domingo, 24 de outubro de 2010

Trilha sonora

Quando era pequena, adorava as músicas da Eliana. Também gostava de Xuxa, Angélica e É o Tchan. Mais tarde, passei a escutar Sandy e Junior. Vamos Pular, Lua de Cristal e mais uma centena de músicas. Evolui a fase Felipe Dylon e Forfun. Ouvia todas as músicas que minha irmã adorava, inventava combinações de sílabas para cantar as em inglês, trocava as palavras em português. Escutei somente música sertaneja. Amei ABBA. Cheguei onde estou hoje.

Confesso que inúmeras vezes sentei frente a este computador, tentei arduamente escrever, precisava fazê-lo, mas as palavras me enganavam, saiam enroladas, sem nexo, perdidas, sozinhas. Precisava desabafar, mas fui incapaz de descobrir o que sentia. E então, busco por algo que me esclareça essa bagunça de meu peito, encontro as músicas. Falam aquilo que quero, mas não consigo. Escuto -as por tempos até que supero-as, compreendo-me.

As canções deixam de ser somente demonstrações aleatórias de uma bela voz e ritmo e se transformam em memórias. Fazem-me lembrar das fases de minha vida, das amizades, das pessoas, do que sentia. Há certas músicas que já não me agradam, mas ouvindo-as encontro dentro de mim a menina que as adorava e posso por poucos instantes sê-la novamente, voltar no tempo, chorar, sorrir, recordar.

Há tempos não mudo de gosto musical. Amo Engenheiros, algumas músicas sertanejas, Plain White T’s, Good Charlotte e outras internacionais.

Meu pai canta as músicas de seu tempo para mim. Receba as flores que lhe dou, Dominique, Sexta-Feira 13 e muitas outras. Ainda gosta delas. Não se transformou. Não compreendo porque as pessoas mais velhas se referem às músicas antigas como “do meu tempo”, se ainda estão vivas, se este ainda pode ser seu tempo.

Mamãe diz que não conhece novas músicas porque não tem o tempo necessário. Não creio que essa seja a razão. Quem sabe conforme as pessoas cresçam, amadureçam, já não precisem buscar uma maneira de compreender a si mesmos, sejam capazes de fazer isso sozinhos. Continuam ouvindo, ocasionalmente, as velhas músicas da mocidade, mas não como diversão ou por necessidade, somente como uma forma de lembrar das inúmeras incertezas que tiveram dentro de si.


PS:

Need you now - Lady Antebellum

Para minha irmãzinha: Como sempre, Hey there delilah - Plain White T's

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