Tenho frieza e amargura embutida em mim. Não importa o quanto tente me livrar delas, quando passo a acreditar em sua partida, elas voltam. Talvez seja nato, mas posso por um tempo, disfarçá-las, agir como os outros agem, apesar de existir uma tamanha repugnância dentro de mim.
Tendo a não gostar de ser próxima das pessoas, compartilhar as partes íntimas de minha vida, e por isso quero dizer, quem realmente sou, os poucos segredos que guardo, e por vezes, afastar aqueles que gostam de mim.
Não sou extremamente aberta, não falo com estranhos como se fossem amigos e jamais digo eu te amo a alguém se não tiver certeza disso (a não ser algumas vezes por educação, digo, por retribuição). Posso parecer grossa, sincera, estranha, sem personalidade. De fato, talvez seja um pouco.
Tenho um código comigo mesma: não digo oi a desconhecidos ou pessoas a quem não sou próxima, limito-me a um olá. No fim, não significa nada, mas me faz sentir melhor, é como se me guardasse para mim mesma, ou àqueles, que realmente merecem. Além disso, nomes carinhosos ou comentários inconvenientes vindos de desconhecidos são capazes de me fazer odiar alguém ainda que não o conheça, ao invés de elogio, são uma ofensa.
Cultivo as mesmas amigas há anos, quem sabe quando era menor fosse mais amigável, ou talvez ainda seja amiga das mesmas pessoas por comodidade, medo de sair conversando com estranhos, procurando alguém semelhante.
Quando alguém novo se aproxima, afasto-o, ou ao menos, demoro a familiarizar-me. Passei um ano em uma nova escola e posso contar nos dedos os novos amigos que fiz, depois de um longo período de conhecimento, é claro.
Sou um pouco amarga e fria. Afasto as pessoas, não sou simpática ou interessante. Vivo num mundo introspectivo que me diverte, e na maioria das ocasiões, me deprime. De fato, admitir todas essas verdades arrepia-me. Minha tristeza ocasional é baseada nelas e em suas conseqüências.
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