Quando era menor costumava rir das pessoas que choravam ao assistir dramas, ou ler livros, ou ouvir certas músicas, mas, antes que eu percebesse, tinha me tornado uma dessas pessoas. Só que agora não era capaz de rir de mim mesma.
Ontem, estava assistindo a um filme, um drama, o marido da mulher morre e o filme circula em torno de ela superá-lo, ele tenta ajudá-la, deixando cartas. É um filme muito conhecido, e que, na minha opinião, todos deveriam assistir.
Não sei quantas vezes já o assisti, em todas elas, chorei.
Minha mãe assistia junto comigo, e de repente, eu a vi quase aos prantos. Eu também chorava, discretas lágrimas.
Não sei até onde choramos por causa de um filme, creio que talvez as lágrimas não estejam relacionadas somente a história que nos está sendo contada e sim, a aplicação dessa história ou de uma situação semelhante a nossa realidade.
Morte.
São sempre sobre morte os tristes dramas.
Não sei, por vezes, creio que não tenho (ao menos, não muito) medo de morrer. Sim, sei sobre o que falam do incerto, tenho consciência de que não se sabe o que há depois desta vida, mas decidi por acreditar no Paraíso, decidi acreditar na existência de um Deus salvador.
Contudo, talvez meu maior medo seja de perder aqueles que amo. É difícil pensar sobre isso, imaginar uma vida sem eles, quando esses devaneios me vem a cabeça, costumo dizer a mim mesma que tudo é besteira, que não devemos pensar na morte. Então, vem alguém e me diz que devemos estar sempre preparados.
Perdi as contas das noites que acordei assustada, ou extremamente agoniada, por ter sonhado que as pessoas ao meu redor morriam. É sempre triste demais.
A primeira pessoa próxima que perdi foi minha avó, confesso ter sido ruim, não gostava que falassem dela pois traz a memória e tudo o que você então pensa é: ela está morta. Mas com o tempo tudo isso passa, eu comecei a lembrar das boas coisas, das más coisas, de quem ela realmente foi. Mas há momentos em que lembramos, em que vemos sua foto ou um velho vídeo e, inevitavelmente, choramos.
Pergunto-me: e se perder alguém ainda mais próximo?
Não sei.
Foram muitas as vezes em que parei para pensar e de certa forma, pedir para que as pessoas que eu amo fossem eternas. Impossível.
Não gostaria de viver para sempre, só gostaria de tê-los ao meu lado enquanto vivo.
Inúmeros também foram os dias, digo, inúmeros são os dias, em que penso e sei, que se fosse preciso daria minha vida por qualquer um daqueles que amo. Infelizmente, não é tão fácil.
Alguns dias, poucos confesso, desejo morrer nova, para não ter de sofrer sobre a morte de meus queridos. Mas, então, percebo que então eu os estaria fazendo sofrer sobre minha morte e já não desejo.
Seja quando for, eu morrerei, os que amo morrerão, você morrerá.
Dói pensar.
Então, surge a única resposta, não, ela não fará doer menos, ela só nos dará esperança de reencontrarmos todos, de vivermos novamente. Basta acreditar, basta ter fé.
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