sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Espalhada pelo chão

Preparo-me. Imagino qual será a sensação. As tormentas abandonadas, a insignificante dor breve, prévia da instantânea morte. O fim, a verdade. Mas antes de tudo, a explosão. As mágoas de uma vida espalhadas fora de minha mente. Espero descontrolar-me. Escolho as palavras adequadas e pratico em pensamento a entonação. Chora, meu coração, bate para fora, bombeia minhas ofensas.
Calo-me. A simplicidade é ilusória. Explodo, desabo. Empurram-me do penhasco. Fazem de minhas verdades, as mentiras que contam. Fugiram os princípios morais, o sentimento agride qualquer racionalidade. A cegueira atinge os olhos e esconde-me. Parece conspiração. Buscam os passos certeiros para desesperar-me, crêem conhecer-me tão bem quanto eu os conheço. Não sabem sobre as angústias e os guardanapos com rabiscos sinceros. Disfarço-me juntos aos sorrisos e palavras amigas. Silenciem-me, sei que são capazes. Sou fraca como uma criança com medo de escuro. Papai e mamãe não virão me confortar, convencer que o bicho papão não se esconde na penumbra do meu quarto, do meu coração.
Estou sozinha. Pois se não amigos o papel e a caneta, quem seria? Temo que me revelem, contem meus segredos e causem revolta.
Resta ignorar minhas sinceridades, misturar minhas lágrimas à saliva que envolve meus risos, sonhar com a explosão, bom sonho escondido em meio a meus calados pensamentos fúnebres.