sexta-feira, 30 de abril de 2010

Esqueci-me de tudo.
Não sei, mas sempre que começo a escrever acredito que a primeira fase é a mais significativa, por mais que não possamos entendê-la completamente.
Sempre começo com uma frase qualquer que me vem a cabeça, por mais estúpida que seja, como a de hoje.
Tem algumas expressões e palavras que sempre desejei usar, mas nunca tive a oportunidade. Então, coloco-as em minhas histórias, meus textos, minhas reflexões.
Essas frases ou palavras, sempre descrevem o personagem de uma maneira que adjetivos não conseguiriam. Minhas favoritas são aquelas que criam trocadilhos, fazem confusão na nossa mente ou podem possuir muitos significados.
Esqueci-me de tudo poderia significar um grande perdão, uma vida inteira abandonada, amnésia ou simplesmente, poderia significar que alguém esqueceu de trazer tudo o que prometera.
Essa é a magia das palavras. É isso que me encanta.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Contagem regressiva

Sonho com este dia desde minhas mais antigas lembranças, mas sempre foi algo utópico, sempre pareceu distante, inalcansável.
Chegou, não posso acreditar, mas sinto-me estranha a respeito. É a realização de um sonho, mas assim que estiver acabado nunca mais poderei sonhar, planejá-lo nos mínimos detalhes novamente, se tornará uma lembrança, maravilhosa, mas como qualquer outra, passada, não esquecida, mas também não significante.
Falta hoje 10 dias. Sim, talvez esteja fazendo disso algo muito grande, mas é a realidade, ao menos a minha. Sinto-me ansiosa, já não sei se quero que esses dias voem ou que passem vagarosamente, para que possa curtir cada momento da preparação, sonhar mais uma vez cada detalhe e só então vê-los realizar-se.
Quero que aconteça, mas sei que nunca mais poderei voltar. Talvez seja esse um dos motivos pelo qual decidi fazê-la, nunca mais voltarei a esse dia e se não comemorasse talvez passasse o resto da vida com amargos arrependimentos.
Não explicitei até agora, mas comemoro15 anos. Já cansei de ouvir discursos que falam sobre a passagem de menina a moça, mas sei que nada muda, tenho 15 anos e sou feliz, menina, moça ou mulher.
Nos últimos dias, não penso em nada além da festa, grande festa, da minha reação, da das pessoas, nas surpresas, nas alegrias, nos choros. Talvez deva acordar. Sonho, para sempre um sonho. Na manhã seguinte, o fim. Não me importo com esse pequeno detalhe final, terei meu felizes para sempre, por mais que breve, por mais que simples, por mais que esqueça.
A manhã seguinte, será um domingo qualquer, seguido da segunda feira, mais um monótono dia de escola. A vida continua, mas nós junto dela, levando o que vivemos e o que sonhamos.
Na segunda feira, sei que terei um novo compromisso. Encontrar um novo sonho. Para ocupar-me novamente, sorrir de novo e ter outro dos muitos e muitos felizes para sempre que viverei.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O fim, a mudança.

Sinto falta dos tempos em que olhar para caneta me dava magníficas ideias e que talvez fosse feliz por isso. Mas, ao mesmo tempo, já não sei. Nunca fui capaz de escrever histórias com finais felizes, sempre terminavam em morte ou qualquer tragédia semelhante.
Me questiono se a tristeza é minha inspiração. Sei que muitos são os céticos que não creem na chamada inspiração, mas eu não sou um deles. Há dias que quase aos prantos sou incapaz de falar e corro a escrever. Há outros em que estou feliz e nem lembro da existência das palavras escritas.
Há alguns dias, comecei a escrever um caderno de tarja, pois minha letra é ridícula, e logo, sem perceber, o caderno se tornou em um diário. Não, não fiquei feliz com isso. Quando reli os textos escritos, frustrei-me, não senti nada. Se fora a garota que despertava sentimentos nela própria ou nos outros ao escrever. Sim, talvez tenha sido bom, talvez ela tenha se tornado real. Mas ela me fazia feliz, talvez eu simplesmente não precise mais dela para isso.
Comecei a escrever isto sem prestar nenhuma atenção, e de repente percebi, que escrevia em terceira pessoa, "ela", já não eu. Sim, talvez ela, minha outra parte, tenha sumido. Talvez tenha mudado e estado escondida em meio aos muito e sorrisos que agora mostro, em meio as muitas palavras que agora falo.
Não sei, mas não importa se diferente ou não, quero recuperá-la, a menina dos sonhos e realidades escritas. Talvez comece agora a escrever tragédias felizes.