domingo, 27 de fevereiro de 2011

Fim de domingo

A calamidade do amanhecer de segunda-feira provoca-me antecipadamente. Chamam rotina, a repetição dos atos compulsórios ou não, como ocorrendo frequentemente, chamemo-los entediantes.

Acordar cedo, ativar a soneca do relógio, levantar com o sono ainda aparente, escolher uma blusa aleatória, provavelmente a primeira da pilha, vestir-me, comer rapidamente a fruta e o prato preparado pela mamãe, pentear os cabelos, entrar no carro com os tênis ainda em mãos devido ao atraso corriqueiro. Se você ainda não bocejou ou adormeceu, poupar-lhe-ei do resto de minha monotonia diária.

Por mais estranha e aterrorizadora que a segunda-feira possa parecer, a mim é confortante. Uma feição familiar, embora de alguém que não gostemos, quando encontrada em meio a uma multidão desconhecida desperta alegria e segurança. Pois bem, é assim que me sinto ao ir à escola na segunda-feira de manhã. Gosto de ter planos e ocupações, meus dias devem ser previsíveis. Sei que aulas terei, conversarei sobre assuntos diversos com as mesmas pessoas, tomarei chá no segundo intervalo, e à tarde, estudarei incansavelmente, por saber que é necessário, almejando um sonho futuro e tudo fará sentido.

Certamente, a frase “Nenhum dia é igual ao outro” é velha conhecida de todos nós. Ainda que exista rotina, há as pequenas coisas imprevisíveis. Ocasionalmente, conhecemos alguém novo, assistimos ou vivemos uma situação extremamente engraçada, escutamos uma história ou notícia que nos faz refletir, falamos algo que ficará em nossos pensamentos arrependidos por semanas, aprendemos coisas novas,uma nova palavra, experimentamos uma comida diferente. Ah, estou certa que essas peculiaridades de cada dia me fazem mais feliz.

A calamidade do amanhecer de segunda-feira provoca-me ansiedade. Chamam rotina, a repetição dos atos compulsórios ou não, como ocorrendo frequentemente, mas cada dia com um gostinho diferente, chamemo-los energizantes.

Seja bem vinda, Querida Segunda-feira!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Clarear

Quando as lágrimas já não são capazes de sair surge a certeza de que foram em vão. Os olhos secos, a visão clara, um novo início. Pessoas novas adentrando sua vida, velhas saindo, e ao fim, os buracos são fechados, com texturas diferentes, mas belas o suficiente. Pelo caminho, é difícil enxergar a solução, o culpado, a nossa mente: tentando fazer-nos acreditar que é o fim. As comparações incessantes com a perfeição monótona alheia, a idéia de incriminá-la por sua infelicidade, a discreta inveja secreta. Os sonhos tão distantes corroendo-te por dentro, parecendo impossíveis, certos ao coração que acredita. E então, como se nunca tivesse existido, tudo acaba. Os dias são mais belos, os sorrisos sinceros, as pessoas bem-vindas e a felicidade constante.

Perdoe-me pela pobre descrição do clarear, escrevo o que me contam, pois meus olhos estão úmidos , meu coração ainda chora.