terça-feira, 3 de novembro de 2009

Algum dia, amigas.

Existem determinadas coisas que para sempre ficarão guardadas, um livro antigo, um vídeo, fotos, amizades, por mais que delas só restem as boas lembranças. Devemos esquecer os maus momentos e guardar os bons, esquecer o que nos separou, perceber que mudamos, mas também que nada destruirá o carinho umas pelas outras. Podemos esquecer facilmente de algo bom, mas não de algo ruim. Mas podemos escolher lembrar do que nos fez felizes, podemos tentar reviver o que um dia foi, mas nada será igual novamente. Podemos continuar sorrindo pelas boas lembranças, mas no fundo, haverá uma certa dor, um desejo de voltar, de fazê-las presentes.

Chegará um dia, em que esperaremos uma a outra e esta não aparecerá, pois não mais fará parte da vida.

Chegará um dia, em que necessitaremos do abraço, da amizade e não a teremos.

Chegará um dia, que o passado já não mais será suficiente, que choraremos, arrependendo-se, sem lembrar, o porquê da separação, mas seguiremos, contentando-nos com o vazio.

Chegará um dia, que desejaremos infinitamente voltar, mas não poderemos.

E quando este dia chegar, perceberemos que, apesar de todas as mudanças, sentimos a mesma coisa, ainda queremos vê-las felizes, aquelas queridas amigas, ainda esperamos que elas nos queiram ver felizes, por mais que nada mais saibamos a respeito delas, que as mudanças tenham feito desaparecer aquela que conhecíamos ou, ao menos, escondido-a, no inacessível.

Nada pode ser apagado, mas o tempo verbal pode ser mudado, o presente pode virar pretérito.

Se o futuro, como todos dizem, a Deus pertence, o passado pertence a nós e é nossa escolha sorrir ao lembrar dos meios ou chorar por seu fim.

Infinitas serão as vezes que nos esqueceremos, mas várias serão aquelas em que, por acaso, nos encontraremos e por mais que rapidamente, diremos, certo dia, num tempo perdido, foram elas o meu apoio, meu motivo de muitos sorrisos, minha inspiração para muitos poemas.

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