Até aquele dia tudo estava bem, você tinha seus princípios, criticava outras pessoas por fazerem coisas estúpidas, e de repente, nasce dentro de você uma ponta de esperança de um dia ser uma dessas pessoas e percebe que talvez o que elas faziam não era tão errado assim, afinal.
Mas é tarde demais. Você já ocupa o posto de ouvinte, não tem histórias para contar, não tem segredos, até tem, mas os guarda para você. Você tem vontade de mudar isso todos os dias, ir, falar, escrever sua própria história, mas há algo que impede.
E sabe qual o pior de tudo? Você não pode simplesmente pedir para aquelas pessoas que você tantas vezes ouviu e aconselhou o que fazer, porque você não está acostumado a isso, lida com as próprias dores, se sentiria mal fazendo-o, por maior que seja sua confiança nelas.
Você deseja mudar, mas como? Você continua frequentando os mesmos lugares, com as mesmas pessoas, não faz novos amigos. Aliás, talvez isso seja porque você tem dificuldades em se relacionar com novas pessoas, precisa adquirir confiança nelas.
Em alguns momentos, você acredita que há algo de errado com você, que você é horrível ou extremamente chata, questiona-se o que os outros pensam.
Você fala bastante com as pessoas que conhece bem, mas nunca sobre si mesma. Já escutou as pessoas te chamarem de fria, dizerem que você é fechada e que há uma grande barreira que separa seu interior de seu exterior, crêem que você sofre com isso. Por mais difícil que seja acreditar, talvez haja ali um fundo de verdade. Mas você não está disposto a mudar isso, provavelmente não seria capaz, gosta de pessoas que também parecem ser assim.
E o que você faz?
Acorda todos os dias dizendo a si mesma que este será o dia da mudança, em que você fará tudo acontecer. Chega a noite e você se consola por não ter tido coragem suficiente, dizendo que haverá outros dias. Cria falsas esperanças.
Busca esclarecer, encontrar as respostas sozinha. De uma forma ou de outra você precisa desabafar, se não conversando, cantando, desenhando ou escrevendo.
Pararei de fazer isso: escrever me dirigindo a "você". Sei que mais uma vez não tive coragem de falar dos meus sentimentos como meus. Fiz um rascunho de tudo isso e depois de pensar muito, fui capaz de publicar isso.
Não fiz nenhum progresso. Corri para meu refúgio das palavras, onde me sinto segura, desabafei para mim mesma tudo aquilo que conheço tão bem.
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