segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O chá derramado

Paira a xícara sobre o chá já derramado. Tudo ali junto, as inseguranças, os medos, os tantos defeitos, as qualidades, o pouco que aprendi e conheci. Derramaram-se, eu os derramei. A xícara vazia. Tudo o que devo fazer é limpar aquilo que já não mais pode me satisfazer, o líquido incômodo, e encher a xícara novamente. Escolher o melhor sabor de chá. Colocar dentro dela o que me faz feliz, o que quero, os muitos lugares a conhecer, as pessoas a entender, os sorrisos a serem mostrados, os bons amigos, os sonhos, o ideal de quem ser. Beber o chá calmamente, apreciar o sabor e me tornar tudo o que ali coloquei. Não devo demorar demais ou o chá esfriará, o sabor escolhido não mais me apetecerá, o terei desperdiçado, esquecido de tudo o que quisera quando preparei minha bebida. Mas acima de tudo, devo tomar cuidado para que não derrame o chá, pois se acontecer, demorarei até prepará-lo novamente, e nesse período, haverá a sede, o vazio da xícara e de minha alma.

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