segunda-feira, 26 de julho de 2010

Quem sou eu?

Certo dia, parei para me fazer a mesmíssima questão, aquela que está constantemente em nossa cabeça, para a qual nunca acharemos uma resposta, ou talvez saberemos responder, mas a cada dia a resposta será diferente.

Estamos em constante mudança.

Às vezes, tenho vontade de sorrir, em outras, necessidade de chorar. Às vezes, olho para mim mesma e me contento, com minha aparência, com minha personalidade, outras vezes, sinto-me um lixo. Às vezes, amo imensamente alguém, e no instante seguinte, por mais que brevemente, odeio-a. Às vezes, sinto vontade de comer doce, e então, como se este já não fosse suficiente, preciso voltar ao salgado. Às vezes, sinto vontade de escrever, me sinto bem fazendo-o, em outros momentos, lágrimas escorrem quando escrevo. Às vezes, olho ao meu redor e não vejo nada, o comum dia-a-dia, em outros momentos, enxergo tudo, as pessoas e seus trejeitos, as belezas do mundo que costumam passar despercebidas. Às vezes, penso ser uma pessoa centrada, com objetivos, e que com determinação os alcançará, então, repentinamente, me sinto perdida. Às vezes, creio saber quem sou, então, algo acontece e percebo que não, estava errada sobre mim mesma e sempre estarei, me surpreenderei a cada segundo, se criar uma definição para mim.

Procuro sorrir sempre que penso no que fui, mas por vezes, não sou capaz de fazê-lo. Pergunto-me como gostava de certas coisas, como falava inutilidades, como era capaz de agir de certa maneira, mas sei que, na época passada, tudo aquilo parecia fazer sentido.Assisto a cada dia nascer um novo alguém, um alguém que só vou conhecer daqui muito tempo, quando parar para pensar em quem era.

A cada decisão que tomo, a cada música nova que ouço, a cada pessoa que conheço, a cada palavra que escuto, mudo uma mínima coisa em mim. E de mínimas coisas se faz um ser inteiro.

Certas vezes, pego-me assistindo fitas antigas, olhando fotos e buscando achar aquela doce menina que vejo em mim. Busco a inocência, busco o sorriso, busco a felicidade, busco o olhar, busco a pequenez, mas nunca fui capaz de encontrá-la. É como se assistisse ao vídeo de outro alguém querido que se foi, uma daquelas pessoas que você daria tudo para ter mais um dia junto, não sou eu mesma. Sinto saudades de quem fui, de quem, por vezes, nem lembro de ter sido, e sei que no futuro, sentirei saudades de quem sou, a pessoa que antes que eu seja capaz de perceber terá partido.

Se algum dia, alguém me perguntar quem sou, saberei o que responder. Olharei fundo em seus olhos e direi: “Pergunte-me amanhã.”

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