Por algum motivo, passei a me questionar a respeito da famosa música da jovem guarda, “a gente era feliz e não sabia”, mas será mesmo?
Não acredito que não soubéssemos, mas não imaginávamos que poderia mudar.
Certamente sentimentos são difíceis de ser percebidos, mas facilmente sentidos e acabados.
Talvez não haja vida baseada só na felicidade.
A felicidade é a perfeição, não há realidade perfeita. Devem existir empecilhos, obstáculos, situações que nos façam sofrer para que no final, por mais que brevemente, possamos nos sentir felizes.
É extremamente fácil considerar o passado como felicidade, não estamos vivendo-o, não lembramos dos maus pontos, dos sofrimentos, analisamos em geral, assim a felicidade anterior será facilmente alcançada.
Se de acordo com Marx com o socialismo haveria o fim da história, com a felicidade constante haveria o fim da vontade de viver.
Depois que nos acostumamos a algo, já não podemos julgá-lo, fazemos porque é necessário ou por outro motivo qualquer, por mais que devesse ser algo bom, agora é algo rotineiro, que não causa prazer nem tristeza, somente indiferença. Desta maneira é a felicidade, por isso em algum momento, talvez deixe de sê-la. E por mais incrível que pareça, esta é a maravilha da felicidade. Ela é perfeita porque é breve, porque nos alivia, então logo some, fazendo-nos ansiar por sua próxima aparição.