quinta-feira, 28 de outubro de 2010

(Quase) uma história de amor

Lembro-me de quando te conheci. De meus olhos famintos por aquele sentimento que ali começava, da insegurança que sentia, dos dias que imaginei como a pessoa que ocuparia seu espaço seria. Dos meus risos forçados, dos arrependimentos seguintes pelas palavras esquecidas e pelas ditas, de admirar sua beleza. Da saudade que senti da simplicidade dos tempos passados e do meu rápido esquecimento sobre ela ao ver-te rir. Das palavras meigas e envergonhadas, da aceleração de meu coração, da certeza ao assistir o brilho de seus olhos acender. Seria errado dizer que já te amava, não, somente sabia que um dia o faria. Parece-me estranho: este dia chegou. Percebo que preciso de você ao meu lado para me escutar e fazer sorrir. Tarde demais. Sei que te amo pelas lágrimas que escorrem em meu rosto pálido e aterrisam sobre seu corpo frio e imóvel.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Eleições

Não sou eleitora. Gostaria de ser. Mas concordo que diante de minha tamanha imaturidade e desconhecimento sobre a política brasileira não poderia ser uma eleitora.

Assisti a alguns debates, propagandas políticas e li reportagens. Mas não sei viver o momento atual analisando os benefícios políticos que o governo está me causando, nem posso compará-los com os de tempos atrás. Posso ter uma idéia do que é bom para o país, mas não experiência suficiente para saber se estou correta. Envergonho-me ao entrar em discussões sobre política e usar os argumentos que várias vezes escutei serem falados por pessoas próximas.

Não sei quais as necessidades das escolas públicas, nem do SUS, confesso que nunca os utilizei. Pouco sei sobre o pré-sal e às inúmeros problemas ambientais brasileiros. PAC para mim é o posto de saúde de minha cidade. Estimo o valor do salário mínimo, não sei dizer se é pouco ou o quanto seria adequado. Desconheço quais os impostos cobrados e que percentagem. Quanto às estradas, não sou motorista, sei da decadência, mas o que o governo tem feito para corrigi-las não sei. Sei dos escândalos de corrupção, mas não procurei ir a fundo neles. Conheço as promessas dos presidentes, não sei o que é viável e o que não é. Sei que alguns jamais se elegerão e por justa razão, o socialismo é utópico, assim como o salário mínimo de 2000 mil reais e a isenção de impostos para o pobre e a cobrança absurda para o rico. Os problemas de educação, saúde, da população em geral, acredito que sejam mais importantes do que os do meio ambiente, lamentavelmente não creio que esta candidata será eleita. Sei que o poder de compra aumentou, que tudo está melhor no momento atual, mas somente prometer a continuação sem proposta alguma, não me é suficiente.

Os programas eleitorais tem me divertido, os candidatos estranhos, com voz de radialista, monocelha, propostas ridículas ou com palavras erradas. É isso que a campanha eleitoral foi para mim. Sou completamente ignorante. Contudo, sei que minha ignorância pode durar mais algum tempo. Envergonho-me por não saber sobre a política brasileira atual. Envergonhem-se ainda mais aqueles que votarão sem conhecer. Pois eu sou apenas uma criança, sem direito de votar ou de ser presa, não compete a mim decidir o futuro da nação e consequentemente, o meu.

PS: Este texto foi escrito antes do 1º turno. Já não é a minha ignorância o maior problema, mas sim a dos candidatos, que nada mais fazem além de acusarem um ao outro. Agora, nenhum dos candidatos me agrada, contudo, ainda assim: votaria SERRA 45 ( a Dilma e o jeito frio de falar dela me dão medo).

domingo, 24 de outubro de 2010

Trilha sonora

Quando era pequena, adorava as músicas da Eliana. Também gostava de Xuxa, Angélica e É o Tchan. Mais tarde, passei a escutar Sandy e Junior. Vamos Pular, Lua de Cristal e mais uma centena de músicas. Evolui a fase Felipe Dylon e Forfun. Ouvia todas as músicas que minha irmã adorava, inventava combinações de sílabas para cantar as em inglês, trocava as palavras em português. Escutei somente música sertaneja. Amei ABBA. Cheguei onde estou hoje.

Confesso que inúmeras vezes sentei frente a este computador, tentei arduamente escrever, precisava fazê-lo, mas as palavras me enganavam, saiam enroladas, sem nexo, perdidas, sozinhas. Precisava desabafar, mas fui incapaz de descobrir o que sentia. E então, busco por algo que me esclareça essa bagunça de meu peito, encontro as músicas. Falam aquilo que quero, mas não consigo. Escuto -as por tempos até que supero-as, compreendo-me.

As canções deixam de ser somente demonstrações aleatórias de uma bela voz e ritmo e se transformam em memórias. Fazem-me lembrar das fases de minha vida, das amizades, das pessoas, do que sentia. Há certas músicas que já não me agradam, mas ouvindo-as encontro dentro de mim a menina que as adorava e posso por poucos instantes sê-la novamente, voltar no tempo, chorar, sorrir, recordar.

Há tempos não mudo de gosto musical. Amo Engenheiros, algumas músicas sertanejas, Plain White T’s, Good Charlotte e outras internacionais.

Meu pai canta as músicas de seu tempo para mim. Receba as flores que lhe dou, Dominique, Sexta-Feira 13 e muitas outras. Ainda gosta delas. Não se transformou. Não compreendo porque as pessoas mais velhas se referem às músicas antigas como “do meu tempo”, se ainda estão vivas, se este ainda pode ser seu tempo.

Mamãe diz que não conhece novas músicas porque não tem o tempo necessário. Não creio que essa seja a razão. Quem sabe conforme as pessoas cresçam, amadureçam, já não precisem buscar uma maneira de compreender a si mesmos, sejam capazes de fazer isso sozinhos. Continuam ouvindo, ocasionalmente, as velhas músicas da mocidade, mas não como diversão ou por necessidade, somente como uma forma de lembrar das inúmeras incertezas que tiveram dentro de si.


PS:

Need you now - Lady Antebellum

Para minha irmãzinha: Como sempre, Hey there delilah - Plain White T's

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Feitos pra durar

Há certas coisas que são feitas para durar. Certas pessoas postas em nossas vidas que nos ajudam, nos fazem melhores, que nos conhecem tão bem quanto nós mesmos, nos fazem sorrir, ensinam-nos boas coisas, compartilham aquilo que sentem, possuem o ombro para chorarmos e que amamos. Essas pessoas se tornam uma pequena parte de nós, porque nos parecem imprescindíveis.

Quando disse-lhe que certas coisas são feitas para durar, não disse que elas durarão. A vida é imprevisível, assim como todas as pessoas e como nós mesmos. A vida nos prega peças, talvez não a vida, talvez nós mesmos, talvez outras pessoas, somos ingênuos o suficiente para deixá-las acontecerem. As pessoas e as grandes amizades se vão. Surgem novos amigos, novos momentos, novos sentimentos. Tudo muda em um piscar de olhos, ao menos é o que costumo acreditar. E se dentro de toda essa contradição dissesse que tudo continua ali, mas com muitas outras camadas sobre, escondendo aquele velho sentimento? Se cavarmos um pouco, podemos voltar aquela época, lembrar do que sentíamos, talvez senti-lo novamente, mas com certa dor, arrependimento, saudade.

Aquelas pessoas continuarão dentro de nós, quem sabe não como são hoje, mas como foram, ficarão os bons momentos, as boas lembranças. Talvez se as encontrássemos novamente seriam completos estranhos, mas alguma parte dentro de nós, saberia ver aquela velha pessoa, procuraria sua presença e ficaria feliz de encontrar um pequeno traço dela. Depois de um certo tempo para acostumar-se ao desconhecido, conversaríamos por longas horas, riríamos dos velhos tempos e de tudo o que fizemos, contaríamos o que nos acontece no momento, mas sem confessar-lhe nada, contar detalhes e sentimentos, afinal, perdemos aquele grande elo, ele foi guardado.

Fazer o coração acelerar ao se lembrar do quão bom tudo aquilo foi, derramar lágrimas por não poder tê-lo novamente, agradecer pelas pessoas que agora estão em nossa vida.

No fim do dia, eu não mudaria nada, deixaria todos aqueles que se foram, irem. Lembrar dos velhos tempos é bom, ter novas amizades é bom, até mesmo sentir saudades pode ser bom. Bom desde que saibamos que o outro também a sente. É bom acima de tudo, por sabermos que este sentimento estará guardado em nosso peito para sempre, como uma lembrança. Afinal, de uma maneira ou de outra, aquele laço que um dia tivemos foi feito para durar.