sexta-feira, 30 de julho de 2010

Você?

Chega um dia no qual você percebe que está cansada. Cansada de ouvir histórias de amor, amizade, aventura de outras pessoas. Cansada de ter de guardar segredos alheios. Cansada de opinar a respeito de coisas que você crê entender, mas no fundo, nunca viveu.
Até aquele dia tudo estava bem, você tinha seus princípios, criticava outras pessoas por fazerem coisas estúpidas, e de repente, nasce dentro de você uma ponta de esperança de um dia ser uma dessas pessoas e percebe que talvez o que elas faziam não era tão errado assim, afinal.
Mas é tarde demais. Você já ocupa o posto de ouvinte, não tem histórias para contar, não tem segredos, até tem, mas os guarda para você. Você tem vontade de mudar isso todos os dias, ir, falar, escrever sua própria história, mas há algo que impede.
E sabe qual o pior de tudo? Você não pode simplesmente pedir para aquelas pessoas que você tantas vezes ouviu e aconselhou o que fazer, porque você não está acostumado a isso, lida com as próprias dores, se sentiria mal fazendo-o, por maior que seja sua confiança nelas.
Você deseja mudar, mas como? Você continua frequentando os mesmos lugares, com as mesmas pessoas, não faz novos amigos. Aliás, talvez isso seja porque você tem dificuldades em se relacionar com novas pessoas, precisa adquirir confiança nelas.
Em alguns momentos, você acredita que há algo de errado com você, que você é horrível ou extremamente chata, questiona-se o que os outros pensam.
Você fala bastante com as pessoas que conhece bem, mas nunca sobre si mesma. Já escutou as pessoas te chamarem de fria, dizerem que você é fechada e que há uma grande barreira que separa seu interior de seu exterior, crêem que você sofre com isso. Por mais difícil que seja acreditar, talvez haja ali um fundo de verdade. Mas você não está disposto a mudar isso, provavelmente não seria capaz, gosta de pessoas que também parecem ser assim.
E o que você faz?
Acorda todos os dias dizendo a si mesma que este será o dia da mudança, em que você fará tudo acontecer. Chega a noite e você se consola por não ter tido coragem suficiente, dizendo que haverá outros dias. Cria falsas esperanças.
Busca esclarecer, encontrar as respostas sozinha. De uma forma ou de outra você precisa desabafar, se não conversando, cantando, desenhando ou escrevendo.
Pararei de fazer isso: escrever me dirigindo a "você". Sei que mais uma vez não tive coragem de falar dos meus sentimentos como meus. Fiz um rascunho de tudo isso e depois de pensar muito, fui capaz de publicar isso.
Não fiz nenhum progresso. Corri para meu refúgio das palavras, onde me sinto segura, desabafei para mim mesma tudo aquilo que conheço tão bem.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

No fim, lembranças, motivos para sorrir.

E ali estava eu, tremendo o queixo e com lágrimas escorrendo novamente. Não, nada de triste estava acontecendo, só assistia o vídeo de algo muito feliz, minha festa de 15 anos.
É estranho como pode ter passado tão rápido e ainda assim ter sido um dos melhores dias de minha vida.
Certo dia, escrevi sobre como temia que aquele dia virasse somente uma lembrança dentre muitas outras. Hoje, vejo que estava errada. Não deveria ter temido. É uma lembrança feliz, que todas as vezes que passa por minha cabeça não consigo me impedir de sorrir e ao assistir o vídeo, lembrei de cada detalhe e não me arrependo de ter feito.
Minha mãe e meu pai sempre falam a respeito de como a vida passa e sobre o que levaremos conosco, sempre acreditei em tudo isso, mas nunca tinha-o sentido, esta foi a primeira vez. Fiquei feliz ao assistir por saber que aquele dia para sempre estará comigo, assim como todos os bons momentos que tenho.
Saímos, viajamos, comemos boas coisas. Não digo que se deva esbanjar, gastar todo o dinheiro somente para ter bons momentos, mas ainda assim, devemos fazê-los acontecer.
Posso contar-lhe sobre as viagens que fizemos em família, as para lugares longes e famosos, como para os Estados Unidos ou aquelas para lugares mais perto, mas em ambas adquirimos conhecimento, nos divertimos de uma maneira única.
Não se trata somente de fazer boas coisas, divertimentos, se trata de fazer com pessoas que nos fazem sentir bem, se trata de conquistar as pessoas. Certamente, quando ajudamos alguém, não é com a única intenção de fazer aquela pessoa se sentir bem, mas também a nós. Talvez não aparentemente, mas com essas ações, passamos a acreditar que somos boas pessoas.
Desejo chegar no fim de minha vida, não acreditando que esteja acabando, mas sabendo que todas as pessoas a quem poderia ajudar, ajudei, que todos os lugares que poderia visitar, visitei, que todos os bons momentos que podia ter vivido, vivi e que todos aqueles que poderia ter feito felizes, fiz.
Desejo chegar ao fim da vida e sorrir pela última vez, depois de já tê-lo feito incontáveis vezes. Desejo chegar ao fim da vida e agradecer por todas as oportunidades que aproveitei.
Desejo chegar ao fim da vida e ensinar, poder falar para as pessoas que vivam como vivi, pois fui muito feliz.
Desejo chegar ao fim da vida e lembrar da frase que minha mãe tantas vezes me disse: "E não faça as coisas para ver?", e saber que fiz tudo o que pude.
Desejo chegar no fim da vida e não ter arrependimentos de como vivi.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Quem sou eu?

Certo dia, parei para me fazer a mesmíssima questão, aquela que está constantemente em nossa cabeça, para a qual nunca acharemos uma resposta, ou talvez saberemos responder, mas a cada dia a resposta será diferente.

Estamos em constante mudança.

Às vezes, tenho vontade de sorrir, em outras, necessidade de chorar. Às vezes, olho para mim mesma e me contento, com minha aparência, com minha personalidade, outras vezes, sinto-me um lixo. Às vezes, amo imensamente alguém, e no instante seguinte, por mais que brevemente, odeio-a. Às vezes, sinto vontade de comer doce, e então, como se este já não fosse suficiente, preciso voltar ao salgado. Às vezes, sinto vontade de escrever, me sinto bem fazendo-o, em outros momentos, lágrimas escorrem quando escrevo. Às vezes, olho ao meu redor e não vejo nada, o comum dia-a-dia, em outros momentos, enxergo tudo, as pessoas e seus trejeitos, as belezas do mundo que costumam passar despercebidas. Às vezes, penso ser uma pessoa centrada, com objetivos, e que com determinação os alcançará, então, repentinamente, me sinto perdida. Às vezes, creio saber quem sou, então, algo acontece e percebo que não, estava errada sobre mim mesma e sempre estarei, me surpreenderei a cada segundo, se criar uma definição para mim.

Procuro sorrir sempre que penso no que fui, mas por vezes, não sou capaz de fazê-lo. Pergunto-me como gostava de certas coisas, como falava inutilidades, como era capaz de agir de certa maneira, mas sei que, na época passada, tudo aquilo parecia fazer sentido.Assisto a cada dia nascer um novo alguém, um alguém que só vou conhecer daqui muito tempo, quando parar para pensar em quem era.

A cada decisão que tomo, a cada música nova que ouço, a cada pessoa que conheço, a cada palavra que escuto, mudo uma mínima coisa em mim. E de mínimas coisas se faz um ser inteiro.

Certas vezes, pego-me assistindo fitas antigas, olhando fotos e buscando achar aquela doce menina que vejo em mim. Busco a inocência, busco o sorriso, busco a felicidade, busco o olhar, busco a pequenez, mas nunca fui capaz de encontrá-la. É como se assistisse ao vídeo de outro alguém querido que se foi, uma daquelas pessoas que você daria tudo para ter mais um dia junto, não sou eu mesma. Sinto saudades de quem fui, de quem, por vezes, nem lembro de ter sido, e sei que no futuro, sentirei saudades de quem sou, a pessoa que antes que eu seja capaz de perceber terá partido.

Se algum dia, alguém me perguntar quem sou, saberei o que responder. Olharei fundo em seus olhos e direi: “Pergunte-me amanhã.”

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Férias.

Assim como eu esperava, não pude escrever nos dias que se seguiram ao início de minha viagem. Talvez não tenha sido persistente suficientemente. Ainda assim, estranhamente, não senti uma grande vontade de escrever, foram poucos os meus momentos de iluminação.

Voltamos para casa amanhã.

Além dos três estados e várias cidades adicionadas a lista de lugares que conheci, levarei outros pontos destas férias comigo.

É completamente esquisito estar dentro do próprio país observando uma realidade extremamente diferente da que vivo. Vi favelas, pessoas pobres, casas devastadas com as recentes enchentes, crianças trabalhando sob o sol forte.

Poderia me ater a essas partes tristes ou simplesmente falar das muitas belezas, em sua maioria naturais, que vi aqui, mas não vou.

Apesar de toda a pobreza, não há tristeza. O povo nordestino é alegre e claramente orgulhoso de sua terra.

Fomos a Maragogi, nos sentamos num belo restaurante e fizemos o famoso passeio até as piscinas naturais. Quando voltamos, o restaurante estava pronto para fechar, éramos os únicos clientes.

Um garçom começou a conversar e contar-nos de sua terra, mencionou as muitas praias da região, os lugares que conhecia, os caminhos para chegar no litoral. Falou por um bom tempo. Sei que se tivéssemos deixado-o falar, ele poderia ficar ali por horas, com os olhos brilhando.

Morando numa cidade de interior do sul do Brasil, não estou acostumada a ver favelas e as más condições de vida da população, mas vejo todos os dias vários mendigos, pessoas que me assustam somente por seu cheiro e sujeira e que em algumas vezes estão drogados. São pedintes, que não percebem ou não fazem uso de suas condições físicas para trabalhar.

Não vi nenhuma dessas pessoas aqui. Todos estão dispostos a fazer alguma coisa, buscar seu sustento diário. Fazem artesanatos, pintam azulejos, vendem alimentos nas praias, cuidam de carros, são pessoas sofridas, mas vivem. Vê-los me faz reavaliar todas as vezes em que me revolto por minha situação, sem perceber que tenho tudo.

Além dos meninos que constantemente nos abordam nas ruas para “mostrar seu trabalho”, um homem me chamou atenção: caminhava por toda a orla da praia com dois mostruários, um para bijuterias e outro para brinquedos. Aparentemente, um vendedor ambulante comum, mas havia uma diferença: ele não tinha uma perna. Não estou procurando expressar nenhum tipo de preconceito aqui, principalmente porque creio não tê-lo. No sul, ao menos onde moro, não ter uma perna ou ser aleijado é motivo suficiente para sentar-se na calçada, esticar o braço e alegar um enorme sofrimento e incapacidade.

Todas as pessoas deveriam conhecer o povo nordestino. Todas as pessoas deveriam ser tão felizes quanto eles, ostentando ou não melhores condições de vida.

Para terminar, contarei uma outra história, provavelmente a que mais me impressionou. Fomos à Olinda (amei a cidade e todas as maravilhas arquitetônicas antigas) e por um acaso encontramos um guia turístico, uma homem da região, pobre provavelmente. Perguntamos quanto cobraria, sua reposta foi simples: “Desde obrigado a um milhão eu aceito.”

Passei naquele lugar provavelmente a tarde mais interessante da viagem. O homem tinha um enorme conhecimento sobre a história da cidade, do Brasil e dos monumentos. Esta foi a prova final. A condição social de um homem não significa que ele não será uma pessoa culta, uma boa pessoa. As barreiras entre as classes podem ser ultrapassadas, ou talvez, elas nem mesmo existam. Pagamos ao homem por vontade própria, por puro merecimento.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Vacaciones!

Por poucos dias usarei este blog como um diário, não porque estou precisando contar os milhares de eventos interessantes de minha vida, mas porque estou de férias, viajando. Contarei as minhas férias de acordo com o que minha irmã permitir, pois ela costuma monopolizar o computador para conversar com o namorado.
A viagem começou ontem, quando saímos de casa e nos dirigimos até Londrina, a cidade na qual embarcaríamos. Paramos para almoçar no shopping em Maringá e ali passamos longas e cansativas horas.
Fomos dormir tarde, pois o computador ligado faz todo o sono ir embora.
Acordamos as 4 horas da manhã, mas increvelmente não estava cansada. Isso mudou assim que embarquei com destino a Curitiba, tentei dormir, mas não encontrei a posição correta (odeio as poltronas apertadas da Gol). Morri de frio em Curitiba. Mas o resto da viagem foi bom, consegui, finalmente, dormir.
Chegamos em Recife já de tarde. Apesar de cansar muito, adoro viajar de avião, fazer muitas conexões e me sentir chique por frequentar aeroportos, mesmo que seja somente na área de voos domésticos.
Não consegui entender Recife ainda, pois só passamos nas áreas próximas do aeroporto, que devo dizer, me desagradaram, tudo o que percebi foi a enorme diferença entre o nosso sul querido e este nordeste, cheio de pobreza, cheio de pessoas felizes.
Viemos direto à Porto de Galinhas.
Talvez meus olhos estivessem muito cansados para enxergar a famosa beleza do lugar.
Com dificuldade, encontramos o hotel reservado, não é ruim, contudo sei que poderíamos estar em algo melhor, de frente para o mar, isso fez todos estressados, exceto meu pai que insistiu imensamente por esse lugar.
Saímos caminhar na praia, tudo deveria parecer perfeito, o sol estava para se pôr sobre o mar azul. Poderia ser uma daquelas felizes cenas de final de filme, em que os personagens correm na praia, vestindo roupas e com os calçados nas mãos, se divertindo imensamente, uma música alegre soa, na minha versão da cena essa deveria ser "Wouldn't it be nice". Mas não foi tão perfeito assim. Caminhamos devagar, sorrimos, observamos os lugares nos quais poderíamos estar, todos os hotéis meus conhecidos virtuais.
Tomamos uma água de coco, na vila. De acordo com meu pai, o lugar é rústico, mas não fui capaz de ver essa beleza. São somente lojas comuns de praia, com pessoas simpáticas ofencendo-nos passeios.
Já era tarde, (ou não, mas aqui anoitece muito cedo), e voltávamos pela praia, de repende foi-se o dia e a escuridão instalou-se. Escutamos tantas coisas ruins que ocorrem nas escuridões desertas, que confesso ter sentido um pouco de medo.
Jantamos na vila. Sou uma pessoa extremamente sensível, ou talvez não seja essa exatamente a palavra, mas tenho muito dó das pessoas, e aqui esses míseros sofredores são muitos. Um garoto, deveria ter seus 6 anos, passou e ofereceu-se para mostrar seu trabalho. Não sei o que ele fazia, mas nenhum trabalho deve ser realizado por uma criança como aquela.
Talvez pelas tantas cenas que vi hoje, talvez pelo cansaço, ou talvez não se explique, ver aquele garoto me trouxe um nó na garganta. Enfim, poderia discorrer sobre como por um breve momento tive o instinto de ajudá-lo e no seguinte, uma imensa vontade de chorar, mas já disse muito sobre hoje.
Espero acordar amanhã com outros olhos, abertos as belas paisagens, abertos as simpáticas pessoas, abertos o suficiente para perceber a sorte que tenho em estar aqui.


ps: provavelmente desistirei de escrever até o final da viagem, pois me sinto mal em atrapalhar as alegres conversas de minha irmã e ela saber que estou escrevendo.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Anônima

Quando você decide postar um texto em um blog você tem opções. Primeiro, você escreve e o texto fica salvo como rascunho, você pode ou não publicá-lo.
Confesso que possuo muitos rascunhos salvos em meu blog, textos que não fui capaz de escrever ou não tive coragem de publicar.
Hoje, olhando esses antigos rascunhos, decidi publicar um, faz algum tempo que escrevi, precisamente no dia 25/05, mas não publiquei-o. Então, aqui está:

Tentei inúmeras vezes escrever a respeito do porquê de ninguém até hoje saber da existência desse blog e não consegui, talvez porque eu mesma não saiba. Acredito que tenha medo de mudar a forma que escrevo, por causa do que vão pensar. Não que eu seja uma pessoas muito influenciável ou que se preocupe muito com a opinião alheia, mas me importo ao menos um pouco. Penso que me julgarão.Gostaria de tornar o blog conhecido, mas não como meu, como um qualquer, assim não ficaria me perguntando o que estão pensando de mim e somente, da garota que escreve. É como falar em público. Tenho facilidade para isso, mas prefiro falar a desconhecidos do que a pessoas que conheço, mas que não são próximas. Talvez não goste de escrever se outros souberem.Até hoje, venho escrevendo este blog para mim, como se fosse um diário, pessoal. Nunca escrevi diário, por medo que alguém lesse (não sei porque, nunca tive muitos segredos). Então certo dia, ano passado, minha irmã mostrou-me o blog de uma amiga e resolvi criar o meu, sempre gostei de escrever e aqui estava uma oportunidade de pôr meus sentimentos, meus textos, minhas histórias a público. Sempre fui uma pessoa fechada, por isso passei a buscar a escrita para contar. Aqui eu poderia fazer isso e "divulgar" meus textos, não somente nos velhos cadernos em que antes escrevia. Talvez eu torne este blog público. Talvez conte as pessoas. Sei que provavelmente, me sentirei triste depois disso, pois poucos serão aqueles que lerão. Não sou a garota mais popular e nem gostaria de ser, mas gostaria de ser valorizada pelo que escrevo, digo, falo, faço, por mais que as vezes isso pareça um orgulho extremo. Se você lê ou está lendo esse texto ou os outros, saiba que está me fazendo muito feliz. Saiba que gosto do fato de não conhecê-lo. Gosto de ser anônima.

Contei a respeito deste blog para minha irmã, contradizendo tudo o que disse acima. (provavelmente, só ela (você, no caso) lerá isso.)
Estranhamente, não me sinto mal por ter contado, posso continuar a escrever. São raras as vezes nas quais estou escrevendo em que me questiono: o que ela pensará? (como agora)
Mas ainda assim, creio que não poderia contar a todos.
Confio totalmente em minha irmã, talvez seja isso que me tenha feito contar a ela.
De certa forma, me fez sentir bem. Mas há sempre um outro lado. Ela, geralmente me elogia, mas há sempre a insegurança, e se não for real? Há o sentimento, ele nos cega.
Talvez eu mantenha a opinião do texto, talvez não conte a ninguém.

Postado por Anônima.


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Happy Wondering.

Decidiu não convocar Ronaldinho Gaúcho.
Decidiu não tirar de jogo Felipe Melo.
Não, não vim falar das tantas besteiras que Dunga fez e culpá-lo (mas sim, em parte considero sua culpa) pela desclassificação brasileira.
Certamente, nos tensos minutos finais da partida e após ela, várias vezes ele se questionou como seria se tivesse feito diferentes escolhas. Não posso afirmar que se arrependeu de suas decisões, mas certamente, lamentou-se por não tentar as outras opções.
Uma escolha pode mudar um futuro inteiro, uma vida inteira.
Vestibular, todas as pessoas devem escolher a onde candidatar-se e caso sejam aprovados em mais de um lugar decidir onde estudar. Por ser próximo de mim, usarei o exemplo de minha irmã. Sua primeira grande decisão foi estudar fora da cidade no 3º ano do ensino médio, para se preparar melhor, se ela não tivesse ido, teria passado? Então, foi aprovada para a segunda fase de duas universidades que seriam no mesmo dia, teve que optar. Escolheu uma e foi aprovada. Hoje, crê que foi a melhor escolha que poderia ter feito, certamente, se tivesse escolhido o outro lugar não teria conhecido todos os bons amigos, o namorado, não estaria tão feliz. Ou estaria? É algo que para sempre ficaremos na dúvida.
No exemplo dela, a outra opção deixou de ser importante, hoje já nem é lembrada, pois com a escolha que fez tudo deu certo. Mas não é sempre assim, voltamos ao ponto: e se Dunga tivesse convocado Ronaldinho Gaúcho? Nunca saberemos. Nos lamentamos, mas o resultado poderia ter sido o mesmo, ou poderíamos ter conquistado o hexa, quem sabe?
Uma escolha, um rumo, um futuro.
Certa vez, enfrentei uma briga na escola e estava pronta para sair dali, o lugar que eu tinha estudado a vida inteira. Fui ao outro colégio, peguei a matrícula, comprei o uniforme, mas na última hora, desisti. Até hoje me pergunto o que teria acontecido, quantas pessoas novas conheceria e talvez guarde dentro de mim um certo arrependimento por não tê-lo feito. Mas então, um ano se passou e novamente, passei pela angústia da dúvida pelo mesmo motivo, contudo dessa vez, tive muito tempo para pensar e decidi realmente mudar. Fiquei com medo, não sabia o que aconteceria, sim, estaria com minhas amigas, mas ao redor de muitos desconhecidos. Nunca me senti tão ansiosa como no primeiro dia de aula. Mas, hoje, digo a todos, foi a melhor escolha que fiz. Os desconhecidos se tornarão amigos, ou ao menos bons colegas de classe, o colégio provou ser melhor que o anterior, a situação fez-me mais feliz.
Há uma música do Good Charlotte, que diz:
"If you don't wanna say anything at all,
I'm happy wondering"
Sim, ele está feliz imaginando o que ela teria dito. Assim, como quando tomamos decisões que resultam em boas coisas, nos contentamos em imaginar como teria sido, mas não molestando-nos por isso, como uma curiosidade. Quando fazemos as escolhas erradas, que nos fazem infelizes, imaginamos o que teria acontecido, sempre arrependendo-nos e pensando no como teria sido melhor.
Penso se não tivesse mudado de colégio, o que teria acontecido? Provavelmente, continuaria a mesma monotonia na qual tudo era antes ou talvez mudasse, mas quer saber? I'm also happy wondering.