Eu tomo café agora. Com leite e bastante açúcar. Cada coisa há seu tempo, aos poucos a gente consegue. Lembro-me do quão amargo costumava ser, das crenças de jamais bebê-lo,era coisa de adulto.Eu queria mesmo era leite com Nescau. Talvez tenhamos crescido. Mudado. Fazendo escolhas diferentes. Conhecendo novos mundos e perspectivas. Tendo responsabilidades e quem nos cobre, nossa consciência provocando. Vestibular, línguas, sonhos, viagens, preocupações, problemas alheios para escutar, desvios, desilusões. Eu sempre fui nostálgica. Vivendo o passado. E de repente, acordei, caí em meus tempos, tentando fazê-los melhores. As pessoas não ajudarão, fazendo suas próprias vidas, acreditando que tudo acaba amanhã. Eu não creio em fim do mundo. Encho minha mente com tudo aquilo que se encontra em minha frente para não parar. Aulas, filmes, histórias alheias. E percebi que ainda tenho um mundo para descobrir. Lugares a conhecer, livros a ler, pessoas para conversar, histórias a ouvir, sorrisos a despertar, amores a criar. Presente e futuro. Tanto, tão pouco tempo. Preciso de uma xícara de café para manter-me acordada, sem perder o fôlego, preto, por favor. Será duro, eu sei, mas hei de me acostumar, café amargo como o mundo real, com o benefício de não me deixar perder um instante. Mas que mal fará um leite com Nescau de vez em quando? Para lembrar-me, sentir o gostinho de infância e me fazer dormir em paz e sonhar com os anjinhos. Boa noite.
Um pensamento, uma lágrima, um sorriso, uma alma, um coração, uma garota perdida em meio à multidão.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
e se a gente decidisse mudar?
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Devaneios de um mês inteiro por parágrafos.
Ando, como todos: desapontada e desapontando. A dúvida do qual me faz mais mal já não permeia meus pensamentos, desapontando; e como me entristece!
Queria imergir-me nesse universo paralelo, só, fora de mim mesma, mente e defeitos. Sem meus erros, com os quais não aprendo tanto quanto sofro.
Senhor! (Ah, como gostaria de utilizar essa interjeição fora de meus pensamentos; é tão leve, como tudo deveria ser) Sou perfeccionista demais, certa demais, neurótica demais, (não digo metódica demais pela minha tamanha desorganização, mas meus pensamentos são catalogados e guardados onde não se pode encontrar – a fuga de alguns me molesta imensamente). Tão politicamente correta! Uma imagem e tanto! – e meus secretos devaneios.
Estou a ver estrelas, estou a ser estrela. Tão longe, tão perto. Todo brilho ofuscado pelas luzes da cidade. Só se pode ver estrelas no campo, onde não há gente para escondê-las, tampouco, infelizmente, para admirá-las.
Tão dúbia assim como sou. Feliz, infeliz. Passa tempo, não passa tempo. Sorrisos e prantos. Tão confiante, tão insegura.
Cada parágrafo, uma idéia. Cada idéia, um sentimento. Cada sentimento, a incompreensão. Toda incompreensão, angústia. Alguma angústia, algum texto. Todo, cada, algum texto...nada, não leva a lugar nenhum. A gente somos inútil. “Tudo o que sei é que nada sei”, sábio mesmo foi Sócrates.
sábado, 2 de julho de 2011
Bagunças mentais, crises incompreensíveis.
Cantavam. Comiam. Riam. Conversas animadas. Talvez devesse contá-lo usando nós. Todos tão felizes.
Sempre tive tendências nostálgicas e momentos de decaídas. Eu observava, participava, mas, parte de mim, berrava. Berros silenciosos, nesse instante, também molhados. E então, o impulso que faltava atingiu-me. A tal música que é somente bela para eles e para mim, é um filme passado. Desabei.
Não me entenda mal. Ri e falei como antes. Contudo minha explosão de pensamentos era tamanha. Sentei no degrau da escada ao longe e observei. Amanhã, tudo estará acabado. Como a garota que parte agora, logo partiremos nós. E que será das piadas, das memórias de canções antigas, das histórias mal contadas? Um instante, uma imagem. Não me lembrarei desta noite, eu sei, mas deveria, foi feliz. Nada de especial aconteceu, somente a união.
Oh, barulho ensurdecedor. Deixou de ser o saudosismo e transformou-se em crise. Sempre fui boa em escondê-la, em mostrar-me imponente. Talvez eu não queira mais e precise sê-lo. Assusta-me chorar por tantos e por nenhum motivo. É a segunda vez esta semana, acordei de madrugada outro dia e nos meus sonhos bobos, tudo era o futuro e o passado contado com adornos.
Já não sei o que me acontece.
Voltamos pela rua escura, neblina que trancafiava a visão. Poucos metros à frente, não se sabe o que encontraremos. Era tarde para os padrões de uma criança. E as luminárias quase inúteis, suas luzes demarcadas visivelmente. Somos nós ali, correndo de poste em poste em busca de iluminação. Saiba que esta última é uma invenção minha (está frio, não o faria verdadeiramente) e metáfora mal feita. Mas que o caminho seja a vida, a escuridão seja a busca, não tão alegre assim, e a luz seja a felicidade.
Não sou mais capaz de fazê-lo como antes . Não me liberta contar-lhes, quem sabe porque as palavras me faltem. Ao menos, agora meus olhos estão secos e pálpebras ardendo por causa das lágrimas salgadas. Já estive melhor.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Bastidores?
Talvez seja a hora de contar a verdade intrínseca, o silêncio que aborrece todas as mentes. Por um tempo foi o príncipio, então veio a morte, seguida do Senhor, e dentro de mim, já é a própria vida. Os mistérios que acolhem nossos mais esdrúxulos sonhos, a possibilidade de algo a mais, o milagre, o bater de asas, a fuga, resumem-se a tudo aquilo que já temos, o sopro, a alma impassível e indefinível. Não terei as respostas, quem sabe Deus as tenha ou as seja, quem sabe ele sequer exista.
Pois bem, leia a mais nova fofoca, saiba como perder peso rápido, aprenda a cozinhar em duas semanas, converta-se e ganhe seu espaço no céu! É o ser humano, curioso perante o mundo, interessado nas bobeiras cotidianas para aliviar a tensão interior, seguindo as tendências e estudando pensadores para avaliar as possibilidades de desvendar o segredo. Bobo. Ingênuo. Mas esse é o motor, a curiosidade que nos faz levantar todos os dias de nossa fatídica existência, imaginando o que haverá nos bastidores. E não estamos nem perto de descobrir. Ainda bem.
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Um lar
A lâmpada da garagem está sem a tampa em uma das laterais. Inevitavelmente, ao vê-la, invadem minha mente imagens de minha pequena figura a jogar uma bola grande laranja (posso até mesmo afirmar que custou R$1.69) fortemente contra parede, revivo a adrenalina disparada em meu corpo quando aquela tampa caiu após acertá-la. Escondi-a.
Chamam sentimentalismo material, minhas coisas queridas! Mas discordo. Doem-me as memórias - o medo de que se afastem, de mudar - e, uma casa guarda muitas delas. Se lar é a família, para mim, boba nostálgica, são também lembranças.
O guarda-roupa riscado com meu nome escondidamente, o bóton das meninas superpoderosas que usávamos para segurar a corrente da janela do banheiro, as caverninhas na cama da mãe, o quarto de visita que era uma loja, a nossa farmácia, quero dizer, o bar de meus pais.
Talvez eu seja assim para sempre. Sonhe que meus filhos virão à casa que fui criada e repetirão minhas artimanhas, será meu refúgio, o doce lar da infância, as boas lembranças.
Seria como uma ruptura a meus ingênuos planos, serei obrigada a crescer; não esquecerei os momentos, só não terei a prova de que eles ocorreram para, subitamente, fazer as travessuras atingirem minha mente.
Era só uma hipótese longínqua, mas hoje, bateu-me a porta como a realidade de amanhã. Mudança, por si só a palavra me causa um arrepio, que dirá a ação? Abandonar minha casa seria romper com minhas origens, correr o risco de esquecer tudo o que foi, fui. Basta que me belisque, me diga que mentem, o mundo será o mesmo, daqui dentro ou de um 17® andar apertado de um edifício qualquer. As memórias não fugirão, mas estarão mortas, como estará a casa.
Entre o meu ser detalhista e observadora, perdi-me nas circunstâncias. Um momento deixou de ser independente, passou a ser o como, com quem e especialmente, onde. Perdendo um dos elementos, tudo se esvai.
Aterroriza-me a idéia de alguém vivendo em meu espaço, que jamais será de outro, pertence a quem lhes foi fiel, confiou, por vezes junto a outras pessoas ou até mesmo em outras línguas – sei que compreendeu, seus maiores segredos e angústias, as lágrimas escondidas e os risos não permitidos.
Chorei quando cortaram as plantinhas da frente de casa, quando meu pai vendeu seu Vectra azul e recentemente, quando arrancaram minha casinha de bonecas do quintal. E que mar farei se me tirarem a real?
É provável que não compreenda as lágrimas, o medo que me escorre. Ah, saudosista dramática! Perdôo-lhe. Afinal, leitor impassível, somente entenderia o que sinto se pudesse ouvi-lo, vê-lo, e estou certa de que então, não só compreenderia, mas também seria capaz de sentir o doloroso abandono. Ah, se as paredes falassem....
sábado, 2 de abril de 2011
Imperativemos.
Alguns dias, só precisamos de um impulso. Que venha de um amigo, de uma propaganda da televisão, de nós mesmos. Seja a confiança que nos falta, a consciência que nos pesa. Sigamos em frente. Sejamos impulsionados. Façamos todos como eu: escrevamos auto-ajuda, literalmente, a nós mesmos. Façamos acontecer. Sonhemos, imaginemos, mas, acima de tudo: realizemos. Ajamos com poucos pensamentos. O fim justifica os meios, seja Maquiavel ou a velha frase de sua avó. Esqueçamos os arrependimentos, a trajetória perde a importância diante dos sorrisos finais. O silenciar de nossos corações aflitos, do peso da consciência, dos erros, ah, da vontade de morrer. Revoltemo-nos, gritemos, envergonhemo-nos, sigamos em busca do felizes para sempre.
Por favor, impulsione-me agora.
sábado, 19 de março de 2011
Um brinde
Peço-lhe que não chore. Não sou jeitosa para contar más notícias, tampouco para recebê-las. Perdoe-me, sou mera informante.
Querido, quero que se lembre dos velhos tempos , sei que você ama fazê-lo. Sinta-se novamente nos tempos de escola, finja ser o velho personagem de seu gibi favorito ou do filme de faroeste, discuta sabores de sorvete com amigos cujo sobrenome é insignificante, sonhe em pular sobre uma nuvem de algodão, nadar em uma fonte de chocolate, ser jogador de futebol. Cante as canções de sua infância, esquecendo que mais tarde as desprezou. Permita-se errar e fazer perguntas indiscretas. Chore pelos motivos mais bobos, porque um delicioso doce caiu no chão, esqueça, pegue-o e engula, não tenha as neuroses de um adulto. Grite o mais alto possível e, por mais nojento que seja, faça competição de cuspe. Não se lamente. Sinta saudades por se afastar de seus pais em irmãos durante a escola. Dê abraços apertados. Acredite ser um astronauta e poder voar. Aprenda a tocar Asa Branca no violão, para dizer que é talentoso. Molhe-se nos dias de verão. Se puder, seja analfabeto novamente e enxergue o mundo de uma nova velha forma.
Cresça, seja adolescente com amores constantes, comentários bobos e problemas com espinhas. Chore por um coração partido, pelas entradas no cabelo que você sabia que um dia te fariam careca. Quase me esqueci, garotos não choram, então seja forte. Faça amigos, que você sabe que não permanecerão na sua vida.Fale besteiras. Core quando uma menina bonita conversar com você olhando fundo em seus olhos. Lute contra a indecisão do que fazer.
Enfim, relembre os tempos, quase presentes, de adulto. A sua profissão, que, por mais desgastante que fosse, você amava. O dia em que conheceu a mulher de sua vida, todos os maravilhosos dias que passou com ela. A manhã fúnebre da morte de seu cabeleireiro e amigo. Os filhos, anjinhos que você sempre amou. Ensinou-os a andar de bicicleta e contou-lhes suas histórias. As discussões que te fariam levantar e partir, depois de um último argumento falho. Esqueça as partes ruins, os perdões que você somente fingiu conceder, o colega de trabalho que te ofendeu e você, bobo e inexperiente, abaixou a cabeça.
E agora, choro.
Acalme-se, não é a morte que te aguarda, jamais seria suficientemente forte para anunciá-la.
Ainda assim, está acabado. Conheço-lhe tão bem quanto Deus, sei o quanto você insiste em não acreditar na existência Dele, e também os infinitos equívocos que habitam sua mente. Conheço o pessimismo de seu coração. Há um mistério, no entanto, para mim e estou certa, que também para você: como acabar com a amargura que te acompanha. Passei a acreditar que não há solução.
Mostrei sua vida e o fiz revivê-la. Está acabado. A notícia ruim será contada: suas memórias serão tudo o que possuíra a partir de agora. As memórias e a esperança da morte. Bem vindo, meu caro, à Velhice! Hei de chamar-lhe senhor. E o senhor, há de matar-me, sou mente sua que apodrece os pensamentos.
Um brinde à esperança, à vida, à velhice, ao recomeço dos tempos, as amadas lembranças, à minha morte!
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Fim de domingo
A calamidade do amanhecer de segunda-feira provoca-me antecipadamente. Chamam rotina, a repetição dos atos compulsórios ou não, como ocorrendo frequentemente, chamemo-los entediantes.
Acordar cedo, ativar a soneca do relógio, levantar com o sono ainda aparente, escolher uma blusa aleatória, provavelmente a primeira da pilha, vestir-me, comer rapidamente a fruta e o prato preparado pela mamãe, pentear os cabelos, entrar no carro com os tênis ainda em mãos devido ao atraso corriqueiro. Se você ainda não bocejou ou adormeceu, poupar-lhe-ei do resto de minha monotonia diária.
Por mais estranha e aterrorizadora que a segunda-feira possa parecer, a mim é confortante. Uma feição familiar, embora de alguém que não gostemos, quando encontrada em meio a uma multidão desconhecida desperta alegria e segurança. Pois bem, é assim que me sinto ao ir à escola na segunda-feira de manhã. Gosto de ter planos e ocupações, meus dias devem ser previsíveis. Sei que aulas terei, conversarei sobre assuntos diversos com as mesmas pessoas, tomarei chá no segundo intervalo, e à tarde, estudarei incansavelmente, por saber que é necessário, almejando um sonho futuro e tudo fará sentido.
Certamente, a frase “Nenhum dia é igual ao outro” é velha conhecida de todos nós. Ainda que exista rotina, há as pequenas coisas imprevisíveis. Ocasionalmente, conhecemos alguém novo, assistimos ou vivemos uma situação extremamente engraçada, escutamos uma história ou notícia que nos faz refletir, falamos algo que ficará em nossos pensamentos arrependidos por semanas, aprendemos coisas novas,uma nova palavra, experimentamos uma comida diferente. Ah, estou certa que essas peculiaridades de cada dia me fazem mais feliz.
A calamidade do amanhecer de segunda-feira provoca-me ansiedade. Chamam rotina, a repetição dos atos compulsórios ou não, como ocorrendo frequentemente, mas cada dia com um gostinho diferente, chamemo-los energizantes.
Seja bem vinda, Querida Segunda-feira!
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Clarear
Quando as lágrimas já não são capazes de sair surge a certeza de que foram em vão. Os olhos secos, a visão clara, um novo início. Pessoas novas adentrando sua vida, velhas saindo, e ao fim, os buracos são fechados, com texturas diferentes, mas belas o suficiente. Pelo caminho, é difícil enxergar a solução, o culpado, a nossa mente: tentando fazer-nos acreditar que é o fim. As comparações incessantes com a perfeição monótona alheia, a idéia de incriminá-la por sua infelicidade, a discreta inveja secreta. Os sonhos tão distantes corroendo-te por dentro, parecendo impossíveis, certos ao coração que acredita. E então, como se nunca tivesse existido, tudo acaba. Os dias são mais belos, os sorrisos sinceros, as pessoas bem-vindas e a felicidade constante.
Perdoe-me pela pobre descrição do clarear, escrevo o que me contam, pois meus olhos estão úmidos , meu coração ainda chora.