sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Ambiguidade

Todos estranhos, já não mais os conheço, são somente peças de um passado perdido.

Eis algo esquisito o tempo, não o tempo por si só, mas tudo o que ele é capaz de tirar-nos, de levar junto a si ou tudo o que ele é capaz de trazer.

No fim das contas, ele é o malvado e o benfeitor.

Olhando a várias fotos, sinto saudades daqueles bons tempos, daquelas pessoas que viviam ao meu redor, de quem elas eram. Mas não devo viver de passado.

Carpe diem.

Aproveite o dia. Confesso que foi sempre difícil para mim isso. Não lamentar-me pelo o que passou. Conformar-me e seguir em frente. As coisas mudam, se alguém se vai, outro o substitui, é teoricamente perfeito. Mas sobram alguns espaços em branco, que estarão sempre esperando aquele que se foi. Resta-me pensar sobre o futuro. Nunca penso no presente.

Conheci tantas pessoas novas, mudei, tenho vivido diferentemente, falado sobre diversos assuntos, rido mais, escrito mais, sonhado mais. Estou feliz, confesso.

Há de vir novamente o tempo, dessa vez meu inimigo. Porque fará tudo isso passar? Deixe-me aproveitar mais alguns instantes, descobrir mais algumas coisas, conhecer mais algumas pessoas, ler mais alguns livros bobos, passar mais algumas noites acordada, sorrir pelos motivos errados mais uns instantes.

Talvez o culpado não seja o tempo, seja o que eles nos faz. Crescemos, é inevitável. Amadurecemos. Nos tornamos adultos com preocupações e conversas sobre o mercado de trabalho. Quem sabe quando eu chegar lá, isso me faça feliz.

Tenho essa dualidade dentro de mim. A parte que deseja que o tempo passe, que quer crescer, se formar, constituir uma família, ser mãe, avó, morrer e ter deixado minha marca. E a outra, que vive do passado e do presente, reza para que o futuro demore.

Luto contra o tempo. Luto a favor do tempo. Deixo que o tempo aja em mim. Ele deve saber o que faz, não deve? Pois bem, se não souber, arrisco a sorte. Rezo para que o tempo traga boas coisas. Se trouxer, implorarei para que ele demore a passar. E bom, se não trouxer, me contentarei sabendo que ele passa. No fim, o tempo é incontrolável, passará, levando consigo toda minha vida e substituindo-a por uma ainda desconhecida, queira eu ou não.

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