sexta-feira, 13 de julho de 2012

Inspirado por Sociedade dos Poetas Mortos.



Digo-lhe, como disse-lhe Jesus, que todos morreremos. Não há opção. Contudo, podemos sim escolher porque morremos. Morremos por câncer, acidentes de carro e até falência múltipla dos órgãos (genial, nunca imaginaria tal causa!). Mas acima disso, morremos porque vivemos. Morremos pelo simples fato de que cumprimos nossa missão em um mundo que estava necessitado dela. Entretanto, venho perguntar-lhe: cumprimos nossa missão diante de nós mesmos? Embora pareçam semelhantes, o mundo e nós mesmos somos completamente distintos. Não somos meros reflexos da sociedade em que vivemos, como dizem os deterministas. Temos sonhos que despertam em nosso oculto interior, que desafiam ao mundo e a nós mesmos. Cabe somente a nós decidirmos se os seguimos ou não. Cabe a nós, a decisão de viver pelo mundo ou por nós mesmos - talvez seja possível viver pelos dois, não sei. É necessário coragem para espalhar suas convicções, desafiar as linhas padronizadas de vivência e de sucesso. É necessário coragem para viver por si mesmo. Não trato de egoísmo, mas de egocentrismo.
 Carpe Diem. Seize the Day. Assim, em maiúscula, como ordenou que fosse o corretor de meu computador. Em maiúscula, pois afirma-se o presente e sua importância, não somente para um futuro glorioso, mas para a missão de nós mesmos. Para que sejamos satisfeitos enquanto há tempo. Não nego o amanhã. Pelo contrário, afirmo-o. Contudo, tenho a certeza de que ele é produto do hoje, assim como as geadas no inverno trazem fome no verão. Nessa linha de pensamento, por mais adverso que seja o tempo, o mundo, existem as estufas, onde não penetra chuva, gelo ou geada, onde a plantação cresce independente do que ocorre lá fora. Seguir a nós mesmos é viver em uma estufa. É ter a certeza da abundância do amanhã e a sensação de missão cumprida.
Trato tanto de morte, pois de vida tratam todos que não compreendem que esta é o preparo para aquela, na qual estão as análises e atestados sobre o que fizemos, na qual vivem nossos rancores e arrependimentos e, com sorte, nossas conquistas e alegrias.  Antes mesmo, afirmava que há uma opção de pelo que morremos. Fazemo-na quando escolhemos entre ficar calados em discussões que decidem o futuro, quando tememos gritar quem somos. Morremos porque alcançamos a felicidade, porque falhamos nessa busca ou porque desistimos dela. Não morramos pelo mundo e pelas imposições dele, pelo fracasso que corrompeu nosso ego e nossos sonhos. Morramos por nós mesmos, por ter arriscado ouvir nosso coração. Parece-me que a linha tênue entre vida e morte e morte foi extinta. Quem sabe, ela nunca tenha existido.


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