segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A gente era feliz e não sabia?

Por algum motivo, passei a me questionar a respeito da famosa música da jovem guarda, “a gente era feliz e não sabia”, mas será mesmo?

Não acredito que não soubéssemos, mas não imaginávamos que poderia mudar.

Certamente sentimentos são difíceis de ser percebidos, mas facilmente sentidos e acabados.

Talvez não haja vida baseada só na felicidade.

A felicidade é a perfeição, não há realidade perfeita. Devem existir empecilhos, obstáculos, situações que nos façam sofrer para que no final, por mais que brevemente, possamos nos sentir felizes.

É extremamente fácil considerar o passado como felicidade, não estamos vivendo-o, não lembramos dos maus pontos, dos sofrimentos, analisamos em geral, assim a felicidade anterior será facilmente alcançada.

Se de acordo com Marx com o socialismo haveria o fim da história, com a felicidade constante haveria o fim da vontade de viver.

Depois que nos acostumamos a algo, já não podemos julgá-lo, fazemos porque é necessário ou por outro motivo qualquer, por mais que devesse ser algo bom, agora é algo rotineiro, que não causa prazer nem tristeza, somente indiferença. Desta maneira é a felicidade, por isso em algum momento, talvez deixe de sê-la. E por mais incrível que pareça, esta é a maravilha da felicidade. Ela é perfeita porque é breve, porque nos alivia, então logo some, fazendo-nos ansiar por sua próxima aparição.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Algum dia, amigas.

Existem determinadas coisas que para sempre ficarão guardadas, um livro antigo, um vídeo, fotos, amizades, por mais que delas só restem as boas lembranças. Devemos esquecer os maus momentos e guardar os bons, esquecer o que nos separou, perceber que mudamos, mas também que nada destruirá o carinho umas pelas outras. Podemos esquecer facilmente de algo bom, mas não de algo ruim. Mas podemos escolher lembrar do que nos fez felizes, podemos tentar reviver o que um dia foi, mas nada será igual novamente. Podemos continuar sorrindo pelas boas lembranças, mas no fundo, haverá uma certa dor, um desejo de voltar, de fazê-las presentes.

Chegará um dia, em que esperaremos uma a outra e esta não aparecerá, pois não mais fará parte da vida.

Chegará um dia, em que necessitaremos do abraço, da amizade e não a teremos.

Chegará um dia, que o passado já não mais será suficiente, que choraremos, arrependendo-se, sem lembrar, o porquê da separação, mas seguiremos, contentando-nos com o vazio.

Chegará um dia, que desejaremos infinitamente voltar, mas não poderemos.

E quando este dia chegar, perceberemos que, apesar de todas as mudanças, sentimos a mesma coisa, ainda queremos vê-las felizes, aquelas queridas amigas, ainda esperamos que elas nos queiram ver felizes, por mais que nada mais saibamos a respeito delas, que as mudanças tenham feito desaparecer aquela que conhecíamos ou, ao menos, escondido-a, no inacessível.

Nada pode ser apagado, mas o tempo verbal pode ser mudado, o presente pode virar pretérito.

Se o futuro, como todos dizem, a Deus pertence, o passado pertence a nós e é nossa escolha sorrir ao lembrar dos meios ou chorar por seu fim.

Infinitas serão as vezes que nos esqueceremos, mas várias serão aquelas em que, por acaso, nos encontraremos e por mais que rapidamente, diremos, certo dia, num tempo perdido, foram elas o meu apoio, meu motivo de muitos sorrisos, minha inspiração para muitos poemas.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Certas escolhas.

Podemos escolher, certo ou errado, quente ou frio, fim ou início, silêncio ou barulho, solidão ou companhia, mas há determinadas coisas que são inevitáveis. O sol se pôr, o envelhecimento, o amor. Não, a falta de opção não as faz piores, somente previsíveis, por trás delas há muito, há dúvidas, há lógicas, há explicações, mas o melhor a respeito delas é que nunca nos desapontam, estarão lá, sendo boas ou ruins e, se dessa maneira forem, não terá sido nossa culpa, é natural. Com relação a elas, não há arrependimentos, mas também não há alegrias. São monótonas.

Escolher viver com base nelas é escolher viver sem riscos, tranquilamente, sem tentativas, sem perdas, mas também sem vitórias. Talvez seja escolher viver tristemente.

São pequenas as outras coisas, mas são delas que surgem os melhores momentos, as maiores amizades, as mais altas risadas. São de pequenas opções, a princípio estúpidas, desnecessárias, mas felizes.

São das grandes escolhas que surgem bons profissionais, que nos permitem crescer como pessoas, mas não necessariamente ser felizes.

É da mistura de todas as possíveis escolhas que surge a felicidade, imprevisível, incerta.