momento sentir-me bem, esquecer dos arredores, dos loucos que me olham, em minha visão jamais eu serei a louca. Sorrir para o nada, para os pássaros, desconhecidos, quando de fato, sorrio para mim mesma.

Apreciar as pequenas coisas, ainda que ninguém possa compartilhar isso comigo, alegrar-me ao escutar uma música ou quando cometo minhas usuais catástrofes. Encontrar um amigo e contar todas as besteiras de minha cabeça ou a um desconhecido, sem esperar que me compreenda.

Acreditar que sou alguém interessante, ao menos a mim mesma, ser capaz de me surpreender com meus bons atos.

Descobrir que as melhores conversas, as melhores pessoas são aquelas que não esperamos que sejam, que escondem-se sob a timidez ou falam infinitamente sem revelar-se.

Ser uma boa amiga quando pedem para que seja, possuir minhas crenças, acreditar que elas são a verdade, tentar escondê-las sem a necessidade de convencer alguém a escolher os mesmos caminhos que eu.

Aceitar as diferenças, sem precisar mudar, escolher os semelhantes, rir ao lado deles e fazer deles minha companhia.

Trocar informações, conhecer novas culturas e pessoas. Não depender de outros, andar sozinha, então, antes que perceba estarei cercada de boas pessoas.

E no fim, tudo se resume a mim mesma: a meu desejo de sorrir e de ser feliz. A minha luta para fazê-lo acontecer.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Planos para 2090

Quando completei sete anos, chorei desesperadamente porque acreditava envelhecer. De fato o fazia, mas era somente o início do processo. Demorei algum tempo para perceber que, considerando uma longa vida, tenho, com muito otimismo, mais 80 anos para viver.

Uma mínima parte vivi da minha vida, mas parece a mim, tão significante. Conheci tantas pessoas, fiz tantos amigos, vivi períodos de alegria, de solidão, de tristeza, de risos constantes, de saudades.

Tenho consciência do enorme período a viver, alguns poucos planos, metas e sonhos. Confesso que sou nova demais para definir uma vida, mas adquiri certos valores que me instigam a imaginar o futuro.

A começar, por formar-me em direito na USP. Ao sair, não sei ao certo o que quero fazer, concurso talvez seja uma boa opção, mas já foi um grande passo escolher um curso, aguardemos para que venha o seguinte.

Gosto de viajar, conhecer novos lugares e pessoas, falar línguas e comunicar-me. Há algum tempo, considerei ser diplomata, mas existe dentro de mim os sonhos que se sobrepõe a minha vida profissional.

Nasci em uma família maravilhosa, constituída a partir de amor e união. Devo tudo a ela, se sou uma boa pessoa, foi pelos exemplos, tudo que aprendi, de certa forma, ela me ensinou. Fez-me sonhar em algum dia formar a minha própria família, ocupar um lugar diferente, casar, ter filhos, netos e histórias para contar.

Desejo viajar o mundo ou as boas partes dele, conhecer os cinco continentes e o meu país. Ajudar as pessoas, ajudar a mim mesma. Das pequenas coisas, escrever um livro e jamais usar dentadura. Cozinhar para meus netos quando os tiver e deixá-los fazer da minha casa o local de alegria. Mimá-los, assim como meus filhos, ao máximo. Aprender a tricotar, apesar de acreditar que em minha velhice, não o farei, ao invés, lerei infindáveis livros.

Com toda a minha inexperiência e bobeira adolescente, acredito que todos os meus sonhos se realizarão, que raras vezes me desapontarei e o farei com as pessoas, que serei capaz de perdoar e amar, que sempre terei um plano, saberei o que fazer e, acima de tudo, acredito que viverei, ao menos, mais 80 anos.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Ímpeto

Passeiam alegres com seus sentidos aprisionados em uma coleira. Fingem ser boas pessoas, talvez sejam. Mas há esse ímpeto a extravasar, deixar o mundo desabar sobre eles para sentir a dor, desejando somente sentir algo real. Controlados, homens de razão.

Sonham em fazer as loucuras secretas que não permitem que habitem sua mente, limitam-se a aceleração do coração, aos sorrisos, ao suor indesejado. Provavelmente a culpa não é de um homem, é de todos os homens, da sociedade, do mundo que determinou o que seria correto e a podridão, o errado.

Talvez tenha realmente sido o fruto de Eva, talvez seja inato. Talvez seja uma condenação, triste assim, morreremos sem realizar as bobas vontades pela consciência da vida após esta, viveremos escondidos sob o fardo das boas famílias, das boas imagens. Tendendo ao otimismo, talvez seja um desafio, encarar a vida, superar obstáculos, superar nós mesmos.

Somos incapazes de criar uma definição real para o que somos, somos segredos de nós mesmos. É a voz que não possuímos, mas habita nossos pensamentos, contradizendo tudo o que pensamos, impedindo-nos de sermos completamente virtuosos.

Os fortes são capazes de guardar a dúvida, fazer dela a certeza. Os fracos deixam-se dominar pelo ímpeto, pela curiosidade até que a origem, o controle desapareça totalmente, morrem precoce e erroneamente ou salvam-se, voltam ao estado original deteriorado, sem a tentação, pois já a podem julgá-la, é má, creio eu, nunca senti-a.

Pois como ser inexperiente, prefiro manter-me na certeza, controlar-me e ignorar instintos. Agir de acordo com a Lei do mundo, que chamo minha lei. Dessa forma, ao final, poderei dizer que fui forte, virtuosa, vencedora.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Caro amigo,

Sempre odiei pessoas que tratam desconhecidos como se fossem pessoas íntimas, mas em razão do momento que compartilhamos, venho a chamar-lhe amigo, querido, meu bem. Não me atrevo a chamar-lhe amor, não por desconfiança minha, mas pelo temor que lhe faça sentir desconfortável.

Sento-me à mesa de um bar, sozinha como em todas as noites de sexta feira, bebendo minha gim tônica, escrevendo loucamente, inspirando-me no comportamento das pessoas: os risos forçados das moçinhas carentes e as cantadas enferrujadas dos homens de meia-idade que deixaram as esposas em casa. Imagino o que falam, o que pensam. Uma paixão intensa, um amor para vida inteira. Um caso insano, uma noite memorável.

Fico presa as batidas de meu coração. Escuto-as. Tic. Toc. É como um relógio, qualquer dia, a pilha acabará e bem, não poderei trocá-la. As lágrimas da solidão, ou de efeito do álcool em minha corrente sanguínea, começam a escorrer no instante em que você decide mudar minha rotina.

Senta-se na mesa ao lado com a moça dos olhos verde esmeralda. Jura que a ama. Diz que qualquer dia desses a pede em casamento, por que não saem escolher alianças? Seu sorriso aos poucos desaparece. São dolorosas as palavras que saem dos lábios cor de cereja. Ela diz que o ama, mas passou o tempo da paixão. Propõe a amizade. Você permanece tão estático quanto eu, vidrada em sua conversa. Perdoe-me por torturá-lo ao repetir esta triste cena. Ela se levanta e o abandona, prometendo ligar. Assisto formarem-se rugas entre seus olhos, claramente, para segurar o choro, que ao momento em que a garota sai do bar, se faz inevitável. As lágrimas escorrem por suas bochechas avermelhadas, seu lábio treme.

O que a discussão que ouvia tinha feito partir, agora voltava com maior intensidade, eu chorava pelos mesmos motivos bobos de todas as madrugadas e por você. Nossos olhares embaçados se cruzaram. Encarei-lhe sem a usual vergonha. Enxerguei sua alma de menino ingênuo. Senti meus pensamentos serem despidos em sua mente. Sentou-se a minha frente. Talvez você buscasse por consolo de uma desconsolada, talvez uma amiga a quem contar, talvez alguém para substituí-la. Eu nada buscava. Quem sabe um personagem, uma história para contar.

Os poucos minutos que passei a sua frente sem ao menos uma palavra dita foram os mais sinceros de toda minha vida. Todas as lágrimas escorridas significaram nada, minto, significaram a verdade. Não creio que você seja minha cara metade ou que algum dia seremos bons amigos. Você curou minhas lágrimas por misturá-las as suas, ensinou-me que jamais estarei sozinha, nem que minha companhia seja um estranho em um bar. Espero ter feito o mesmo por você. Espero que a garota dos olhos verdes perdoe-lhe ou que você ache alguém melhor que ela. Quanto a mim, também espero por alguém que me ajude a escrever minha própria história, ainda que saiba que ninguém me proporcionará um momento tão profundo quando aquele.

Levantei-me e saí com os olhos secos.

Com carinho e agradecimento,

A estranha amiga, se é que posso assim chamar-me.



PS: Tudo não passa de ficção, voltei ao tempo das histórias.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Por tudo e por todos.

Me bate uma estranha vontade de desmanchar-me em lágrimas. Chorar pelos meus erros, pelos dos outros. Pelas vezes em que não perdoei, pelas vezes em que não fui perdoada. Pelas pessoas que me tratam mal e correm a mim quando precisam, por aquelas que, por ventura, conscientemente ou não, magoei. Pela raiva que sinto das ações alheias que resultam em uma enorme dor, minto, lágrimas como as de agora, dentro mim. Pelas vezes que fiz outros chorarem.
É como se fosse tudo condensado, os meus males, das pessoas, do mundo. Choro pelos que morrem de fome, pelos tristes abastados.
Vivo neste mundo de injustiça, de mentiras que conto a mim mesma, de fingimento de tudo o que sinto. Dizem que há a luz no fim do túnel. Mentem. A luz está em pequenos espaços dentro do túnel, vai e volta, sorrimos e choramos. Ando no escuro. Talvez ela esteja no fim do túnel, se isso significar a morte.
Por Deus, para onde fugi? Estava no paraíso, caí. Espero não ter chegado ao andarênc mais baixo. Estranho-me. Escrevo desesperadamente em busca da cura. Em busca de respostas ou talvez, de novas perguntas. Espero que as barbaridades de minha cabeça vazia de utilidade saíam rapidamente. Que deixe de ser a estranha que habita dentro de mim. Que chegue a luz.
Corroe-me. A estupidez danada. Atinge meu coração, até tomar todo o meu cérebro, somente esquece minha consciência, para que possa transformá-la em lágrimas e dor.
Perdoem-me por tudo o que disse. Salvem-se, antes que todas as besteiras de minha cabeça os atinjam.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

(Quase) uma história de amor

Lembro-me de quando te conheci. De meus olhos famintos por aquele sentimento que ali começava, da insegurança que sentia, dos dias que imaginei como a pessoa que ocuparia seu espaço seria. Dos meus risos forçados, dos arrependimentos seguintes pelas palavras esquecidas e pelas ditas, de admirar sua beleza. Da saudade que senti da simplicidade dos tempos passados e do meu rápido esquecimento sobre ela ao ver-te rir. Das palavras meigas e envergonhadas, da aceleração de meu coração, da certeza ao assistir o brilho de seus olhos acender. Seria errado dizer que já te amava, não, somente sabia que um dia o faria. Parece-me estranho: este dia chegou. Percebo que preciso de você ao meu lado para me escutar e fazer sorrir. Tarde demais. Sei que te amo pelas lágrimas que escorrem em meu rosto pálido e aterrisam sobre seu corpo frio e imóvel.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Eleições

Não sou eleitora. Gostaria de ser. Mas concordo que diante de minha tamanha imaturidade e desconhecimento sobre a política brasileira não poderia ser uma eleitora.

Assisti a alguns debates, propagandas políticas e li reportagens. Mas não sei viver o momento atual analisando os benefícios políticos que o governo está me causando, nem posso compará-los com os de tempos atrás. Posso ter uma idéia do que é bom para o país, mas não experiência suficiente para saber se estou correta. Envergonho-me ao entrar em discussões sobre política e usar os argumentos que várias vezes escutei serem falados por pessoas próximas.

Não sei quais as necessidades das escolas públicas, nem do SUS, confesso que nunca os utilizei. Pouco sei sobre o pré-sal e às inúmeros problemas ambientais brasileiros. PAC para mim é o posto de saúde de minha cidade. Estimo o valor do salário mínimo, não sei dizer se é pouco ou o quanto seria adequado. Desconheço quais os impostos cobrados e que percentagem. Quanto às estradas, não sou motorista, sei da decadência, mas o que o governo tem feito para corrigi-las não sei. Sei dos escândalos de corrupção, mas não procurei ir a fundo neles. Conheço as promessas dos presidentes, não sei o que é viável e o que não é. Sei que alguns jamais se elegerão e por justa razão, o socialismo é utópico, assim como o salário mínimo de 2000 mil reais e a isenção de impostos para o pobre e a cobrança absurda para o rico. Os problemas de educação, saúde, da população em geral, acredito que sejam mais importantes do que os do meio ambiente, lamentavelmente não creio que esta candidata será eleita. Sei que o poder de compra aumentou, que tudo está melhor no momento atual, mas somente prometer a continuação sem proposta alguma, não me é suficiente.

Os programas eleitorais tem me divertido, os candidatos estranhos, com voz de radialista, monocelha, propostas ridículas ou com palavras erradas. É isso que a campanha eleitoral foi para mim. Sou completamente ignorante. Contudo, sei que minha ignorância pode durar mais algum tempo. Envergonho-me por não saber sobre a política brasileira atual. Envergonhem-se ainda mais aqueles que votarão sem conhecer. Pois eu sou apenas uma criança, sem direito de votar ou de ser presa, não compete a mim decidir o futuro da nação e consequentemente, o meu.

PS: Este texto foi escrito antes do 1º turno. Já não é a minha ignorância o maior problema, mas sim a dos candidatos, que nada mais fazem além de acusarem um ao outro. Agora, nenhum dos candidatos me agrada, contudo, ainda assim: votaria SERRA 45 ( a Dilma e o jeito frio de falar dela me dão medo).

domingo, 24 de outubro de 2010

Trilha sonora

Quando era pequena, adorava as músicas da Eliana. Também gostava de Xuxa, Angélica e É o Tchan. Mais tarde, passei a escutar Sandy e Junior. Vamos Pular, Lua de Cristal e mais uma centena de músicas. Evolui a fase Felipe Dylon e Forfun. Ouvia todas as músicas que minha irmã adorava, inventava combinações de sílabas para cantar as em inglês, trocava as palavras em português. Escutei somente música sertaneja. Amei ABBA. Cheguei onde estou hoje.

Confesso que inúmeras vezes sentei frente a este computador, tentei arduamente escrever, precisava fazê-lo, mas as palavras me enganavam, saiam enroladas, sem nexo, perdidas, sozinhas. Precisava desabafar, mas fui incapaz de descobrir o que sentia. E então, busco por algo que me esclareça essa bagunça de meu peito, encontro as músicas. Falam aquilo que quero, mas não consigo. Escuto -as por tempos até que supero-as, compreendo-me.

As canções deixam de ser somente demonstrações aleatórias de uma bela voz e ritmo e se transformam em memórias. Fazem-me lembrar das fases de minha vida, das amizades, das pessoas, do que sentia. Há certas músicas que já não me agradam, mas ouvindo-as encontro dentro de mim a menina que as adorava e posso por poucos instantes sê-la novamente, voltar no tempo, chorar, sorrir, recordar.

Há tempos não mudo de gosto musical. Amo Engenheiros, algumas músicas sertanejas, Plain White T’s, Good Charlotte e outras internacionais.

Meu pai canta as músicas de seu tempo para mim. Receba as flores que lhe dou, Dominique, Sexta-Feira 13 e muitas outras. Ainda gosta delas. Não se transformou. Não compreendo porque as pessoas mais velhas se referem às músicas antigas como “do meu tempo”, se ainda estão vivas, se este ainda pode ser seu tempo.

Mamãe diz que não conhece novas músicas porque não tem o tempo necessário. Não creio que essa seja a razão. Quem sabe conforme as pessoas cresçam, amadureçam, já não precisem buscar uma maneira de compreender a si mesmos, sejam capazes de fazer isso sozinhos. Continuam ouvindo, ocasionalmente, as velhas músicas da mocidade, mas não como diversão ou por necessidade, somente como uma forma de lembrar das inúmeras incertezas que tiveram dentro de si.


PS:

Need you now - Lady Antebellum

Para minha irmãzinha: Como sempre, Hey there delilah - Plain White T's

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Feitos pra durar

Há certas coisas que são feitas para durar. Certas pessoas postas em nossas vidas que nos ajudam, nos fazem melhores, que nos conhecem tão bem quanto nós mesmos, nos fazem sorrir, ensinam-nos boas coisas, compartilham aquilo que sentem, possuem o ombro para chorarmos e que amamos. Essas pessoas se tornam uma pequena parte de nós, porque nos parecem imprescindíveis.

Quando disse-lhe que certas coisas são feitas para durar, não disse que elas durarão. A vida é imprevisível, assim como todas as pessoas e como nós mesmos. A vida nos prega peças, talvez não a vida, talvez nós mesmos, talvez outras pessoas, somos ingênuos o suficiente para deixá-las acontecerem. As pessoas e as grandes amizades se vão. Surgem novos amigos, novos momentos, novos sentimentos. Tudo muda em um piscar de olhos, ao menos é o que costumo acreditar. E se dentro de toda essa contradição dissesse que tudo continua ali, mas com muitas outras camadas sobre, escondendo aquele velho sentimento? Se cavarmos um pouco, podemos voltar aquela época, lembrar do que sentíamos, talvez senti-lo novamente, mas com certa dor, arrependimento, saudade.

Aquelas pessoas continuarão dentro de nós, quem sabe não como são hoje, mas como foram, ficarão os bons momentos, as boas lembranças. Talvez se as encontrássemos novamente seriam completos estranhos, mas alguma parte dentro de nós, saberia ver aquela velha pessoa, procuraria sua presença e ficaria feliz de encontrar um pequeno traço dela. Depois de um certo tempo para acostumar-se ao desconhecido, conversaríamos por longas horas, riríamos dos velhos tempos e de tudo o que fizemos, contaríamos o que nos acontece no momento, mas sem confessar-lhe nada, contar detalhes e sentimentos, afinal, perdemos aquele grande elo, ele foi guardado.

Fazer o coração acelerar ao se lembrar do quão bom tudo aquilo foi, derramar lágrimas por não poder tê-lo novamente, agradecer pelas pessoas que agora estão em nossa vida.

No fim do dia, eu não mudaria nada, deixaria todos aqueles que se foram, irem. Lembrar dos velhos tempos é bom, ter novas amizades é bom, até mesmo sentir saudades pode ser bom. Bom desde que saibamos que o outro também a sente. É bom acima de tudo, por sabermos que este sentimento estará guardado em nosso peito para sempre, como uma lembrança. Afinal, de uma maneira ou de outra, aquele laço que um dia tivemos foi feito para durar.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O chá derramado

Paira a xícara sobre o chá já derramado. Tudo ali junto, as inseguranças, os medos, os tantos defeitos, as qualidades, o pouco que aprendi e conheci. Derramaram-se, eu os derramei. A xícara vazia. Tudo o que devo fazer é limpar aquilo que já não mais pode me satisfazer, o líquido incômodo, e encher a xícara novamente. Escolher o melhor sabor de chá. Colocar dentro dela o que me faz feliz, o que quero, os muitos lugares a conhecer, as pessoas a entender, os sorrisos a serem mostrados, os bons amigos, os sonhos, o ideal de quem ser. Beber o chá calmamente, apreciar o sabor e me tornar tudo o que ali coloquei. Não devo demorar demais ou o chá esfriará, o sabor escolhido não mais me apetecerá, o terei desperdiçado, esquecido de tudo o que quisera quando preparei minha bebida. Mas acima de tudo, devo tomar cuidado para que não derrame o chá, pois se acontecer, demorarei até prepará-lo novamente, e nesse período, haverá a sede, o vazio da xícara e de minha alma.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Falta do olhar

Jamais me chamaria de viciada, confesso que não o sou. Sinto-me flutuando por isso às vezes. Todos tem essa dependência maior da internet, de passar noites e dias inteiros, de conversar infindavelmente com estranhos e conhecidos, pois bem, sou incapaz.
Não sou estranha o suficiente para não participar de redes sociais, possuo um perfil de orkut e um msn, mas se limita a isso: possuir. Não os utilizo com frequência, ocasionalmente, troco rápidos recados pelo orkut e quase jamais estou online.
Não posso desmerecer a Internet por toda a facilidade que me traz, todo o acesso a informação, compartilhamento de dados e tudo mais. Também não serei hipócrita em dizer que passaria bem se me tirassem-na. Creio que acostumaria, mas talvez fosse deste espaço que mais sentisse falta.
Entretanto, conversas e amigos virtuais não me agradam. Tenho este bloqueio. Mesmo meus melhores amigos parecem ser desconhecidos quando devo encarar a barrinha do mouse piscante para falar algo a eles. Fico quieta. É contraditório ao pensar no tanto de coisas que sou capaz de aqui escrever. Falta-me algo, talvez seja o meio comum. O que vemos sempre inspira assuntos, traz a tona acontecimentos. Ou talvez seja o pensar que me impeça. Analiso cada frase antes de escrevê-la, as diversas interpretações, odeio não saber qual será a reação do ouvinte, digo, do leitor.
Creio que deveria ter nascido em outros tempos. Há anos, quando não existia a internet ou a velha televisão, quando os romances não eram filmes com cenas prontas, eram a nossa imaginação posta a trabalhar em cima das inúmeras descrições dos livros de linguagem complicada, quando as velhas cartas eram o meio que unia as pessoas e nada era mais valorizado do que olhar fundo nos olhos de alguém e saber o que ela sente, sem que palavras precisem ser ditas.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Objetivo

Pela primeira vez ao preencher o gabarito do simulado, tive certeza do que marcar. Não me refiro as inúmeras respostas das complicadas questões, destas a certeza passou longe, mas ao escolher a área do curso que queria estudar. Sem hesitar, risquei firmemente o quadradinho escrito HUM, humanas. E creio que, de uma vez por todas, decidi.

Estudarei direito.

Coincidentemente, minha mãe foi a uma audiência hoje. Ela não é advogada, provavelmente se fosse, essa decisão não teria surgido tão tarde. Uma funcionária antiga entrou com processo exigindo uma quantia exorbitante de dinheiro por motivos inexistentes. Foi o suficiente para causar muitas noites de insônia a minha mãe, mas para a advogada foi somente mais uma causa pequena. Muitas vezes escutei minha mãe falar dela, Regina, se não estou enganada. Não a conheci pessoalmente, mas confesso que gostaria. Somente de escutar minha mãe falando, percebo que a advogada impõe certo respeito, é muito competente. Hoje, também mencionou o juiz, que com um acordo, resolveu o problema. Julgou corretamente, aplicou a justiça. A descrição que ela fez do ocorrido me fascinou.
À tarde, fiz um teste vocacional destes que encontramos em diversos sites. O resultado não diferiu do esperado: humanas, direito. Pus-me, então, a procurar sobre esse curso e o que um advogado faz. Encontrei um site interessantíssimo, destinado a estudantes e aqueles que pretendem estudar direito. Li uma série de textos intitulados "fazendo direito" sobre as diversas carreiras (e são muuitas mesmo) que podem ser seguidas.
São extremamente interessantes, julgar as pessoas me atrai tanto quanto defendê-las.
Em diversos textos, dizem que para estudar direito deve-se ler muito, mas não creio que isso será um problema. Quanto à gostar de leis e coisas assim, acredito que só descobrirei quando realmente entrar em contato com elas, mas me parece interessante as tantas interpretações e brechas que dentro de uma única lei se pode encontrar.
Motivei-me com isso tudo, procurei as melhores universidades de direito do país. Certamente, farei vestibular em diversos lugares, mas decidi que quero entrar na melhor: USP.
Não me agrada a ideia de morar em São Paulo, mas a ideia de estudar na melhor instituição do país me atrai imensamente.
Tomei a decisão que faltava.
Hoje foi um dia importante. Estudar direito deixou de ser um sonho, passou a ser um objetivo.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Invenção

Durante as nossas vidas conhecemos muitas pessoas, aquelas que passam, mostram-nos algo, mas são esquecíveis. Aquelas que marcam, ensinam-nos, são nossos amigos, com as quais criamos um sentimento e ainda que se vão, serão lembradas eternamente em nossos corações.

Quando penso em todas essas pessoas que conheci, sinto-me feliz. Entretanto, esqueço daqueles mais importantes em minha vida, não sei se de fato conheci-os. No momento em que tomei consciência de mim, eles já estavam ali, faziam parte de quem eu era.

Creio que fui uma boa anjinha. Fiz tudo certo lá no céu. Então, recebi a graça de vir para o melhor lar que poderia imaginar.

Faço parte de algo grande, algo além dos olhos humanos, algo que não sei se outro ser humano já sentiu igual. Não é grande em tamanho, mas é imensurável em união, o que o faz imbatível. É este sentimento maior. Os seres humanos costumam chamá-lo de amor, mas eu já não sei. Chamam de amor aquilo que sentem por um animal, por um amigo, por um desconhecido. Se desta forma é o amor, não posso chamar nosso elo assim. Talvez devessem inventar um novo sentimento. A sensação de infinito, de união, de amor, sim, mas mais do que isso, de felicidade, de silêncio, de doação, de guarda, de carinho, de crença, de indestrutibilidade, de perfeição.

O infinito o faz maior do que qualquer outra coisa, do que qualquer um de nós. A união é que nos faz invencíveis, faz o melhor surgir da junção de um pedacinho de cada um de nós. O amor, para que não deixemos de fora o tão falado sentimento, se dizem ser grande, pequena parte desse novo sentimento será. De felicidade, pois juntos não há tristeza que nos derrube. De silêncio, pois não sabemos como descrevê-lo, sentimo-lo e isso basta. De doação, entregaríamos nossa vida por aquele ao nosso lado. De guarda, unimo-nos, lutamos contra qualquer mal que tente atingir um, pois assim machucará a todos. De carinho, daqueles bons dias em tudo o que precisamos é a presença deles ao nosso lado. De crença, acreditamos um nos outros, não importa o que nos digam ou façam, por mais difícil que seja, tentamos admitir nossos erros e corrigi-los, falar a verdade e acreditar nela como a base. De indestrutibilidade, esse elo que é formado não pode ser quebrado nem pelo maior mal, que é pequeno diante da grandeza desse sentimento. Dentro do conjunto de nossos defeitos, da compreensão deles, da união das qualidades, de tudo aquilo que mencionei, surge a perfeição. Não a perfeição individual, mas do todo, do sentimento.

Somos um pacote fechado. Onde está um, o outro junto estará, ainda que somente dentro de nossos corações. Somos seres independentes dentro da mesma caixa. Nosso invólucro é aquele sentimento indestrutível descrito acima, que deixa, nesse instante, de ser somente o que sentimos e passa a ser aquilo somos: família.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ambiguidade

Todos estranhos, já não mais os conheço, são somente peças de um passado perdido.

Eis algo esquisito o tempo, não o tempo por si só, mas tudo o que ele é capaz de tirar-nos, de levar junto a si ou tudo o que ele é capaz de trazer.

No fim das contas, ele é o malvado e o benfeitor.

Olhando a várias fotos, sinto saudades daqueles bons tempos, daquelas pessoas que viviam ao meu redor, de quem elas eram. Mas não devo viver de passado.

Carpe diem.

Aproveite o dia. Confesso que foi sempre difícil para mim isso. Não lamentar-me pelo o que passou. Conformar-me e seguir em frente. As coisas mudam, se alguém se vai, outro o substitui, é teoricamente perfeito. Mas sobram alguns espaços em branco, que estarão sempre esperando aquele que se foi. Resta-me pensar sobre o futuro. Nunca penso no presente.

Conheci tantas pessoas novas, mudei, tenho vivido diferentemente, falado sobre diversos assuntos, rido mais, escrito mais, sonhado mais. Estou feliz, confesso.

Há de vir novamente o tempo, dessa vez meu inimigo. Porque fará tudo isso passar? Deixe-me aproveitar mais alguns instantes, descobrir mais algumas coisas, conhecer mais algumas pessoas, ler mais alguns livros bobos, passar mais algumas noites acordada, sorrir pelos motivos errados mais uns instantes.

Talvez o culpado não seja o tempo, seja o que eles nos faz. Crescemos, é inevitável. Amadurecemos. Nos tornamos adultos com preocupações e conversas sobre o mercado de trabalho. Quem sabe quando eu chegar lá, isso me faça feliz.

Tenho essa dualidade dentro de mim. A parte que deseja que o tempo passe, que quer crescer, se formar, constituir uma família, ser mãe, avó, morrer e ter deixado minha marca. E a outra, que vive do passado e do presente, reza para que o futuro demore.

Luto contra o tempo. Luto a favor do tempo. Deixo que o tempo aja em mim. Ele deve saber o que faz, não deve? Pois bem, se não souber, arrisco a sorte. Rezo para que o tempo traga boas coisas. Se trouxer, implorarei para que ele demore a passar. E bom, se não trouxer, me contentarei sabendo que ele passa. No fim, o tempo é incontrolável, passará, levando consigo toda minha vida e substituindo-a por uma ainda desconhecida, queira eu ou não.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Procuro-me.

Nunca serei boa o suficiente. Não para mim mesma. Tenho passado por um período de revolta. Tudo o que faço, falo, penso e sinto me parece errado. Condeno-me por tudo o que faço. Tento punir-me, comprometer-me a não pensar mais dessa maneira. Mas de que adianta? Perdi o controle sobre mim mesma.

Nunca serei boa o suficiente para mim pois não sei o que é ser boa o suficiente, não sei o que se precisa para isso, enfim, não sei quem quero ser. Mais uma vez, martirizo-me por não saber. Quando vivo de um jeito, este parece completamente errado, escrevo textos desejando a mudança. E então, faço-a ocorrer, errei ao mudar. Volto ao que era, errei ao voltar. Nunca estarei certa.

Tenho vivido em meio a uma confusão de pensamentos. São tantos ao mesmo tempo, me perco em meio a eles. Cogitei estar louca, mas, claramente, continuo sã. Quis estar louca a fim de que tudo isso fosse justificável, mas não é.

O fato de não saber quem sou não é novo, sei disso há tempos e essa certeza talvez me deixasse mais segura. Mas o fato de não saber quem quero ser me assusta.

Me sinto bipolar, me sinto influenciável, sinto que quero ser ambas as coisas. Não posso, não quero querer.

Tenho que parar para reler tudo o que escrevo, porque são tantas ideias perdidas, as palavras saem automaticamente, como se tivessem vida própria, como se não as dominasse. Elas me dominam, preciso entendê-las, elas são minha bagunça.

Não me permito sentir-me feliz comigo mesma, nunca me permiti. Sempre tive como príncipio: “Há sempre algo a melhorar.” Sei que há, sempre haverá. Só gostaria que isso não me impedisse. Gostaria de ser uma daquelas pessoas com a permanente auto-estima elevada, que se crê linda e boa o suficiente. Sei que elas podem ser arrogantes, mas creio que saberia me controlar, utilizando a humildade.

Hoje, estava incomodando a mim mesma. Não somente minha voz, como de costume, mas minhas falas, minhas ideias, minhas ações. Desconheço a garota que fez tudo isso. Se incomodo um bom tanto a mim mesma, logo, outras pessoas não me suportarão.

Não quero sentir o que sinto, dizer o que digo, mando embora os tantos pensamentos. Estou perdida. Perdida de mim mesma. Devo ir me procurar, se algum dia me encontrar, volto e conto-lhe quem sou, quem quero ser, no que realmente acredito.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quando bate a saudade.

É como um ritual.Todas as vezes que saímos de Londrina, onde mora minha irmã, é triste. Descemos os quatro, eu, ela, meu pai e minha mãe até a garagem, ocasionamente acompanhados de seu namorado. Geralmente, papai carrega as malas no carro antes de descermos, mas sempre esquecemos algo no apartamento e temos que subir buscar, este algo costuma ser uma garrafa de água. Eu subo, contudo, as vezes minha mãe gosta de buscar junto a minha irmã, creio que ela acredite que aquele seja um momento íntimo de despedida. E então, finalmente nos preparamos para viajar. Meu pai dá o primeiro abraço, não muito longo. A mãe recebe o segundo e eu o terceiro. Entro no carro e papai posiciona o carro para partirmos, mamãe sempre precisa de mais um apertado abraço. Minha Irmã chora quando não sabe precisamente quando nos veremos novamente. Os olhos da mãe também se enchem de água, de vez em quando, isso acontece comigo, mas luto para escondê-lo, não sei porque motivo. Partimos em silêncio. São poucos os comentários feitos, apesar das inúmeras tentativas de minha mãe, uma conversa nunca se constitui. Durmo, escuto música. Telefonamos a minha irmã na metade do caminho.

Chegamos em casa de noite, não gosto desta parte. É estranho entrar no lugar que sempre vivi, que tão bem conheço e sentir-se uma estranha em meio ao vasto silêncio. Não poderia, nesse instante, chamar de lar. A casa parece imensa para somente três pessoas, vazia. E é aí, que percebo. É o pior momento de todo o tempo que fico sem ver minha irmã, por mais que faça pouco tempo após nosso último encontro.

É como se ela faltasse no quarto do lado, se eu esperasse a cada palavra dita um de seus comentários, como se o clima escuro da casa pudesse ser quebrado somente com sua presença. É quando bate a saudade. Lágrimas molham meu rosto.

Essa palavra sempre me perturbou, tão certa, tão triste. Saudade. Creio que não exista em tantas outras línguas para mascarar junto a outros o terrível sentimento. Não posso descrevê-lo. Há o nó na garganta, há o desejo da pessoa, há a falta, há a dor.

Mas estranhamente toda essa saudade que sinto as vezes é boa. É uma prova. Saudade é sempre uma prova de amor, porque ela não existiria sem o afeto.

Sempre que me acontece alguma coisa, tenho a necessidade de ligar para minha irmã e contar-lhe. Falo muito tempo com ela pelo telefone. Mas não posso ver seu rosto, identificar suas feições, ver a roupa que está vestindo, perguntar o porquê de ela estar fazendo algo extremamente simples que jamais mencionaríamos em uma conversa telefônica.

Preciso de sua presença, não posso tê-la. Preciso de consolo, mas sei que ela precisa muito mais. Todos precisam. E assim nos consolamos juntos nos maravilhosos e curtos dias, os quais passamos fingindo que a enorme distância não existe e que nunca chegará a hora de partir.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O homem lá do céu

Às vezes, gosto de pensar que tenho o controle. Não me atrevo a pensar em ter o controle do mundo ou das pessoas, somente me faz sentir bem acreditar que tenho o controle de minha vida, uma completa mentira.
Há certas coisas que não posso escolher. Em realidade, posso fazer planos de tudo aquilo que quero, esforçar-me, mas fazer acontecer não é somente responsabilidade minha. É uma escolha que alguém toma por mim.
Acabo de assistir um filme sobre um lugar em que não existem mentiras, mas somente um homem descobre como fazê-lo e então, salva a humanidade. Inventa o "homem lá do céu", aquele que faz todos os desastres acontecerem, mas também faz as coisas boas, o dono da eternidade.
Acredito que seja esse "homem lá do céu", em nossos dias conhecido como Deus, aquele que escolhe tudo o que acontece. Aquele que tem o controle de minha vida, da das pessoas, do mundo.
Tudo tem uma explicação, por mais difícil que seja enxergá-la, por pior que ela seja.
Ocasionalmente, nos acontecem fatos que parecem o fim do mundo, injustificáveis, os quais nos fazem nos questionar o que estamos fazendo de errado para que o "homem lá do céu" fizesse o desastre em nossa vida, até mesmo, somos capazes de perder a fé Nele. O tempo passa, talvez não percebamos, mas crescemos um pouco com aquela queda que Deus nos proporcionou, levantamos com um pouco mais de facilidade do que da última vez. E assim sempre será.
Questiono-me o porque após grandes tragédias perdemos a fé e antes dela oramos e cremos em tudo aquilo. É fácil pedir, mas, por vezes, somos incapazes de ver que o que pedimos não é o certo, que não fará bem para nós. Rezamos muito orações prontas, como o "Pai Nosso", provavelmente a mais comum. Mas esse ato se torna automático, já nem pensamos no que dizemos e antes que percebamos saem de nossas bocas as palavras: seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. Pedimos para que Ele escolha para gente, para que nos guie pelos bons caminhos.
Temos o direito de pedir para que Ele faça algo por nós, mas não o de culpá-Lo por não tê-lo feito. Entretanto, não é sempre fácil enxergar. Foram tantas as vezes em que não compreendi, em que xinguei-O, em que perguntei o porquê. Então, assisti o tal filme e algo me ocorreu. "O homem lá do céu" vê tudo de cima, com diferentes olhos, vê as tantas possibilidades que temos em nossa vida e tenta nos guiar pelas corretas. E aí vem a parte sobre a qual nós temos o controle, escolher seguir os conselhos Dele ou não. Temos o livre arbítrio. Há sempre atalhos ligando os dois caminhos, o do bem e o do mal, sempre há o perdão. Contudo esse sempre limita-se a nossa vida terrena, devemos escolher o caminho aqui para segui-lo eternamente, pois uma vez que estivermos do outro lado, acabar-se-ão as ligações entre os caminhos.
Tudo é complexo demais, no entanto, jamais tenho dúvida da veracidade de tudo isso, somente acredito. Se por um acaso, "o homem lá do céu", Deus não existir, não ficarei triste ou desapontada, contentarei-me em saber que a fantasia em que acreditei me fez feliz, fez de mim uma boa pessoa.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Torre da vida

Depois de muito esforço, já não mais alcançava o topo da torre de lego.
Por algum motivo, esse foi um episódio que me marcou. Ocorreu na minha época de infância deprimida, estava sozinha, digo, sem minha fiel companheira e irmã e construí, a torre, que a meu ver era gigante.
Fiquei extremamente feliz ao chegar ao final, não diria que terminei-a, pois ela somente estava maior que eu, inalcançável naquele momento, mas ainda assim era maravilhosa. Creio que algum dia, cresceria mais um pouco e poderia colocar algumas outras peças acima.
Desta forma acredito que seja a vida: uma torre.
Construímos a vida com cuidado, a cada vitória colocamos um andar a mais em nossa torre, ficamos um pouco mais felizes, mas ela nunca estará completa, sempre haverá mais uma peça que possamos adicionar.
Construí a torre com muito cuidado. Escolhi peça por peça, combinei as cores, os tamanhos e os encaixes, demorei muito tempo para fazê-lo, confesso que foi extremamente difícil, mas não houve problema: minha torre ganhou altura.
Em nossa vida, lutamos para conseguir aquilo que queremos, fazemos o que for necessário, demoramos muito tempo, sofremos. Nossa única motivação é a vitória, é conseguir, não importa o que venha antes, se for necessário estudar, estudamos, se for necessário abster-se, nos abstemos, com cuidado nos preparamos para fazer a torre crescer. Enxergamos ao longe: a peça que iremos adicionar. E sim, conseguimos.
Lembro-me que várias vezes enquanto construía a torre, ela desmoronou. Por vezes, quase desisti de construí-la, mas havia sempre os restos, as poucas peças que ficaram unidas e tudo o que tinha que fazer era juntá-las novamente.
Às vezes, tentamos fazer algo e falhamos. Tudo parece estar acabado: as esperanças para que sejamos felizes e tenhamos o que quisermos novamente. Mas então, percebemos o quanto já lutamos, percebemos que todo o esforço feito não foi em vão, podemos tentar quantas vezes quisermos, pois um dia conseguiremos.
Naquele dia, olhava para cima e tudo o que queria era fazer aquela torre crescer ainda mais.
E assim vivo a minha vida: sonhando sempre em crescer, em minhas vitórias futuras, em meus objetivos.
Porque um dia, assim como cresci e hoje, com o auxílio de uma escada poderia fazer minha torre infindável, acredito no que quero. Com auxílio de outras coisas ou sozinha, sei que sempre conseguirei, sempre poderei acrescentar mais uma peça a minha torre.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ao tempo em que nada nos dividia

Creio que tenho as mesmas amigas desde que nasci.
Talvez tenha exagerado um pouco, mas o que quis dizer, é que minhas amigas são de longa data.
Estudei a vida inteira num mesmo colégio, onde conhecia todos, todos me conheciam e vivia, ao menos em teoria, harmoniosamente. E ali, fiz minhas melhores amizades.
Assim como toda longa amizade, as minhas passaram por várias fases. Quando era muito nova para discernir quem eram aqueles que pareciam comigo, era amiga de todos, até mesmo das pessoas para as quais olho hoje e tudo o que faço é indignar-me como possivelmente elas tenham sido minhas amigas.
Mas com o tempo tudo isso passou, fechamos nosso "clubinho", como gostávamos de chamar. Creio que na segunda série, até mesmo fizemos carteirinhas do Clube Boneco de Neve, onde havia três membros, minhas duas melhores amigas, as chefes, e eu, que com muita honra exercia o cargo de zeladora. Foram tempos difíceis, me sentia perdida.
Tudo evoluiu, dentre as pessoas com quem já estudava a anos, outras garotas se tornaram mais próximas. Passamos pela fase "Clube das Winx", quando nos críamos sermos fadas, cada uma era uma personagem.
Éramos em cinco, ocasionalmente, entrava uma nova menina, mas não permanecia. Somente mais tarde houve uma sexta.
Acreditávamos em toda aquela baboseira de amigas para sempre.
Mais uma vez, contarei que o tempo passou. Houve a primeira garota a ficar com um menino, e de repente, havíamos, por mais assustador que fosse, crescido.
Falarei agora de tempos recentes. No ano passado, três das meninas mudaram de escola. Foi triste. Era chato estar em poucas na escola, já não tínhamos nossa "panelinha".
Aos poucos fomos perdendo o contato. Eu conversava com a minha melhor amiga e com outra das que havia mudado. A terceira eu raramente via.
As garotas que mudaram de escola, inevitavelmente, fizeram novas amigas. Eu, somente, estreitei os laços com a sexta menina. Enfim, o ano passou.
Mudei de escola também, voltei a estudar com minhas antigas amigas.
No ínicio do ano, confesso que tinha alguma esperança, muito pequena, de que tudo voltasse a ser o que era. Não voltou.
Mas não, não pense que isso foi algo terrível. Conheci as amigas que minhas amigas haviam feito, garotas legais, mas de certa forma me sentia substituída.
Rompemos o grupo.
A japonesa, minha melhor amiga, já não fala com outras duas, que passaram a sair muito e falar de garotos, mudaram bastante, mas no fundo, ainda se percebe a essência das velhas garotas: uma empolgada e escandalosa (no bom sentido) e a outra tímida e querida. Vamos chamá-las de populares.
A loira, conhecida por ser bonita, de garota tímida e extremamente preocupada com aparência, passou a tentar ser "cool", provavelmente tenha conseguido, veste-se com tênis largos contrastando as belas blusas apertadas. Passa todo o tempo da escola com garotos, diz ter uma maior afinidade e divertir-se com eles.
A sexta menina é tímida, não fala muito, mas é a melhor ouvinte, passa a maior parte do tempo com o grupo da japonesa, a qual é despreocupada e continuaa sendo exatamente a garota que curte esportes de outros tempos. Neste grupo, fala-se sobre coisas sérias ou divertidas, mas no fundo as meninas não se expõe.
No meio dessa história toda, estou eu.
Passo grande parte do tempo com o último grupo, converso muito, falo bobeiras.
Ocasionalmente, estou com a loira e com os garotos, talvez ela esteja certa, eles são divertidos.
Sento perto das populares, falo muito com elas e suas amigas, que possivelmente, se tornaram também minhas. Além dos poucos assuntos sérios, ouço as histórias de paixonites, depressões por não terem um namorado ou empolgações por arranjarem um. Aconselho.

Apesar de minhas amigas terem se distanciado uma das outras, eu estou com todas.
Certa noite, nos reunimos, como nos velhos tempos. Passamos a madrugada acordadas, rimos muito, como se nada tivesse mudado.
Já não vivo lamentando porque nunca voltaremos a ser o grupo feliz e, supostamente, inseparável.
Vivo, agora, agradecendo por ter cada uma de minhas amigas, estejam elas juntas ou separadas. Sei que apesar de tudo, posso confiar em cada uma delas.
Posso dizer que tenho as mais diferentes e melhores amigas que se pode ter.



segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Inevitável

Não compreendia. Até acontecer comigo.
Quando era menor costumava rir das pessoas que choravam ao assistir dramas, ou ler livros, ou ouvir certas músicas, mas, antes que eu percebesse, tinha me tornado uma dessas pessoas. Só que agora não era capaz de rir de mim mesma.
Ontem, estava assistindo a um filme, um drama, o marido da mulher morre e o filme circula em torno de ela superá-lo, ele tenta ajudá-la, deixando cartas. É um filme muito conhecido, e que, na minha opinião, todos deveriam assistir.
Não sei quantas vezes já o assisti, em todas elas, chorei.
Minha mãe assistia junto comigo, e de repente, eu a vi quase aos prantos. Eu também chorava, discretas lágrimas.
Não sei até onde choramos por causa de um filme, creio que talvez as lágrimas não estejam relacionadas somente a história que nos está sendo contada e sim, a aplicação dessa história ou de uma situação semelhante a nossa realidade.
Morte.
São sempre sobre morte os tristes dramas.
Não sei, por vezes, creio que não tenho (ao menos, não muito) medo de morrer. Sim, sei sobre o que falam do incerto, tenho consciência de que não se sabe o que há depois desta vida, mas decidi por acreditar no Paraíso, decidi acreditar na existência de um Deus salvador.
Contudo, talvez meu maior medo seja de perder aqueles que amo. É difícil pensar sobre isso, imaginar uma vida sem eles, quando esses devaneios me vem a cabeça, costumo dizer a mim mesma que tudo é besteira, que não devemos pensar na morte. Então, vem alguém e me diz que devemos estar sempre preparados.
Perdi as contas das noites que acordei assustada, ou extremamente agoniada, por ter sonhado que as pessoas ao meu redor morriam. É sempre triste demais.
A primeira pessoa próxima que perdi foi minha avó, confesso ter sido ruim, não gostava que falassem dela pois traz a memória e tudo o que você então pensa é: ela está morta. Mas com o tempo tudo isso passa, eu comecei a lembrar das boas coisas, das más coisas, de quem ela realmente foi. Mas há momentos em que lembramos, em que vemos sua foto ou um velho vídeo e, inevitavelmente, choramos.
Pergunto-me: e se perder alguém ainda mais próximo?
Não sei.
Foram muitas as vezes em que parei para pensar e de certa forma, pedir para que as pessoas que eu amo fossem eternas. Impossível.
Não gostaria de viver para sempre, só gostaria de tê-los ao meu lado enquanto vivo.
Inúmeros também foram os dias, digo, inúmeros são os dias, em que penso e sei, que se fosse preciso daria minha vida por qualquer um daqueles que amo. Infelizmente, não é tão fácil.
Alguns dias, poucos confesso, desejo morrer nova, para não ter de sofrer sobre a morte de meus queridos. Mas, então, percebo que então eu os estaria fazendo sofrer sobre minha morte e já não desejo.
Seja quando for, eu morrerei, os que amo morrerão, você morrerá.
Dói pensar.
Então, surge a única resposta, não, ela não fará doer menos, ela só nos dará esperança de reencontrarmos todos, de vivermos novamente. Basta acreditar, basta ter fé.


sexta-feira, 30 de julho de 2010

Você?

Chega um dia no qual você percebe que está cansada. Cansada de ouvir histórias de amor, amizade, aventura de outras pessoas. Cansada de ter de guardar segredos alheios. Cansada de opinar a respeito de coisas que você crê entender, mas no fundo, nunca viveu.
Até aquele dia tudo estava bem, você tinha seus princípios, criticava outras pessoas por fazerem coisas estúpidas, e de repente, nasce dentro de você uma ponta de esperança de um dia ser uma dessas pessoas e percebe que talvez o que elas faziam não era tão errado assim, afinal.
Mas é tarde demais. Você já ocupa o posto de ouvinte, não tem histórias para contar, não tem segredos, até tem, mas os guarda para você. Você tem vontade de mudar isso todos os dias, ir, falar, escrever sua própria história, mas há algo que impede.
E sabe qual o pior de tudo? Você não pode simplesmente pedir para aquelas pessoas que você tantas vezes ouviu e aconselhou o que fazer, porque você não está acostumado a isso, lida com as próprias dores, se sentiria mal fazendo-o, por maior que seja sua confiança nelas.
Você deseja mudar, mas como? Você continua frequentando os mesmos lugares, com as mesmas pessoas, não faz novos amigos. Aliás, talvez isso seja porque você tem dificuldades em se relacionar com novas pessoas, precisa adquirir confiança nelas.
Em alguns momentos, você acredita que há algo de errado com você, que você é horrível ou extremamente chata, questiona-se o que os outros pensam.
Você fala bastante com as pessoas que conhece bem, mas nunca sobre si mesma. Já escutou as pessoas te chamarem de fria, dizerem que você é fechada e que há uma grande barreira que separa seu interior de seu exterior, crêem que você sofre com isso. Por mais difícil que seja acreditar, talvez haja ali um fundo de verdade. Mas você não está disposto a mudar isso, provavelmente não seria capaz, gosta de pessoas que também parecem ser assim.
E o que você faz?
Acorda todos os dias dizendo a si mesma que este será o dia da mudança, em que você fará tudo acontecer. Chega a noite e você se consola por não ter tido coragem suficiente, dizendo que haverá outros dias. Cria falsas esperanças.
Busca esclarecer, encontrar as respostas sozinha. De uma forma ou de outra você precisa desabafar, se não conversando, cantando, desenhando ou escrevendo.
Pararei de fazer isso: escrever me dirigindo a "você". Sei que mais uma vez não tive coragem de falar dos meus sentimentos como meus. Fiz um rascunho de tudo isso e depois de pensar muito, fui capaz de publicar isso.
Não fiz nenhum progresso. Corri para meu refúgio das palavras, onde me sinto segura, desabafei para mim mesma tudo aquilo que conheço tão bem.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

No fim, lembranças, motivos para sorrir.

E ali estava eu, tremendo o queixo e com lágrimas escorrendo novamente. Não, nada de triste estava acontecendo, só assistia o vídeo de algo muito feliz, minha festa de 15 anos.
É estranho como pode ter passado tão rápido e ainda assim ter sido um dos melhores dias de minha vida.
Certo dia, escrevi sobre como temia que aquele dia virasse somente uma lembrança dentre muitas outras. Hoje, vejo que estava errada. Não deveria ter temido. É uma lembrança feliz, que todas as vezes que passa por minha cabeça não consigo me impedir de sorrir e ao assistir o vídeo, lembrei de cada detalhe e não me arrependo de ter feito.
Minha mãe e meu pai sempre falam a respeito de como a vida passa e sobre o que levaremos conosco, sempre acreditei em tudo isso, mas nunca tinha-o sentido, esta foi a primeira vez. Fiquei feliz ao assistir por saber que aquele dia para sempre estará comigo, assim como todos os bons momentos que tenho.
Saímos, viajamos, comemos boas coisas. Não digo que se deva esbanjar, gastar todo o dinheiro somente para ter bons momentos, mas ainda assim, devemos fazê-los acontecer.
Posso contar-lhe sobre as viagens que fizemos em família, as para lugares longes e famosos, como para os Estados Unidos ou aquelas para lugares mais perto, mas em ambas adquirimos conhecimento, nos divertimos de uma maneira única.
Não se trata somente de fazer boas coisas, divertimentos, se trata de fazer com pessoas que nos fazem sentir bem, se trata de conquistar as pessoas. Certamente, quando ajudamos alguém, não é com a única intenção de fazer aquela pessoa se sentir bem, mas também a nós. Talvez não aparentemente, mas com essas ações, passamos a acreditar que somos boas pessoas.
Desejo chegar no fim de minha vida, não acreditando que esteja acabando, mas sabendo que todas as pessoas a quem poderia ajudar, ajudei, que todos os lugares que poderia visitar, visitei, que todos os bons momentos que podia ter vivido, vivi e que todos aqueles que poderia ter feito felizes, fiz.
Desejo chegar ao fim da vida e sorrir pela última vez, depois de já tê-lo feito incontáveis vezes. Desejo chegar ao fim da vida e agradecer por todas as oportunidades que aproveitei.
Desejo chegar ao fim da vida e ensinar, poder falar para as pessoas que vivam como vivi, pois fui muito feliz.
Desejo chegar ao fim da vida e lembrar da frase que minha mãe tantas vezes me disse: "E não faça as coisas para ver?", e saber que fiz tudo o que pude.
Desejo chegar no fim da vida e não ter arrependimentos de como vivi.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Quem sou eu?

Certo dia, parei para me fazer a mesmíssima questão, aquela que está constantemente em nossa cabeça, para a qual nunca acharemos uma resposta, ou talvez saberemos responder, mas a cada dia a resposta será diferente.

Estamos em constante mudança.

Às vezes, tenho vontade de sorrir, em outras, necessidade de chorar. Às vezes, olho para mim mesma e me contento, com minha aparência, com minha personalidade, outras vezes, sinto-me um lixo. Às vezes, amo imensamente alguém, e no instante seguinte, por mais que brevemente, odeio-a. Às vezes, sinto vontade de comer doce, e então, como se este já não fosse suficiente, preciso voltar ao salgado. Às vezes, sinto vontade de escrever, me sinto bem fazendo-o, em outros momentos, lágrimas escorrem quando escrevo. Às vezes, olho ao meu redor e não vejo nada, o comum dia-a-dia, em outros momentos, enxergo tudo, as pessoas e seus trejeitos, as belezas do mundo que costumam passar despercebidas. Às vezes, penso ser uma pessoa centrada, com objetivos, e que com determinação os alcançará, então, repentinamente, me sinto perdida. Às vezes, creio saber quem sou, então, algo acontece e percebo que não, estava errada sobre mim mesma e sempre estarei, me surpreenderei a cada segundo, se criar uma definição para mim.

Procuro sorrir sempre que penso no que fui, mas por vezes, não sou capaz de fazê-lo. Pergunto-me como gostava de certas coisas, como falava inutilidades, como era capaz de agir de certa maneira, mas sei que, na época passada, tudo aquilo parecia fazer sentido.Assisto a cada dia nascer um novo alguém, um alguém que só vou conhecer daqui muito tempo, quando parar para pensar em quem era.

A cada decisão que tomo, a cada música nova que ouço, a cada pessoa que conheço, a cada palavra que escuto, mudo uma mínima coisa em mim. E de mínimas coisas se faz um ser inteiro.

Certas vezes, pego-me assistindo fitas antigas, olhando fotos e buscando achar aquela doce menina que vejo em mim. Busco a inocência, busco o sorriso, busco a felicidade, busco o olhar, busco a pequenez, mas nunca fui capaz de encontrá-la. É como se assistisse ao vídeo de outro alguém querido que se foi, uma daquelas pessoas que você daria tudo para ter mais um dia junto, não sou eu mesma. Sinto saudades de quem fui, de quem, por vezes, nem lembro de ter sido, e sei que no futuro, sentirei saudades de quem sou, a pessoa que antes que eu seja capaz de perceber terá partido.

Se algum dia, alguém me perguntar quem sou, saberei o que responder. Olharei fundo em seus olhos e direi: “Pergunte-me amanhã.”

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Férias.

Assim como eu esperava, não pude escrever nos dias que se seguiram ao início de minha viagem. Talvez não tenha sido persistente suficientemente. Ainda assim, estranhamente, não senti uma grande vontade de escrever, foram poucos os meus momentos de iluminação.

Voltamos para casa amanhã.

Além dos três estados e várias cidades adicionadas a lista de lugares que conheci, levarei outros pontos destas férias comigo.

É completamente esquisito estar dentro do próprio país observando uma realidade extremamente diferente da que vivo. Vi favelas, pessoas pobres, casas devastadas com as recentes enchentes, crianças trabalhando sob o sol forte.

Poderia me ater a essas partes tristes ou simplesmente falar das muitas belezas, em sua maioria naturais, que vi aqui, mas não vou.

Apesar de toda a pobreza, não há tristeza. O povo nordestino é alegre e claramente orgulhoso de sua terra.

Fomos a Maragogi, nos sentamos num belo restaurante e fizemos o famoso passeio até as piscinas naturais. Quando voltamos, o restaurante estava pronto para fechar, éramos os únicos clientes.

Um garçom começou a conversar e contar-nos de sua terra, mencionou as muitas praias da região, os lugares que conhecia, os caminhos para chegar no litoral. Falou por um bom tempo. Sei que se tivéssemos deixado-o falar, ele poderia ficar ali por horas, com os olhos brilhando.

Morando numa cidade de interior do sul do Brasil, não estou acostumada a ver favelas e as más condições de vida da população, mas vejo todos os dias vários mendigos, pessoas que me assustam somente por seu cheiro e sujeira e que em algumas vezes estão drogados. São pedintes, que não percebem ou não fazem uso de suas condições físicas para trabalhar.

Não vi nenhuma dessas pessoas aqui. Todos estão dispostos a fazer alguma coisa, buscar seu sustento diário. Fazem artesanatos, pintam azulejos, vendem alimentos nas praias, cuidam de carros, são pessoas sofridas, mas vivem. Vê-los me faz reavaliar todas as vezes em que me revolto por minha situação, sem perceber que tenho tudo.

Além dos meninos que constantemente nos abordam nas ruas para “mostrar seu trabalho”, um homem me chamou atenção: caminhava por toda a orla da praia com dois mostruários, um para bijuterias e outro para brinquedos. Aparentemente, um vendedor ambulante comum, mas havia uma diferença: ele não tinha uma perna. Não estou procurando expressar nenhum tipo de preconceito aqui, principalmente porque creio não tê-lo. No sul, ao menos onde moro, não ter uma perna ou ser aleijado é motivo suficiente para sentar-se na calçada, esticar o braço e alegar um enorme sofrimento e incapacidade.

Todas as pessoas deveriam conhecer o povo nordestino. Todas as pessoas deveriam ser tão felizes quanto eles, ostentando ou não melhores condições de vida.

Para terminar, contarei uma outra história, provavelmente a que mais me impressionou. Fomos à Olinda (amei a cidade e todas as maravilhas arquitetônicas antigas) e por um acaso encontramos um guia turístico, uma homem da região, pobre provavelmente. Perguntamos quanto cobraria, sua reposta foi simples: “Desde obrigado a um milhão eu aceito.”

Passei naquele lugar provavelmente a tarde mais interessante da viagem. O homem tinha um enorme conhecimento sobre a história da cidade, do Brasil e dos monumentos. Esta foi a prova final. A condição social de um homem não significa que ele não será uma pessoa culta, uma boa pessoa. As barreiras entre as classes podem ser ultrapassadas, ou talvez, elas nem mesmo existam. Pagamos ao homem por vontade própria, por puro merecimento.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Vacaciones!

Por poucos dias usarei este blog como um diário, não porque estou precisando contar os milhares de eventos interessantes de minha vida, mas porque estou de férias, viajando. Contarei as minhas férias de acordo com o que minha irmã permitir, pois ela costuma monopolizar o computador para conversar com o namorado.
A viagem começou ontem, quando saímos de casa e nos dirigimos até Londrina, a cidade na qual embarcaríamos. Paramos para almoçar no shopping em Maringá e ali passamos longas e cansativas horas.
Fomos dormir tarde, pois o computador ligado faz todo o sono ir embora.
Acordamos as 4 horas da manhã, mas increvelmente não estava cansada. Isso mudou assim que embarquei com destino a Curitiba, tentei dormir, mas não encontrei a posição correta (odeio as poltronas apertadas da Gol). Morri de frio em Curitiba. Mas o resto da viagem foi bom, consegui, finalmente, dormir.
Chegamos em Recife já de tarde. Apesar de cansar muito, adoro viajar de avião, fazer muitas conexões e me sentir chique por frequentar aeroportos, mesmo que seja somente na área de voos domésticos.
Não consegui entender Recife ainda, pois só passamos nas áreas próximas do aeroporto, que devo dizer, me desagradaram, tudo o que percebi foi a enorme diferença entre o nosso sul querido e este nordeste, cheio de pobreza, cheio de pessoas felizes.
Viemos direto à Porto de Galinhas.
Talvez meus olhos estivessem muito cansados para enxergar a famosa beleza do lugar.
Com dificuldade, encontramos o hotel reservado, não é ruim, contudo sei que poderíamos estar em algo melhor, de frente para o mar, isso fez todos estressados, exceto meu pai que insistiu imensamente por esse lugar.
Saímos caminhar na praia, tudo deveria parecer perfeito, o sol estava para se pôr sobre o mar azul. Poderia ser uma daquelas felizes cenas de final de filme, em que os personagens correm na praia, vestindo roupas e com os calçados nas mãos, se divertindo imensamente, uma música alegre soa, na minha versão da cena essa deveria ser "Wouldn't it be nice". Mas não foi tão perfeito assim. Caminhamos devagar, sorrimos, observamos os lugares nos quais poderíamos estar, todos os hotéis meus conhecidos virtuais.
Tomamos uma água de coco, na vila. De acordo com meu pai, o lugar é rústico, mas não fui capaz de ver essa beleza. São somente lojas comuns de praia, com pessoas simpáticas ofencendo-nos passeios.
Já era tarde, (ou não, mas aqui anoitece muito cedo), e voltávamos pela praia, de repende foi-se o dia e a escuridão instalou-se. Escutamos tantas coisas ruins que ocorrem nas escuridões desertas, que confesso ter sentido um pouco de medo.
Jantamos na vila. Sou uma pessoa extremamente sensível, ou talvez não seja essa exatamente a palavra, mas tenho muito dó das pessoas, e aqui esses míseros sofredores são muitos. Um garoto, deveria ter seus 6 anos, passou e ofereceu-se para mostrar seu trabalho. Não sei o que ele fazia, mas nenhum trabalho deve ser realizado por uma criança como aquela.
Talvez pelas tantas cenas que vi hoje, talvez pelo cansaço, ou talvez não se explique, ver aquele garoto me trouxe um nó na garganta. Enfim, poderia discorrer sobre como por um breve momento tive o instinto de ajudá-lo e no seguinte, uma imensa vontade de chorar, mas já disse muito sobre hoje.
Espero acordar amanhã com outros olhos, abertos as belas paisagens, abertos as simpáticas pessoas, abertos o suficiente para perceber a sorte que tenho em estar aqui.


ps: provavelmente desistirei de escrever até o final da viagem, pois me sinto mal em atrapalhar as alegres conversas de minha irmã e ela saber que estou escrevendo.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Anônima

Quando você decide postar um texto em um blog você tem opções. Primeiro, você escreve e o texto fica salvo como rascunho, você pode ou não publicá-lo.
Confesso que possuo muitos rascunhos salvos em meu blog, textos que não fui capaz de escrever ou não tive coragem de publicar.
Hoje, olhando esses antigos rascunhos, decidi publicar um, faz algum tempo que escrevi, precisamente no dia 25/05, mas não publiquei-o. Então, aqui está:

Tentei inúmeras vezes escrever a respeito do porquê de ninguém até hoje saber da existência desse blog e não consegui, talvez porque eu mesma não saiba. Acredito que tenha medo de mudar a forma que escrevo, por causa do que vão pensar. Não que eu seja uma pessoas muito influenciável ou que se preocupe muito com a opinião alheia, mas me importo ao menos um pouco. Penso que me julgarão.Gostaria de tornar o blog conhecido, mas não como meu, como um qualquer, assim não ficaria me perguntando o que estão pensando de mim e somente, da garota que escreve. É como falar em público. Tenho facilidade para isso, mas prefiro falar a desconhecidos do que a pessoas que conheço, mas que não são próximas. Talvez não goste de escrever se outros souberem.Até hoje, venho escrevendo este blog para mim, como se fosse um diário, pessoal. Nunca escrevi diário, por medo que alguém lesse (não sei porque, nunca tive muitos segredos). Então certo dia, ano passado, minha irmã mostrou-me o blog de uma amiga e resolvi criar o meu, sempre gostei de escrever e aqui estava uma oportunidade de pôr meus sentimentos, meus textos, minhas histórias a público. Sempre fui uma pessoa fechada, por isso passei a buscar a escrita para contar. Aqui eu poderia fazer isso e "divulgar" meus textos, não somente nos velhos cadernos em que antes escrevia. Talvez eu torne este blog público. Talvez conte as pessoas. Sei que provavelmente, me sentirei triste depois disso, pois poucos serão aqueles que lerão. Não sou a garota mais popular e nem gostaria de ser, mas gostaria de ser valorizada pelo que escrevo, digo, falo, faço, por mais que as vezes isso pareça um orgulho extremo. Se você lê ou está lendo esse texto ou os outros, saiba que está me fazendo muito feliz. Saiba que gosto do fato de não conhecê-lo. Gosto de ser anônima.

Contei a respeito deste blog para minha irmã, contradizendo tudo o que disse acima. (provavelmente, só ela (você, no caso) lerá isso.)
Estranhamente, não me sinto mal por ter contado, posso continuar a escrever. São raras as vezes nas quais estou escrevendo em que me questiono: o que ela pensará? (como agora)
Mas ainda assim, creio que não poderia contar a todos.
Confio totalmente em minha irmã, talvez seja isso que me tenha feito contar a ela.
De certa forma, me fez sentir bem. Mas há sempre um outro lado. Ela, geralmente me elogia, mas há sempre a insegurança, e se não for real? Há o sentimento, ele nos cega.
Talvez eu mantenha a opinião do texto, talvez não conte a ninguém.

Postado por Anônima.


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Happy Wondering.

Decidiu não convocar Ronaldinho Gaúcho.
Decidiu não tirar de jogo Felipe Melo.
Não, não vim falar das tantas besteiras que Dunga fez e culpá-lo (mas sim, em parte considero sua culpa) pela desclassificação brasileira.
Certamente, nos tensos minutos finais da partida e após ela, várias vezes ele se questionou como seria se tivesse feito diferentes escolhas. Não posso afirmar que se arrependeu de suas decisões, mas certamente, lamentou-se por não tentar as outras opções.
Uma escolha pode mudar um futuro inteiro, uma vida inteira.
Vestibular, todas as pessoas devem escolher a onde candidatar-se e caso sejam aprovados em mais de um lugar decidir onde estudar. Por ser próximo de mim, usarei o exemplo de minha irmã. Sua primeira grande decisão foi estudar fora da cidade no 3º ano do ensino médio, para se preparar melhor, se ela não tivesse ido, teria passado? Então, foi aprovada para a segunda fase de duas universidades que seriam no mesmo dia, teve que optar. Escolheu uma e foi aprovada. Hoje, crê que foi a melhor escolha que poderia ter feito, certamente, se tivesse escolhido o outro lugar não teria conhecido todos os bons amigos, o namorado, não estaria tão feliz. Ou estaria? É algo que para sempre ficaremos na dúvida.
No exemplo dela, a outra opção deixou de ser importante, hoje já nem é lembrada, pois com a escolha que fez tudo deu certo. Mas não é sempre assim, voltamos ao ponto: e se Dunga tivesse convocado Ronaldinho Gaúcho? Nunca saberemos. Nos lamentamos, mas o resultado poderia ter sido o mesmo, ou poderíamos ter conquistado o hexa, quem sabe?
Uma escolha, um rumo, um futuro.
Certa vez, enfrentei uma briga na escola e estava pronta para sair dali, o lugar que eu tinha estudado a vida inteira. Fui ao outro colégio, peguei a matrícula, comprei o uniforme, mas na última hora, desisti. Até hoje me pergunto o que teria acontecido, quantas pessoas novas conheceria e talvez guarde dentro de mim um certo arrependimento por não tê-lo feito. Mas então, um ano se passou e novamente, passei pela angústia da dúvida pelo mesmo motivo, contudo dessa vez, tive muito tempo para pensar e decidi realmente mudar. Fiquei com medo, não sabia o que aconteceria, sim, estaria com minhas amigas, mas ao redor de muitos desconhecidos. Nunca me senti tão ansiosa como no primeiro dia de aula. Mas, hoje, digo a todos, foi a melhor escolha que fiz. Os desconhecidos se tornarão amigos, ou ao menos bons colegas de classe, o colégio provou ser melhor que o anterior, a situação fez-me mais feliz.
Há uma música do Good Charlotte, que diz:
"If you don't wanna say anything at all,
I'm happy wondering"
Sim, ele está feliz imaginando o que ela teria dito. Assim, como quando tomamos decisões que resultam em boas coisas, nos contentamos em imaginar como teria sido, mas não molestando-nos por isso, como uma curiosidade. Quando fazemos as escolhas erradas, que nos fazem infelizes, imaginamos o que teria acontecido, sempre arrependendo-nos e pensando no como teria sido melhor.
Penso se não tivesse mudado de colégio, o que teria acontecido? Provavelmente, continuaria a mesma monotonia na qual tudo era antes ou talvez mudasse, mas quer saber? I'm also happy wondering.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Alérgica

Tenho muitas alergias: sou alérgica a determinados alimentos, corantes, maquiagem, esmaltes, perfumes e outras coisas que sou incapaz de lembrar ou mesmo desconheço.
Contudo, amo comer a maioria das coisas que me dá alergia.
Creio que certas vezes, algumas pessoas sejam como esses alimentos que me dão alergia.
Amo-os imensamente, tenho necessidade de estar ao redor, mas ao mesmo tempo, quando estamos juntos brigamos muito, me magôo, mas, claro, como se tomasse meus milagrosos remédios antialérgicos (também amo o Desalex), supero, e estranhamente, esqueço do que aconteceu e vou comer aquilo que me dá alergia de novo, estar com aquela pessoa novamente, lembrando-me somente do quão bom é ou poderia ser, esquecendo das consequências.
Ocasionalmente, como aquilo que sou alérgica, e crio dentro de mim, uma grande esperança de que nada me aconteça, de que não surjam feridas, de que eu não precise tomar remédio, mas são poucas as vezes em que não me desaponto. Não desisto, sei que um dia as alergias irão embora.
Mamãe diz que quando crescemos as alergias se vão, talvez porque nosso corpo as supere ou acostume com o que nos dá alergia e logo esta não exista mais. Da mesma forma com aquelas pessoas, talvez criemos uma maior maturidade e deixemos o bom sentimento ser superior às brigas.
Há algumas semanas, nas quais sei que vou comer ou fazer coisas que me darão alergia, então, tomo continuamente o remédio que faz elas sumirem ou passo pomadas como prevenção e dessa forma posso comer o quanto quiser daqueles alimentos, passar muita maquiagem e ainda assim, nada acontecerá, porque antes que a alergia aconteça eu lidei com ela, então tudo o que sinto é o prazer de comer aquilo, sem consequência.
Com as pessoas, as vezes, preparo-me, para que não ligue para as provocações, evitando as brigas, fazendo a amizade prevalecer.
Na maioria do tempo, juro que odeio minhas alergias, que elas me deixam mais feias, com o rosto avermelhado, mas há alguns momentos, poucos, devo admitir, em que, de certa forma, gosto delas, porque fazem parte de mim, são como uma identificação, uma característica única, seja ela boa ou não. Assim como há momentos, em que ignoramos todas aquelas usuais brigas que nos separam, e contamos segredos, damos risadas, nos divertimos: somos grandes amigos.


sábado, 26 de junho de 2010

Nó na garganta

Eu sinto quando está para acontecer.
Há tempos não sentia, há tempos não acontecia. Estranhamente, essa semana, duas vezes, percebi que estava para acontecer e salvei-me.
Costumava ser muito comum, todos os dias, todas as semanas, em alguns dias mais forte, em outros mais fraca. Até eu aprender a lidar. Aprendi como livrar-me quando sinto que vai acontecer, então, as más sensações cessaram.
Não poderia definir o que me acontece, nem o que o causa. Acreditava ser uma enorme agonia ou tristeza, mas então deparei-me com a palavra angústia, e talvez seja exatamente isso o que sinto. Fecho-me. Foi com essa sensação que descobri o que é o famoso nó na garganta. Não sou capaz de falar. Fico indiferente, em um estado de tristeza comigo mesma.
Não sei o que o desperta. Quando era menor, isso geralmente me acontecia em meio a multidões. Hoje, também acontece quando sinto que agi errado, que falei coisas que não deveria, quando alguém me corrige.
Aprendi a diagnosticar-me. Ninguém percebe quando estou no meio de uma dessas crises, pois costumo ser uma pessoa que não fala muito, mas nesses momentos sou incapaz de falar, talvez perca minha vitalidade, se é que a tenho. Se deixo o sentimento evoluir, sei que demorarei muito tempo para passar por ele, possivelmente, chorarei, por mais que em grande parte dos casos, não saiba exatamente o porquê.
Quando uma palavra é dita, uma ação é feita, já não se pode retirá-la. Talvez isso me faça triste, principalmente quando os outros reconhecem o que fiz. Não saber como agir também me deixa na mesma situação.
Quando sinto que está para acontecer, busco pessoas, busco palavras amigas, não, não falo nada do que sinto, por mais estúpido que seja o que me dizem, me conforta. Talvez seja porque me sinta querida. E aos poucos, sou capaz de opinar e então, quando percebo, superei.
Costumava acreditar, que não conseguia curar-me sozinha, precisava de outras pessoas. Mas agora vejo que não. Estava no meio de uma crise. Não estou completamente bem ainda, ainda não estou pronta para sair dando grandes gargalhadas, mas de uma maneira ou de outra, escrever isto me ajudou. Sinto-me melhor.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Equilíbrio

"A vida é muito importante para ser levada à sério." Oscar Wilde.
Algum tempo atrás, comprei um estojo e nele estava escrita essa frase, a qual gostei muito. Perdoe minha ignorância, não sei quem foi Oscar Wilde, provavelmente um filósofo ou um pensador, não importa, estou certa de que foi um homem sábio.
A frase é contraditória, mas nos leva a pensar, ao menos foi o que fez comigo.
São tantas as vezes que escutamos pessoas falar a respeito de aproveitar a vida, não se preocupar, somente viver. Em certos pontos, creio que estão certas, então me questiono se aproveito realmente a vida.
Sou uma das melhores alunas da sala, estudo muito. Saio pouco, geralmente com minha família. Não vejo frequentemente meus amigos fora da escola. Compraria roupas legais, mas não teria onde usar, se tornariam, uma daquelas roupas que os antigos intitulavam "de missa". Não tenho um namorado, nunca tive. Passo boa parte do meu tempo livre em casa, assistindo filmes e seriados. Não costumo ficar bastante tempo no computador. Leio bastante.
Aparentemente, pareço ser uma pessoa triste, que não vive a vida. Mas este é só um dos vários pontos de vista.
Tudo tem um limite. Não levar a sério a vida é algo fantástico na teoria. No mundo real, se assim viver, logo "quebrará a cara", se tornará um drogado ou simplesmente sem dinheiro, sem uma carreira de trabalho, sem uma família.
Realmente sou tudo aquilo que disse antes. Mas também sou muitas outras coisas. Viajo muito nas férias, sim, junto a minha família, mas aprendi que ela é meu bem mais precioso. Conheço muitos lugares, me divirto. Nos momentos que estou com minhas amigas, nas noites que viramos acordadas, por mais que estas sejam poucas, dou muitas risadas. Jogo tênis, não diria bem, mas me divirto. Visito sempre minha irmã que mora fora. Jogo badminton, futebol ou qualquer outra coisa que meus priminhos queiram que eu faça. Escuto música, nem que por falta de tempo, o faça enquanto tomo banho. Embarco no fantástico universo dos livros que leio, antes que perceba, me torno parte deles. Escrevo porque gosto. Procuro lugares que quero conhecer e meios para fazê-lo. Faço planos. Almejo sonhos. Canto alto (ninguém gostaria de estar ao meu lado nesses momentos!).
Não sou extremista, não acredito que seria feliz sem as primeiras características que citei, mas também não o seria sem as segundas. Talvez divida a vida em setores, em alguns deles penso antes de agir, faço a coisa certa, em outros, sigo o mandamento da frase, não levo tão à sério. Se não fizesse essa divisão, acredito que não seria feliz, vagaria pelo mundo fazendo loucuras, que em algum momento, deixariam de alimentar minha alma e me entristeceriam ou então, seria a típica pessoa certa e racional, que não possui sentimentos e é cética a respeito de tudo. Tenho o equilíbrio, que é a chave de tudo.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Futebol, vitória e paz.

Há alguns dias assisti a abertura da Copa do Mundo na África do Sul.
Que festa maravilhosa. Não acredito que a melhor coisa a respeito da copa do mundo seja o futebol, sim, este é extremamente importante e diverte a todos, mas por mais que curto, nesse período vemos todas as nações unidas. São bons dias.
O mundo se junta. Dentro de nosso país, tudo pára, todos desfilam uniformes e camisetas do brasil, expõe bandeiras, cria-se um enorme patriotismo, o qual na minha opinião, é maravilhoso. Sim, creio que deveríamos tê-lo sempre, mas discordo daqueles que dizem que por não o termos todos os dias, não deveríamos ser patriotas na copa do mundo. É um momento que mobiliza todo o país, queiramos ou não, o futebol faz a alegria da nação nesse período.
Não somos patriotas, pois temos vergonha de nosso governo corrupto, da criminalidade ou do que quer que seja, mas nos orgulhamos do nosso futebol. Deveríamos encontrar outros motivos para nos orgulharmos, são tantas as belezas naturais de nosso país, a população é tão acolhedora. Deveríamos amar nossa nação. Se a ela amamos pouco, amamos muito o futebol e este cria o nosso patriotismo, por mais que por um curto período, fiquemos felizes porque ele existe.
Como já disse, acredito que por trás da Copa há uma mensagem, na abertura, falaram de paz. Talvez essa seja a mensagem: paz, união. Como um evento tão grande pode ser sediado em um lugar de grande pobreza, no qual, ainda mais acentuada que no Brasil, há criminalidade, tristeza? Isso prova que nesse período não há distinção entre ricos e pobres, estão todos ali por uma mesma razão: futebol. Unidos por um motivo, por mais que inicialmente este pareça supérfluo, traz um bem maior. Por um momento, as guerras param e passam a ser simplesmente disputas dentro de um campo, que no fim, nada significarão. Não sei se é espírito esportivo, mas dentro daquele país tão pobre, dentro de nosso país, vemos tantos sorrisos, tantas alegrias. Talvez busquemos no futebol uma forma de nos destacar, de mostrar que somos todos iguais, que não importa a condição econômica do país, seja África do Sul, Alemanha, Costa do Marfim, EUA ou Brasil, no futebol, a questão é talento, é raça.
Apesar de pensar tudo isso, não posso deixar de dizer, que como brasileira, amante de futebol, não importa o porquê da copa do mundo acontecer, quero que o Brasil vença. Poderia criticar agora nossa seleção, nosso técnico, Dunga, e dizer, como muitos fizeram, que esta Copa não é brasileira, mas não irei. Não importa a convocação dos jogadores da seleção, (sim, discordo de alguns), não importa o que nosso técnico ou os jogadores farão, eles estarão carregando consigo toda uma nação, devem ter consciência disso e por isso acredito, acredito na seleção, acredito no hexacampeonato, acredito no nosso país. Vamos, Brasil!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Palavras

Escrevi um conto.
Quarta feira, véspera de feriado, não tive vontade de estudar, mas como já disse em postagens anteriores, vei0-me uma frase a cabeça e a partir dela escrevi um conto.
Sim, já escrevi muitas histórias quando me sinto inspirada, mas nunca um conto. Há anos, não escrevia uma história como essa, com um final feliz.
Talvez seja um grande sintoma de mudança. Assim como o escritor que é personagem de minha história, abandonei os tempos de tristeza.
Certa vez, fui a psicóloga e ela fez uma avaliação. Mandou que fizesse desenhos e escrevesse textos. Não acreditei naquilo no início, quando escrevo, sou quem eu quero, faço o que quero. Mas estranhamente, quando ela avaliou meus textos acertou precisamente o que sentia. Talvez nos expressemos nos textos.
Sim, tenho um blog para escrever minha opinião, mas é diferente dos textos, aqui, escrevo de forma direta, sem criar nenhum personagem para que você possa interpretar. Ter um blog para mim é algo muito bom, é estranho, sempre escrevi textos e nunca contei a ninguém. E apesar de não ter contado a ninguém da existência deste blog, qualquer um pode acessá-lo. Gostaria que desconhecidos o fizessem. Talvez tenha vergonha do que escreva, ou talvez ache que não é bom.
Escrevi este conto e minha irmã leu, convidei para que lesse, talvez afinal esteja mais confiante. É estranho como fico fazendo uma análise de minhas ações aqui, devia tê-la feito antes de agir, mas não me arrependo de ter mostrado, ela reagiu positivamente, para minha alegria. Mas nunca se pode confiar em pessoas da família, elas nos crêem boas, bonitas e inteligentes, em qualquer circunstância. Talvez depois de ser corrigido por minha professora de português, publique meu conto aqui.
Este blog é meu diário. Não tenho segredos para contar, somente opiniões e sentimentos, que talvez tema compartilhar com outras pessoas.
As palavras sempre foram amigas e para sempre serão, escutam-me em todos os momentos, talvez fiquem tristes, às vezes, quando eu estou feliz e as deixo de lado. Mas sei que nunca as abandonarei.
Quanto a este blog, enquanto sentir vontade de escrever e tiver uma ponta de esperança de que alguém esteja lendo, continuarei a contar-lhe sobre mim.

domingo, 30 de maio de 2010

O que fazem as borboletas?

Esta é uma história que eu devia ter escrito há algum tempo.
Certo dia, era pequena, uma professora contou que uma vez um amigo de sua mãe tivera o rosto paralisado por causa de uma borboleta que ali pousara. Desde então, tenho medo de borboletas.
Um domingo qualquer, ano passado, chegamos em casa, depois de um cansativo dia, que eu passara na fazenda e meus pais em uma cidade próxima, vendo minha avó doente.
Ao entrar em casa encontramos uma enorme borboleta preta, eu gritei e estranhamente ela sumiu. No dia seguinte, minha mãe a viu e matou-a em cima do chuveiro. Disse-me que borboletas pretas não eram um bom sinal. Não acreditei, são as velhas supertições, que nossas avós e pessoas antigas contam e que não tem nada de verdade.
Na terça-feira, minha nona contou ter encontrado, uma daquelas borboletas em sua casa.
Estava empolgada, na quarta-feira, faríamos uma viagem com a escola, conheceria uma usina próxima.
Minha mãe veio me acordar e contou-me que minha avó (que ela vira no domingo) tinha falecido.
É uma sensação estranha, sei que ela estava sofrendo muito, pois tinha tido um derrame, mas nunca mais vê-la, conversar com ela era assustador.
Eu não era muito próxima dela, mas o suficiente para amá-la e ser muito querida por ela. É muito triste.
No momento em que minha mãe contou-me, poucas lágrimas escorreram, tomei banho e aí então, fiquei aos prantos.
Chegou o corpo, passou o dia. Ela descansara. Já era velha, mas ainda assim, e digo, em nenhuma situação, a morte é facilmente aceitável.
O momento mais triste para mim, foi antes da missa, no dia seguinte, de certa forma, despedi-me dela. Ver meu pai sofrendo como estava, também não foi fácil.
Naquele dia e na madrugada, vi quatro borboletas pretas.
Não sou supersticiosa, mas estranhamente, passei a acreditar no que disse minha mãe.
Já não temo borboletas, e sim, o que vem junto delas.