Cantavam. Comiam. Riam. Conversas animadas. Talvez devesse contá-lo usando nós. Todos tão felizes.
Sempre tive tendências nostálgicas e momentos de decaídas. Eu observava, participava, mas, parte de mim, berrava. Berros silenciosos, nesse instante, também molhados. E então, o impulso que faltava atingiu-me. A tal música que é somente bela para eles e para mim, é um filme passado. Desabei.
Não me entenda mal. Ri e falei como antes. Contudo minha explosão de pensamentos era tamanha. Sentei no degrau da escada ao longe e observei. Amanhã, tudo estará acabado. Como a garota que parte agora, logo partiremos nós. E que será das piadas, das memórias de canções antigas, das histórias mal contadas? Um instante, uma imagem. Não me lembrarei desta noite, eu sei, mas deveria, foi feliz. Nada de especial aconteceu, somente a união.
Oh, barulho ensurdecedor. Deixou de ser o saudosismo e transformou-se em crise. Sempre fui boa em escondê-la, em mostrar-me imponente. Talvez eu não queira mais e precise sê-lo. Assusta-me chorar por tantos e por nenhum motivo. É a segunda vez esta semana, acordei de madrugada outro dia e nos meus sonhos bobos, tudo era o futuro e o passado contado com adornos.
Já não sei o que me acontece.
Voltamos pela rua escura, neblina que trancafiava a visão. Poucos metros à frente, não se sabe o que encontraremos. Era tarde para os padrões de uma criança. E as luminárias quase inúteis, suas luzes demarcadas visivelmente. Somos nós ali, correndo de poste em poste em busca de iluminação. Saiba que esta última é uma invenção minha (está frio, não o faria verdadeiramente) e metáfora mal feita. Mas que o caminho seja a vida, a escuridão seja a busca, não tão alegre assim, e a luz seja a felicidade.
Não sou mais capaz de fazê-lo como antes . Não me liberta contar-lhes, quem sabe porque as palavras me faltem. Ao menos, agora meus olhos estão secos e pálpebras ardendo por causa das lágrimas salgadas. Já estive melhor.
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