segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Quando bate a saudade.

É como um ritual.Todas as vezes que saímos de Londrina, onde mora minha irmã, é triste. Descemos os quatro, eu, ela, meu pai e minha mãe até a garagem, ocasionamente acompanhados de seu namorado. Geralmente, papai carrega as malas no carro antes de descermos, mas sempre esquecemos algo no apartamento e temos que subir buscar, este algo costuma ser uma garrafa de água. Eu subo, contudo, as vezes minha mãe gosta de buscar junto a minha irmã, creio que ela acredite que aquele seja um momento íntimo de despedida. E então, finalmente nos preparamos para viajar. Meu pai dá o primeiro abraço, não muito longo. A mãe recebe o segundo e eu o terceiro. Entro no carro e papai posiciona o carro para partirmos, mamãe sempre precisa de mais um apertado abraço. Minha Irmã chora quando não sabe precisamente quando nos veremos novamente. Os olhos da mãe também se enchem de água, de vez em quando, isso acontece comigo, mas luto para escondê-lo, não sei porque motivo. Partimos em silêncio. São poucos os comentários feitos, apesar das inúmeras tentativas de minha mãe, uma conversa nunca se constitui. Durmo, escuto música. Telefonamos a minha irmã na metade do caminho.

Chegamos em casa de noite, não gosto desta parte. É estranho entrar no lugar que sempre vivi, que tão bem conheço e sentir-se uma estranha em meio ao vasto silêncio. Não poderia, nesse instante, chamar de lar. A casa parece imensa para somente três pessoas, vazia. E é aí, que percebo. É o pior momento de todo o tempo que fico sem ver minha irmã, por mais que faça pouco tempo após nosso último encontro.

É como se ela faltasse no quarto do lado, se eu esperasse a cada palavra dita um de seus comentários, como se o clima escuro da casa pudesse ser quebrado somente com sua presença. É quando bate a saudade. Lágrimas molham meu rosto.

Essa palavra sempre me perturbou, tão certa, tão triste. Saudade. Creio que não exista em tantas outras línguas para mascarar junto a outros o terrível sentimento. Não posso descrevê-lo. Há o nó na garganta, há o desejo da pessoa, há a falta, há a dor.

Mas estranhamente toda essa saudade que sinto as vezes é boa. É uma prova. Saudade é sempre uma prova de amor, porque ela não existiria sem o afeto.

Sempre que me acontece alguma coisa, tenho a necessidade de ligar para minha irmã e contar-lhe. Falo muito tempo com ela pelo telefone. Mas não posso ver seu rosto, identificar suas feições, ver a roupa que está vestindo, perguntar o porquê de ela estar fazendo algo extremamente simples que jamais mencionaríamos em uma conversa telefônica.

Preciso de sua presença, não posso tê-la. Preciso de consolo, mas sei que ela precisa muito mais. Todos precisam. E assim nos consolamos juntos nos maravilhosos e curtos dias, os quais passamos fingindo que a enorme distância não existe e que nunca chegará a hora de partir.

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